Eleições 2020

A partir do debate da Rádio Jornal, Daniel Coelho diz ter visto Marília Arraes 'com mais preparo para governar'

Daniel Coelho (Cidadania) ainda não emitiu uma posição oficial sobre o apoio à Marília Arraes (PT), a João Campos (PSB) ou de neutralidade na disputa do segundo turno

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 20/11/2020 às 20:10
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Hoje, Daniel Coelho é o coordenador da campanha da Delegada Patrícia (Pode) à Prefeitura do Recife - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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Eleições de 2020 - Arte: JC

Depois de ter coordenado no primeiro turno da eleição do Recife a campanha da Delegada Patrícia (Podemos), o deputado federal Daniel Coelho (Cidadania) ainda não emitiu uma posição oficial sobre o apoio à Marília Arraes (PT), a João Campos (PSB) ou de neutralidade na disputa do segundo turno. Mas durante a sua participação no Debate da Super Manhã da Rádio Jornal desta sexta-feira (20), Daniel disse ter assistido o debate entre os candidatos na última quinta (19) no mesmo local, o que o levou à percepção de que Marília aparece como candidata com mais preparo para governar a capital pernambucana.

O deputado alertou que essa constatação é sob um ponto de vista pessoal, e que é preciso aguardar as próximas movimentações na campanha. O apoio de Daniel à petista chegou a ser cogitado, mas não se concretizou até então. 

"Eu diria que está começando agora o jogo, vamos ver como se comporta cada um. Assisti ao debate com João e Marília (Na Rádio Jornal, na última quinta-feira). Até disse que mesmo discordando um pouco aí do ponto de vista ideológico dos dois partidos, mas do ponto de vista pessoal, a gente percebeu Marília com muito mais conteúdo e muito mais preparo para governar", afirmou Daniel. 

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Daniel questionou se Marília seria capaz de desvincular a sua candidatura às "pautas atrasadas" do PT, segundo ele. "Mas, do ponto de vista pessoal, foi um debate onde ficou gritante a diferença, o preparo e a experiência. A dúvida é: Ela consegue se desvincular do PT? Vamos ver ao longo da discussão do segundo turno", projetou o parlamentar. 

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Daniel era um dos principais fiadores da candidatura da Delegada Patrícia à Prefeitura do Recife. Ele chegou a se colocar como pré-candidato, mas desistiu do pleito depois da pulverização das candidaturas do campo da direita na capital pernambucana, e decidiu apoiar Patrícia. 

Saneamento Básico

O cenário do segundo turno da eleição do Recife foi levantado por Daniel ao falar sobre o Novo Marco Legal do Saneamento, aprovado em julho deste ano no Congresso Nacional com voto contrário de João Campos e abstenção de Marília, por questões de saúde, mas já se manifestou contra o projeto. 

A principal mudança prevista no novo Marco do Saneamento é aumentar a concorrência no setor. A partir dele, passa ser obrigatória a abertura de licitação quando estados e municípios contratarem serviços de saneamento. O processo deve ter a participação de empresas públicas e privadas. Atualmente 94% das cidades são atendidas por estatais e apenas 6% por empresas privadas.

Daniel afirmou estar preocupado pelo fato dos dois candidatos serem contra a nova legislação. "Você ser a favor de um modelo que fez o Recife durante 50 anos ser uma das cidades com uma das menores taxas de saneamento do Brasil? Não dá para ser a favor disso", resumiu. 

"Até acho que pode ser decisivo se algum dos candidatos fizer uma mea-culpa sobre a questão do saneamento neste segundo turno, se tiver coragem, até admitir que errou, mas de uma forma geral as pautas partidárias do PT e do PSB são muito parecidas e os dois parecem ter talvez as mesmas falhas em temas centrais como equilíbrio fiscal, novo marco do saneamento. Vai ser um grande desafio para os candidatos do segundo turno abordarem o eleitor que tem uma visão mais crítica desse modelo", completou Daniel. 

O eleitor de direita recifense é justamente o que deve ser conquistado pelos candidatos João Campos e Marília Arraes, nesta segunda etapa do pleito. Os votos nos outros candidatos somaram 42,87% no primeiro turno. Desse montante, 25,11% dos votos foram para Mendonça Filho (DEM) e 14,06% para a delegada Patrícia. 

Apoios

A maioria dos candidatos que não passou para o segundo turno declarou neutralidade no pleito, incluindo Patrícia e Mendonça, além de Carlos (PSL), Coronel Feitosa (PSC) e Charbel (Novo). Nesta sexta-feira (20), porém, Thiago Santos (UP) e o PCB, partido integrante da sua coligação "Frente de Esquerda", anunciaram apoio à Marília. 

"Nesse segundo turno, em que todos os candidatos que defendiam o Fascista Bolsonaro foram derrotados demonstrando a rejeição do povo recifense ao governo de Bolsonaro, Guedes, Mourão e dos banqueiros, não podemos ficar de braços cruzados. Se o governo municipal só favorece os ricos, devemos votar na oposição para derrotá-lo nas urnas", diz trecho da resolução da Unidade Popular. 

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Nesta semana, Marília ganhou uma série de apoios ao seu nome por lideranças que até então apoiavam seus adversários no pleito. A lista conta com o Podemos, partido da delegada Patrícia, o ex-senador Armando Monteiro (PTB), o deputado estadual Álvaro Porto (PTB) e o prefeito reeleito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL).

Arte: JC
Eleições de 2020 - FOTO:Arte: JC

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