HOSPITAL DA RESTAURAÇÃO

Menina atingida por muro do Metrô do Recife tem quadro de saúde grave, mas estável

A garota, de 8 anos, passou por uma intervenção cirúrgica na bacia, na madrugada do domingo (17)

Gabriel Inácio
Gabriel Inácio
Publicado em 18/10/2021 às 22:56
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WELLIGTON LIMA/JC IMAGEM
O muro caiu sobre a menina no sábado (16), no Coque - FOTO: WELLIGTON LIMA/JC IMAGEM
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Com informações da TV Jornal

A menina de 8 anos atingida pela queda de um muro do Metrô do Recife na comunidade do Coque, na Ilha de Joana Bezerra, no Centro da cidade, no sábado (16), permanece internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) pediátrica do Hospital da Restauração, no Derby, também na área central.

A garota passou por uma intervenção cirúrgica na bacia, na madrugada do domingo (17), e permanecia, na noite desta segunda-feira (18), em estado grave, mas estável. Ela deve ficar na UTI por, no mínimo, 48 horas para recuperação da cirurgia.

"Ela está evoluindo muito bem. Falei com ela, mandei abrir o olho, e ela abriu pouquinho, balançou a cabeça e apertou a minha mão. Me senti outra pessoa hoje", disse a mãe da menina à TV Jornal.

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou, em nota, que o muro passou por uma vistoria no domingo (17), mas que a data do reparo ainda será estabelecida. A empresa também informou que lamenta o caso e disse que uma assistente social foi visitar a família e que uma data foi marcada para uma reunião com os familiares.

Entenda o caso

A menina de 8 anos participava de uma festa, no sábado, em comemoração ao Dia das Crianças, na Avenida Central. Por volta das 13h, uma das placas do muro do Metrô do Recife caiu em cima dela. Jonata Santos, que coordena o projeto Mão Amiga, responsável pelo evento, informou que havia cerca de 150 crianças no local, além de 20 voluntários e familiares da garotada.

"Foi muito sério o que aconteceu e poderia ter atingido mais crianças. Uma placa dessa deve pesar mais de 200 quilos. Ela teve hemorragias na boca, no nariz e na vagina porque houve rompimento da bacia", contou Jonata. "O estado dela é grave", destacou.

A menina foi inicialmente levada ao Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), onde recebeu os primeiros atendimentos, e depois foi para o HR, onde passou por cirurgia.

Revolta

"A comunidade está muito revoltada. Vários ofícios já foram enviados para a CBTU, pelo ponto de cultura que existe no Coque, alertando sobre a situação dos muros e pedindo providências. Infelizmente nada foi feito e acontece uma tragédia dessa", comentou Jonata. Segundo ele, a menina ferida é uma das mais ativas do Projeto Mão Amiga, que oferece recreação todos os sábados. "Ela é uma das mais ativas, adora nosso projeto, está presente todos os sábados", comentou.

"Era uma festa, as crianças estavam todas brincando. A gente quer Justiça, esse acidente não pode ficar impune. Ficamos todos desesperados. Foi um milagre de Deus ela ter saído viva daqui. Perdeu muito sangue e desmaiou. A CBTU precisa responder por isso", disse uma tia da garota.

Em nota, enviada apenas às 9h18 desta segunda-feira (18), a CBTU lamentou "profundamente o ocorrido" e informou que está investigando a causa do acidente.

A companhia disse ainda que "os 71 km de vias eletrificadas do Metrô do Recife possuem muros que passam por vistoria e reparos periodicamente", embora o JC já tenha noticiado em outra ocasião a indignação dos moradores em relação à falta de vistoria nestes mesmos muros.

Em 2015, por exemplo, após a morte de Max Mateus Antônio do Nascimento, de 10 anos, também do Coque após ser atropelado por composição do metrô, a comunidade já se queixava da falta de manutenção dos muros, que frequentemente caiam.

O técnico administrativo Adelson da Silva Pereira, de 43 anos, integrante da Associação Nova Esperança do Coque, denunciou à reportagem que acidentes como esse acontecem constantemente.

"Na mesma região já houve acidentes por causa de queda de placas, de muros, faz muito tempo que não tem manutenção. Inclusive, tem uma ponte que liga a Comunidade do Coque ao bairro de Afogados por onde só passam pedestres que a escadaria está toda danificada oferecendo sérios risco de acidentes", relatou.

*Os nomes da vítima e dos familiares foram resguardados pela reportagem como forma de preservar a identidade da criança.

 

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