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"Sou filho de Eduardo, mas não sou apenas isso", crava o candidato a prefeito do Recife João Campos

O candidato a prefeito pelo PSB afirmou que pretende trilhar seu próprio caminho dentro da política e que não tem escondido a gestão do correligionário Geraldo Julio, em sua campanha eleitoral, como tem sido afirmado por alguns adversários

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 14/10/2020 às 19:58
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RODOLFO LOEPERT /DIVULGAÇÃO
CLÃ João Campos diz que não é apenas filho de Eduardo e lembra do avô Arraes - FOTO: RODOLFO LOEPERT /DIVULGAÇÃO
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Eleições 2020 - Arte: JC

“Sou filho de Eduardo, mas não sou apenas isso”. A afirmativa do candidato a prefeito do Recife, o deputado federal João Campos (PSB), vem em resposta ao criticado “familismo” dentro da política pernambucana. Para o socialista, não há problema em mostrar as referências políticas que construiu ao longo da vida, ao atrelar sua imagem junto a do ex-governador Eduardo Campos, seu pai, e do também ex-governador do estado, Miguel Arraes, seu bisavô.

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“Política tem que fazer com vocação, com gosto, sabendo inovar, com coragem e disposição. Tenho como referência política na minha vida, Miguel Arraes de Alencar e Eduardo Campos, assim como qualquer pessoa pode ter referência seja na música, na cultura e no esporte. Eu tenho deles na política, porque cada um no seu tempo, enxergaram além do seu tempo e conseguiram lutar para reduzir as desigualdades sociais no seu estado”, declarou João Campos, durante sabatina promovida por Uol, em parceria com a Folha de São Paulo, nesta quarta-feira (14).

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Outro ponto rebatido pelo candidato a prefeito da Frente Popular do Recife, é sobre o fato de que estaria escondendo a gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB) de sua campanha. De acordo com João Campos, a capital pernambucana teve diversos avanços na gestão do PSB, muito diferente do que teria ocorrido quando era governada pelo PT. Ele credita os problemas atuais, como a desigualdade social e a crise econômica, a uma situação vivenciada em todo o país. “O que temos que ter é o compromisso de enfrentar isso de frente, consolidando o que dá certo”, defendeu.

Entre os avanços, João Campos cita o Hospital da Mulher, o Hospital da Pessoa Idosa, o Compaz, a Escola do Futuro, Upinhas e a Faixa Azul, como exemplos do que teria dado certo nesses quase oito anos de Geraldo Julio a frente da Prefeitura do Recife “Nós temos muitas áreas para avançar. Na semana passada citei o programa que vamos lançar, de regularização fundiária. Mais de 50 mil escrituras serão entregues na nossa cidade, para permitir que sejam feitas as regularizações das casas, isentando as famílias de baixa renda, do IPTU mas podendo dar o documento para que as pessoas tenham o direito a isso”, afirmou.

Durante a sabatina conduzida pelos repórteres Carlos Madeiro e João Valadares, o candidato João Campos também falou sobre o fato possuir uma vida política curta, com apenas duas experiências públicas - sendo Chefe de Gabinete do governador Paulo Câmara e com o mandato de pouco mais de um ano e meio como deputado federal. “ Acho que na vida e nesse mundo moderno, você tem grandes invenções que surgem na sociedade, parte de jovens .Grandes movimentos surgem da juventude, e a idade não é um pré-requisito”, respondeu o socialista, afirmando ainda que está pronto para governar uma cidade do porte do Recife.

UNIDADE

O processo de condução da formalização do apoio do PDT à candidatura majoritária da Frente Popular, provocou uma divisão interna entre os que queriam uma candidatura própria e os que defendiam a manutenção do bloco partidário liderado pelo PSB. No fim, as negociações não resultaram apenas no apoio, mas na indicação da candidata a vice-prefeita, Isabella de Roldão. Por outro lado, os diálogos com o PT não resultaram na permanência da Frente, e o partido possui a candidatura da deputada federal Marília Arraes. 

Ao falar sobre esses dois pontos, João Campos ressaltou que respeita a autonomia de decisão dos partidos. No caso do PDT,  o socialista menciounou o bloco formado a nível nacional entre o PSB, PV PDT, Rede e até mesmo o Cidadania - que no Recife apoia a candidatura da Delegada Patrícia Domingos (Podemos) - que tem dialogado sobre como a política deve interpretar o que tem sido enfrentado no Brasil, como a pandemia do coronavírus (covid-19) e os desafios das instituições democráticas a partir disso. 

"Espero que a gente possa compreender, que nossas diferenças são muito menores do que eventuais convergências, um momento diferente que vai inspirar muita responsabilidade para poder atravessar tempos difíceis, não bastava a crise econômica e social, tem uma crise sanitária sem precedentes. Então, eu fico muito feliz de ter construído aqui no Recife, uma das três maiores frentes do Brasil de eleição de capital neste ano, que a gente pode contar com o apoio valoroso como o do PDT", afirmou.

 IDEOLOGIA

Durante a sabatina, João Campos foi questionado sobre sua posição ideológica, diante de alguns posicionamentos que o PSB tomou a nível nacional, como o apoio ao candidato a presidente Aécio Neves (PSDB), em 2014, e  ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. 

"Me considero uma pessoa de centro-esquerda progressista, que defendo como pauta central da vida de alguém, o enfrentamento das desigualdades e da geração de oportunidade. Mas, defendo um estado que seja eficiente. Que seja justo socialmente, e fiscalmente responsável, e que a gente entenda que para construir a proteção social, com olhar e o acolhimento de políticas públicas efetivas como vimos aqui em Pernambuco", declarou. 

PROPOSTAS PARA O RECIFE

No que diz respeito ao trânsito, João Campos reafirma a colocação de que em sua gestão, caso eleito, pretende fazer com que o Recife tenha uma participação mais efetiva no Consórcio Metropolitano de Transportes.  "Recife é a principal cidade da Região Metropolitana e acho que ela deve exercer com mais vigor essa posição, cobrando melhorias para a cidade, a otimização de rotas, melhoria da frota do transporte público e a distribuição do sistema. Sabemos que 70% das pessoas vão para o trabalho utilizando o transporte público", afirmou. 

No tocante a problemática dos morros da cidade, que enfrentam problemas sérios em períodos de chuva, o candidato do PSB afirmou que será um desafio da gestão, mas que nenhum prefeito resolveria tudo em quatro anos. A prioridade, neste caso seria nas áreas mais críticas, através de um cronograma de prorização do risco. Outro ponto, seria aumentar a área de moradias na cidade, que possui hoje um déficit habitacional de 70 mil casas. 

O Crédito Popular também foi citado pelo candidato João Campos, como maior crédito popular da história do Recife e que deverá impactar 10 mil famílias por ano. "Não é crédito a fundo perdido, é um empréstimo. Então, ele é devolvido", enfatiza. O programa irá ofertar um crédito de três mil reais com carência para o pagamento de quatro meses e juros de 0.99%. Aqueles empreendedores que estiverem negativados, também poderão ter acesso ao crédito. 

Na educação, um dos desafios será o retorno as aulas diante da pandemia da covid-19. Sobre este assunto, João Campos defende seguir as orientações das autoridades sanitárias antes de qualquer decisão. "Não sou sanitarista.  A gente tem que escutar quem é da área, quem estuda a área. Seguindo as recomendações, o plano de retomada, que de maneira impossível ela vai ser 100% presencial, ele tem que ser no mínimo híbrido", declarou. Para João Campos  é preciso construir um processo de entrada que equilibre a saúde com a educação.  "Ninguém quer colocar professor e aluno em risco, e ninguém quer perder geração ou criar dano de aprendizagem irreversível", ponderou. 

Confirma a sabatina com o candidato a prefeito  João Campos (PSB):

 

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PSB João usa o legado do seu pai, Eduardo Campos, em sua campanha - FOTO:RODOLFO LOEPERT/DIVULGAÇÃO
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João Campos, candidato a prefeito do recife pelo PSB - FOTO:Rodolfo Loepert / Divulgação

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