HABITAÇÃO

Contrários a projeto da Ponte Monteiro-Iputinga, moradores da Vila Esperança se reunirão com Prefeitura do Recife

Ao todo, 53 casas serão desapropriadas para a construção do equipamento. Moradores alegam baixos valores indenizatórios e falta de diálogo

Katarina Moraes
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Katarina Moraes
Publicado em 27/04/2022 às 14:19 | Atualizado em 27/04/2022 às 14:36
Alexandre Aroeira/JC Imagem
Vila Esperança protesta contra desapropriação para construção da Ponte Monteiro-Iputinga - FOTO: Alexandre Aroeira/JC Imagem
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A Vila Esperança, Zona Especial de Interesse Social (Zeis) localizada no bairro do Monteiro, Zona Norte da cidade, se reunirá com a Prefeitura do Recife na próxima segunda-feira, 2 de maio, para discutir o projeto e as consequências da Ponte Engenheiro Jaime Gusmão na comunidade. Ao todo, 53 casas serão desapropriadas para a construção do equipamento, que ligará o Monteiro à Iputinga.

Os moradores são contrários ao projeto desde o início, conforme já reportado por este JC. Eles dizem ter sido pegos de surpresa com o anúncio das desapropriações, já emendado ao início das obras, em agosto do último ano. Desde então, se organizaram em grupo para pressionar por alterações.

Dois meses depois do início da construção da ponte, a gestão municipal prometeu um habitacional para abrigar as famílias que tiverem as casas desapropriadas - o que não acalmou os moradores que ali residem há décadas.

A principal reivindicação da comunidade é que o traçado da ponte seja alterado, sem que precise passar pelo meio da Zeis; caso não seja possível, que os valores das indenizações aumentem. Até agora, ambos os pedidos sem sucesso.

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RECOMEÇO Obras da ponte que ligará os bairros do Monteiro ao da Iputinga foram retomadas pela prefeitura, em setembro do ano passado, após sete anos paralisadas - ALEXANDRE AROEIRA/JC IMAGEM
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Obras da Ponte Monteiro-Iputinga - Alexandre Aroeira/JC Imagem

A aposentada Raquel Dalzy, que nasceu e vive na Vila Esperança há 64 anos, sendo uma das mais antigas moradoras da região, e não aceitou o valor proposto pela gestão. Em um terreno de 175m² com quintal, piscina e área para lazer, tem uma casa de 85m² que foi avaliada em R$ 240 mil por técnicos da gestão municipal. Ela, então, contratou uma imobiliária especializada no serviço, que avaliou o imóvel em R$ 569 mil - mais que o dobro do valor oferecido.

Ainda, teme a queda da qualidade de vida caso tenha que se mudar para lá. “Quem tem uma casa com uma estrutura como a minha, não quer morar em apartamento por dinheiro nenhum. Moro em um bairro muito bom, não sou invasora, tenho toda documentação da minha casa, por que vou morar no habitacional?”, questionou.

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Raquel Dalzy, uma das moradoras mais antigas da Vila Esperança, deseja permanecer na casa onde mora - Alexandre Aroeira/JC Imagem
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Aposentada Raquel Dalzy, 64 anos, recebeu proposta de valor indenizatório duas vezes abaixo do previsto para região onde mora - Alexandre Aroeira/JC Imagem

As obras do Habitacional Vila Esperança devem ser iniciadas em junho deste ano. Nele, são previstos dois blocos com térreo e mais quatro andares, um com 40 unidades e o outro com 35, e apartamentos com área de aproximadamente 40 m² e dois quartos, além de creche, horta, pomar, playground, bicicletário, espaço para coleta seletiva e equipamentos para eficiência energética. O acesso seria feito pela Rua 19 de Abril.

Diálogo com a Prefeitura do Recife

Exigindo um diálogo mais próximo com a gestão, representantes da comunidade fizeram um protesto nessa segunda-feira (25). Na ocasião, queimaram pneus, bloqueando a passagem pela Avenida Dezessete de Agosto, e foram chamados a debater com representantes da Prefeitura do Recife - quando foi marcada a reunião da próxima segunda.

A gestão, no entanto, defende que "desde o início do processo do projeto da Ponte Engenheiro Jaime Gusmão, as negociações para desapropriação dos 53 imóveis que ocupam hoje a área onde será construída estão sendo conduzidas com muito diálogo e de forma transparente e participativa", e que no dia 2 de maio serão apresentados os "projetos da ponte e do conjunto habitacional."

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Moradores da Vila Esperança protestam contra desapropriação para construção da Ponte Monteiro-Iputinga. - Alexandre Aroeira/Jc Imagem
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Moradores da Vila Esperança protestam contra desapropriação para construção da ponte Monteiro-Iputnga. - Alexandre Aroeira/JC Imagem

Até então, de acordo com a Prefeitura, 27 moradores concordaram com os valores das casas. Destes, 16 já receberam o valor combinado, 10 aguardam finalização de questões administrativas para pagamento e um já recebeu cerca de 90% da quantia e receberá o restante ainda este mês. 

"A Autarquia de Urbanização do Recife (URB) acrescenta que cada imóvel é avaliado individualmente e recebe um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores. Os valores oferecidos são baseados em tabela atualizada anualmente e validada pelos órgãos de controle, como Tribunal de Contas do Estado e Caixa Econômica Federal", disse, por nota.

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