Rádio e TV

Confira como o horário eleitoral é dividido e quanto tempo de guia cada partido terá nas eleições de 2020

Parte do tempo disponível é dividido proporcionalmente entre os partidos, de acordo com o tamanho de suas bancadas na Câmara, e parte é distribuído igualmente entre as siglas

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 29/07/2020 às 20:59
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Foto: Agência Brasil
A propaganda eleitoral começará a ser veiculada em 27 de setembro de 2020 - FOTO: Foto: Agência Brasil
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A nossa sociedade está cada dia mais conectada, isso é fato. Nos últimos anos, essa conectividade se refletiu nas campanhas eleitorais, que têm abraçado todo tipo de ferramenta que o ambiente virtual proporciona para alavancar ideias e candidatos. Essas novidades, no entanto, não foram capazes de reduzir a importância do tempo de rádio e TV para os partidos, fator muitas vezes determinante na costura de alianças para um pleito. Mas você sabe como esse tempo é calculado? Tem noção do quanto cada sigla terá disponível nas eleições municipais deste ano?

Para começar a entender tudo isso você tem que saber que, desde a Reforma Eleitoral de 2015, o guia de prefeitos e vereadores é dividido entre dois blocos de 10 minutos, mais 70 minutos de inserções diários, sendo 60% (42 minutos) para os cargos majoritários e 40% (28 minutos) para quem vai concorrer a cadeiras no Legislativo. “Desse tempo, 90% é distribuído aos partidos proporcionalmente ao tamanho das bancadas que elegeram para a Câmara dos Deputados na eleição anterior, e 10% é dividido igualmente entre todas as legendas. Quando há coligações, conta-se o tempo dos seis maiores partidos que integram o grupo”, explicou o economista Maurício Romão.

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A pedido do JC, Romão calculou quanto tempo de rádio e TV cada partido terá nas eleições deste ano. O levantamento mostra que o PT, agremiação que elegeu o maior número de deputados federais em 2018, também possui o maior tempo de propaganda: 58,66 segundos. O PSL, partido que saiu de um para 52 parlamentares na última eleição, é o segundo da lista, com 56,56 segundos.

Com os dados é possível perceber que, no Recife, considerando que o PT deixará a Frente Popular para lançar a candidatura da deputada federal Marília Arraes, o deputado federal João Campos, pré-candidato do PSB à prefeitura, detém até o momento 3 minutos e 2 segundos de guia, pois essa é a soma dos tempos de propaganda dos seis maiores partidos da sua coligação (PSB, MDB, PSD, PP, SD e PCdoB). Já o deputado federal Túlio Gadêlha (PDT), que anunciou nesta quarta-feira (29) a sua pré-candidatura, como ainda não se aliou a nenhum partido, possui até agora apenas o tempo da sua própria sigla, 31,29 segundos.

É importante ressaltar que os exemplos citados, bem como a situação de todos as pré-candidaturas postas, podem mudar nos próximos meses, pois as candidaturas e coligações das eleições deste ano só serão oficializadas durante as convenções partidárias, que devem ocorrer entre 31 de agosto e 16 de setembro.

Para se ter uma ideia da importância do tempo de rádio e TV em um pleito, entre 2017 e 2018 o senador Fernando Bezerra Coelho, recém filiado ao MDB, travou uma verdadeira guerra judicial com a cúpula estadual do partido pelo comando da sigla. Uma das intenções do parlamentar era retirar a agremiação da coligação do governador Paulo Câmara (PSB) para turbinar o tempo de guia da oposição e enfraquecer o do socialista. No fim das contas, FBC acabou perdendo a disputa, Paulo ficou com cinco minutos de propaganda e o candidato do senador, Armando Monteiro (PTB), com dois minutos e quarenta segundos.

Na visão do cientista político Ernani Carvalho, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), apesar de vivermos em um mundo tão conectado, não podemos ignorar que muitos brasileiros não têm acesso à internet ou simplesmente não querem consumir informações por esse meio. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC) 2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam, por exemplo, que apesar de 79,1% dos domicílios do País possuir internet, um em cada quatro brasileiros diz não usar a ferramenta.

“A gente não pode desprezar que até a última eleição, que foi onde tivemos uma mudança abrupta nesse padrão (de consumo de informação), a relação do eleitor com os candidatos ocorria através dos meios de radiodifusão tradicionais. Você não muda esse perfil de uma hora pra outra, até porque existe um certo grau de conservadorismo de algumas pessoas com relação a como se informar, principalmente pessoas mais velhas, pessoas com dificuldades com tecnologia”, pontuou Carvalho.

Lembrando do exemplo do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições de 2018 - que tinha o maior tempo de guia entre os postulantes mas acabou ficando entre os menos votados -, o cientista político Antônio Lucena ressalta que, atualmente, o tempo de propaganda, sozinho, pode não conseguir garantir a eleição de um candidato. “O Geraldo Alckmin realmente tinha mais tempo de televisão, ele foi bem assessorado com base na literatura empírica de ciência política que diz que os candidatos com as maiores coligações e tempo de TV tendem a vencer, mas a gente tinha um fenômeno bastante peculiar nessa última eleição, o contexto de polarização acentuada, em alguns pontos até mesmo de radicalismo político, tanto à esquerda quanto à direita, e um fenômeno bastante presente, o antipetismo. Essa situação favoreceu a candidatura de Jair Bolsonaro”, comentou.

Eleição para prefeito 2020

Tempo de rádio e TV dos partidos

PARTIDO - TEMPO (seg.)

PT - 58,66
PSL - 56,56
PP - 41,82
PSD - 38,66
MDB - 37,61
PL - 36,56
PSB - 35,50
Republicanos - 33,40
PSDB - 32,34
DEM - 32,34
PDT - 31,29
Solidariedade - 15,50
Podemos - 13,40
PSOL - 12,34
PTB - 12,34
PCdoB - 12,34
Patriota - 11,29
Novo - 10,24
PROS - 10,24
PSC - 10,24
Cidadania - 10,24
Avante - 9,19
PHS - 8,13
PV - 6,03
PMN - 4,98
PTC - 3,92
REDE - 2,87
DC - 2,87

Fonte: Economista Maurício Romão, com base na Resolução TSE 23.610, de 12/2019, e no site da Câmara Federal para as bancadas dos partidos

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