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Delegada Patrícia em nova polêmica. Agora, no Minha Casa Minha Vida

A candidata a prefeita do Recife registrou um B.O. alegando ser vítima de fraude

JC
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Publicado em 27/10/2020 às 21:00
TIAGO CALAZANS/DIVULGAÇÃO
PODEMOS Seu nome aparece em inscrição do programa. Ela registrou B.O - FOTO: TIAGO CALAZANS/DIVULGAÇÃO
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*Atualizada às 16h do dia 28 de outubro de 2020

A candidata a prefeita do Recife Delegada Patrícia (Podemos) foi à Delegacia de Boa Viagem, nesta segunda-feira (26), registrar um boletim de ocorrência, após saber de um repórter da Coluna de Lauro Jardim, do Jornal O Globo, que documentos comprovariam que ela estaria inscrita no programa Minha Casa Minha Vida, no Rio de Janeiro, seu Estado de origem, desde janeiro de 2018, mesmo recebendo um salário superior a R$ 20 mil.

À polícia, a candidata afirmou que em 2018 já residia no Recife, onde é delegada - licenciada por conta da eleição - e que não se habilitou para nenhum programa social no Rio de Janeiro, nem em outros Estados do Brasil.

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Segundo o boletim, ao qual a reportagem teve acesso, Delegada Patrícia pediu que se apure a identificação dos responsáveis pela utilização "indevida e criminosa" de seus dados pessoais. Procurada pelo JC, a comunicação da candidata do Podemos informou que ela não vai se pronunciar sobre o assunto no momento.

Minha Casa Minha Vida

A coluna de Lauro Jardim publicou, nesta terça-feira (27), a informação de que consta entre os inscritos para concorrer a uma casa do programa “Minha Casa Minha Vida”, no Rio de Janeiro, em 2018, o nome de Patrícia. O texto destaca que as unidades, na Zona Oeste da cidade, eram destinadas à famílias com renda bruta de até R$ 1,8 mil por mês.

Ainda segundo a coluna, a inscrição de Patrícia consta nos dados divulgados pela Prefeitura do Rio de Janeiro e, apesar de inscrita, ela não teria sido sorteada. Ao O Globo, ela afirmou que não se inscreveu e reforçou que, mesmo que tivesse se inscrito, não seria aprovada, pois seus rendimentos não se enquadram nos exigidos pela lei.

Programa habitacional

O Minha Casa Minha Vida (MCMV) é uma iniciativa do governo federal, lançado em março de 2009 pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que subsidia a aquisição da casa ou apartamento próprio para famílias com renda até 1,8 mil reais e facilita as condições de acesso ao imóvel para famílias com renda até R$ 7.000,00 por mês. No programa há parceria com estados, municípios, empresas e entidades sem fins lucrativos.

"Recífilis"

Esta não é a primeira polêmica envolvendo a candidata durante sua campanha. Recentemente, foram divulgadas publicações de Patrícia no Facebook, ainda de 2011, nas quais ela chamou o Recife de "Recífilis". Ela já se pronunciou sobre o assunto e disse se tratar de uma crítica humorada ao "descaso" com a saúde na capital pernambucana, que levou a um surto de sífilis naquele ano.

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No entanto, após a publicação, o vereador Rinaldo Júnior, aliado de João Campos (PSB), que também concorre à prefeitura do Recife, protocolou um Projeto de Decreto Legislativo para retirar o título de cidadã recifense de Patrícia, aprovado em março deste ano, por unanimidade. O parlamentar alega que a delegada, em suas postagens, desrespeitou os recifenses. O texto está tramitando na Câmara.

Na noite desta terça-feira, durante uma transmissão ao vivo do Sindicombustíveis-PE, a candidata criticou a Câmara pela possível retirada do título de cidadã. "Esse ano a cidade me adotou, recebi o título de cidadã do Recife, título esse que covardemente vereadores tentam retirar. Infelizmente temos uma Câmara que está ajoelhada para a família Campos e o meu recado para esses vereadores, que tentam retirar, é que podem fazer, mas o povo do recife vai devolver e eles vão ter que aceitar", disse.

Polícia Civil

Em nota enviada à reportagem, nesta quarta-feira (28), a Polícia Civil de Pernambuco afirmou que a delegacia de Boa Viagem realizará os procedimentos iniciais do caso de suspeita de fraude relacionada ao Programa Minha Casa, Minha Vida que teria ocorrido no Rio de Janeiro. "Após esses procedimentos iniciais, o caso será remetido à Polícia Civil do Rio de Janeiro, onde teria ocorrido o crime", diz a polícia.

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