Governadores

Bolsonaro xinga João Dória e Wilson Witzel em reunião ministerial

Presidente chama governador de São Paulo, João Dória (PSDB), de "bosta" e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de "estrume", e também ataca o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSD)

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 22/05/2020 às 18:49
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MARCOS CORREIA/PR
Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) e governador de São Paulo, João Doria (PSDB) - FOTO: MARCOS CORREIA/PR
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Atualizada às 21h48

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atacou os governadores de São Paulo, João Dória (PSDB) e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel durante reunião ministerial realizada no dia 22 de abril no Palácio do Planalto. A liberação do conteúdo do vídeo foi autorizada nesta quinta-feira (22) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello. Ele é relator do inquérito que investiga uma suposta tentativa de interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal, denunciada pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. 

A fala vem em meio a uma queixa de Bolsonaro sobre a condução dos governadores em relação a pandemia do novo coronavírus (covid-19). Segundo o presidente, estariam se aproveitando da situação para atacar o seu governo. O presidente vem enfrentando uma série de divergências com os governadores, que em sua maioria defendem o isolamento social como medida de enfrentamento à doença. 

"Os caras querem é a nossa hemorroida! É a nossa liberdade! Isso é uma verdade. O que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta desse governador de São Paulo, esse estrume do Rio de Janeiro, entre outros, é exatamente isso, aproveitaram o vírus", disse. 

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Bolsonaro também atacou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSD), que governa uma das cidades mais afetadas pelo coronavírus no País. No dia da reunião, o município registrou 1958 casos confirmados de covid-19. No dia anterior, a prefeitura informou que abriria valas comuns para o sepultamento de vítimas da doença em um cemitério público da cidade. 

"Aproveitaram o vírus, tá um bosta de um prefeito lá de Manaus agora, abrindo covas coletivas. Um bosta. Que quem não conhece a história dele, procura conhecer, que eu conheci dentro da Câmara, com ele do meu lado!". E nós sabemos o ... o que, a ideologia dele e o que ele prega. O que a ... tá aproveitando agora, um clima desse, pra levar o terror no Brasil", disse o presidente. 

Por meio das suas redes sociais, João Dória afirmou que o "nível da reunião ministerial", com ofensas e ataques a membros do Executivo, Legislativo e Judiciário "demonstram descaso com a democracia, desprezo pela nação e agressões à institucionalidade da Presidência da República", disse o governador. 

Já Wilson Witzel disse esperar que a população entenda que o termo que o presidente atribuiu a ele ("estrume") é como enxerga a si próprio. 

Arthur Virgílio disse que não se surpreendeu com a fala de Bolsonaro "por ele ser uma pessoa de baixo nível" que, segundo o prefeito, não tem condições de governar o País. 

 

Armamento

Na reunião, o presidente mostra-se exaltado e cobra mais empenho dos ministros na questões políticas e o apoio às bandeiras defendidas pelo seu governo, como a questão do armamento. "Quem não aceitar a minha, as minhas bandeiras, família, Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado. Quem não aceitar isso, está no governo errado. Esperem pra vinte e dois, né? O seu Álvaro Dias. Espere o Alckmin. Espere o Haddad. Ou talvez o Lula, né? E vai ser feliz com eles, pô! No meu governo tá errado! É escancarar a questão do armamento aqui. Eu quero todo mundo armado! Que povo armado jamais será escravizado. E que cada um faça, exerça o teu papel. Se exponha", disse o presidente.

 

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