ENCONTRO

Após racha no PSB, João Campos se encontra com Lira nesta quarta

Nos bastidores, o prefeito do Recife teria endossado a ala dos apoiadores de Arthur Lira dentro do PSB, mesmo contra recomendação do Diretório Nacional de não votar em postulantes apoiados pelo governo Bolsonaro

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 09/02/2021 às 21:18
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Durante campanha pela presidência da Câmara dos Deputados, Arthur Lira visitou Pernambuco duas vezes e em um dos encontros, o prefeito do Recife esteve presente - FOTO: DIVULGAÇÃO
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O prefeito do Recife, João Campos (PSB), terá uma reunião nesta quarta-feira (10), com o novo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). O encontro será na residência oficial do parlamentar, às 10h, no entanto a pauta ainda não foi divulgada. Apesar de ter afirmado publicamente que não lhe caberia “interferir” no voto dos deputados federais do PSB, aliados e correligionários confirmaram o apoio de João Campos dentro do partido pela eleição de Lira, contrariando o apoio formal do partido ao então candidato Baleia Rossi (MDB-SP). Essa é a primeira vez que os dois vão se encontrar após a eleição para o comando da Casa.

O prefeito, porém, não divulgou o encontro em sua agenda oficial, que traz apenas audiências em Brasília no Banco de Desenvolvimento da América Latina e na Secretaria do Tesouro Nacional.

O prefeito chegou a ser cobrado duramente nas redes sociais, através de um movimento encabeçado por artistas, para se posicionar contra o parlamentar alagoano, que foi abertamente apoiado pelo presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido). Após uma publicação feita pelo ator e apresentador João Vicente Castro, o prefeito do Recife também utilizou as redes sociais para afirmar que não poderia interferir no processo por não ser mais deputado federal.

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“Na condição de prefeito da cidade do Recife, não participo da eleição para presidente da Câmara e nem interfiro no voto de ninguém. Tenho muito respeito pelo Legislativo e pelos parlamentares que foram eleitos democraticamente, pelo voto popular.”, declarou o socialista.

Desde que iniciou o processo de sucessão do deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) pelo comando da Casa, o PSB foi um dos partidos que se viu rachado entre a ala dos que apoiaram o nome de Arthur Lira e os que defendiam a postulação de Baleia Rossi. E o conflito de posicionamentos ainda perdura. Nesta terça-feira (9), no primeiro grande desafio de articulação de Lira colocado a prova com a votação do projeto de lei que assegura a autonomia do Banco Central, o PSB se colocou contra a aprovação do regime de urgência do PLC 19/2019.

O novo líder do PSB, o deputado federal Danilo Cabral, orientou a bancada a votar não, com o argumento que para além do mérito, a prioridade neste momento são os projetos que ajudem a população a sair da crise gerada na pandemia da covid-19. No entanto, uma nova divisão foi constatada - dos 30 deputados socialistas, 10 votaram pela aprovação do regime de urgência do Projeto de Lei Complementar e 19 seguiram a orientação da bancada e votaram contra. No total, a urgência acabou sendo aprovada pela Câmara dos Deputados com 306 votos favoráveis e 109 contra. Agora, se inicia a análise do projeto. 



 

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