AMEAÇAS DE MORTE

Novo advogado de Queiroz afirma que seu cliente teme pela própria vida

Paulo Emílio Catta Preta era advogado de Adriano da Nóbrega, miliciano morto em fevereiro deste ano na Bahia

Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Publicado em 18/06/2020 às 15:27
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NELSON ALMEIDA/AFP
EX-ASSESSOR Fabrício Queiroz é apontado pelo MP do Rio como operador do esquema no gabinete de Flávio - FOTO: NELSON ALMEIDA/AFP
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Preso na manhã desta quinta-feira (18), o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, tem um novo advogado responsável pela sua defesa. Trata-se de Paulo Emílio Catta Preta, que também foi advogado de Adriano da Nóbrega, miliciano do Rio, morto em fevereiro deste ano na Bahia. Nesta tarde, Catta Preta esteve com Queiroz, na cadeia de Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na saída, ele afirmou aos jornalistas que seu cliente teme pela própria vida e que já recebeu ameaças de morte. Queiroz foi encontrado e preso na cidade de Atibaia, no interior de São Paulo, em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro. 

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Fabrício Queiroz é policial reformado e, segundo o advogado, tem prerrogativa para ficar preso em um batalhão de polícia e não em uma cadeia comum, como a que está até o momento. Catta Preta afirmou que, no momento, tem como prioridade conseguir transferir seu cliente para um batalhão de polícia enquanto tenta a revogação de sua prisão. "Em princípio, vamos tentar que ele seja mandado a um batalhão, dentro dessa prerrogativa, vamos pedir o cumprimento dessa lei. Ele teme pela vida dele, disse que já recebeu ameaças desde que esse caso veio à tona", revelou. Segundo o advogado, ele e seu cliente se reuniram por apenas 20 minutos, tempo permitido pela polícia. "Só tivemos 20 minutos e o que é mais urgente afora é a libertação dele, a revogação da prisão preventiva. Ele alegou que ia com regularidade a São Paulo para cuidar da saúde", acrescentou. 

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O advogado também afirmou que o seu novo cliente sempre esteve à disposição da justiça para prestar esclarecimentos e que a prisão lhe parece excessiva. "Me parece excessivo porque uma pessoa que sempre esteve à disposição da justiça, está em tratamento de saúde, ofereceu esclarecimento nos autos e não apresenta risco nenhum de fuga, enfim, ela sofra uma medida tão pesada como uma prisão preventiva. Mas só vou poder fazer um juízo disso no momento que eu puder consultar a decisão", afirmou.

Paulo Emílio Catta Preta disse ainda que foi contactado pelas filhas de Queiroz, há cerca de 15 dias e que elas podem ter chegado a ele por meio de indicação da família do miliciano Adriano da Nóbrega. O advogado contou que ainda não havia sido oficialmente contratado, mas a prisão do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro antecipou o início dos seus serviços. 

"Fui procurado há alguns dias atrás numa situação que ele manifestou interesse em me contratar. Já estava sem advogado há alguns meses, salvo engano o advogado renunciou em dezembro e iniciamos essa conversa há uns 15 dias - antecipou-se a necessidade da minha atuação; se de fato a esposa dele também for presa, a defenderei, mas se já nos parece injustificada a prisão dele, a dela ainda mais", contou. 

Queiroz

O próprio Queiroz já disse que "fazia dinheiro" comprando e vendendo veículos e apresentou ao MP defesa por escrito com versão modificada. Afirmou que recolhia os salários dos colegas de gabinete para redistribuí-los por mais gente, pagando militantes e ampliando a base de Flávio. O então deputado, de quem era assessor próximo, desconheceria a prática, segundo afirmou.

Como o investigado não apresentou documentos (recibos, por exemplo) tornou-se difícil sustentar as alegações. À medida que a investigação se aproximava de Flávio Bolsonaro - inclusive com a quebra de seu sigilo bancário e de dezenas de outras pessoas físicas e jurídicas ligadas a ele, determinada pelo juiz Flávio Itabaiana - aumentou o mal-estar no governo.

O Planalto já se incomodou com a revelação de que tinham saído da conta de Queiroz R$ 24 mil para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, quando Jair Bolsonaro ainda era deputado federal, e ela, assessora parlamentar em Brasília. O presidente afirmou que se tratava do pagamento, na conta da sua mulher, de um empréstimo que fizera ao assessor do filho. Antecipou ainda que outras prestações poderiam aparecer. 

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