TRANSPORTE PÚBLICO

Metroviários do Recife decidem sobre greve. Veja qual foi a decisão

A categoria está em estado de greve.Os metroviários querem que o governo de Pernambuco desista da estadualização, etapa que antecede a concessão à iniciativa privada

Rafael Carvalheira
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Rafael Carvalheira
Publicado em 19/05/2022 às 15:12 | Atualizado em 19/05/2022 às 21:17
WELINGTON LIMA/TV JORNAL
DESCASO Muros do Metrô do Recife são perigos para os habitantes de comunidades do entorno das linhas - FOTO: WELINGTON LIMA/TV JORNAL
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Era praticamente certa a paralisação dos metroviários de Pernambuco a partir desta sexta-feira (20/5) e por tempo indeterminado. Estava marcada para as 18h desta quinta-feira (19) uma nova assembleia para decidir a deflagração de um movimento paredista. Será a primeira reação da categoria ao processo de concessão pública do Metrô do Recife, já definido pelo governo de Pernambuco e o governo federal.

No encontro, ficou definido uma nova assembleia,na próxima quinta (26), para que decidam pela paralisação geral do Metrô do Recife ou não.

Desde a primeira assembleia da categoria realizada com o objetivo principal de definir uma estratégia para tentar barrar o acordo - que os metroviários afirmam ter sido feito à margem deles -, no dia 11/5, um segundo encontro já estava previsto e aprovado para esta quinta-feira (19), a partir das 18h. Assim como a provável paralisação.

A categoria está em estado de greve desde então. Os metroviários querem que o governo de Pernambuco desista da estadualização, etapa que precederia a transferência da gestão e operação do Metrô do Recife para a iniciativa privada.

A determinação é legal. Somente o Estado pode submeter o sistema a uma concessão pública - não se define como privatização porque o metrô não seria vendido, repassado de vez para um gestor privado. Seria concedido, a princípio, por 30 anos.

“Em caso de um posicionamento que não seja a desistência da estadualização/ privatização, a categoria que é soberana em suas decisões, pode decretar paralisação do sistema metroviário na sexta-feira (20). O sindicato ratificou que é contra a estadualização e que espera até a Assembleia Geral Extraordinária uma nota do governo do Estado desistindo do processo”, afirma a direção do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (SindMetro).

TEMOR DOS METROVIÁRIOS

Os metroviários temem a exoneração semelhante ao que está acontecendo no Metrô de Belo Horizonte, que também é gerido pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e está em processo de concessão pública. No modelo proposto para o sistema mineiro, os metroviários teriam apenas um ano de estabilidade após a transferência para a gestão privada. E entre os sindicalistas se sabe que todos os metrôs concedidos, pelo menos 40% da mão de obra é dispensada - mesmo sendo uma mão de obra extremamente qualificada.

É a arma que os metroviários têm nas mãos: parar o serviço ou, ao menos, dificultar a operação e, assim, comprometer a prestação do serviço, que já está muito ruim devido ao sucateamento do metrô. Os trens estão quentes e os intervalos podem chegar a até 17 minutos nos ramais das Linhas Centro e Sul, mesmo nos horários de pico. No chamado vale (horário fora pico, é certo).

Cemitério do metrô

Existe um verdadeiro “cemitério de trens” do Metrô do Recife, localizado no Centro de Manutenção de Cavaleiro (CMC), oficina de reparo das composições que atendem ao sistema metroferroviário do Grande Recife.

 

Segundo um dos funcionários, são pelo menos 20 trens parados. São equipamentos quebrados e/ou sem peças para reposição. “É muito fácil e cômodo falar dos trens, apontar falhas e problemas. É fácil culpar a CBTU. Mas sem recursos é impossível. E cadê o investimento?”, questiona.

“O governo federal parou de investir no Metrô do Recife há mais de cinco anos. Por isso os trens não estão oferecendo um serviço de qualidade à população. Devido a esse desgoverno de anos, que piorou muito com o governo do presidente Bolsonaro”, diz o mesmo funcionário.

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