NA ALEPE

No ritmo atual, vacinação vai até junho de 2022, diz secretário executivo de Saúde de Pernambuco

Durante audiência pública, Humberto Antunes também afirmou que "nós já temos uma predominância de casos de variantes nas infecções de Pernambuco"

Paulo Veras
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Paulo Veras
Publicado em 09/03/2021 às 19:29
WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
Vacinação na manhã desta terça-feira (9) no Clube Municipal de Paratibe, em Paulista - FOTO: WELINGTON LIMA/JC IMAGEM
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Durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o secretário executivo de Coordenação Geral da Secretaria Estadual de Saúde, Humberto Maranhão Antunes, disse que, no ritmo atual, a vacinação contra a covid-19 deve seguir "até junho de 2022". Ele defendeu a necessidade de mais doses dos imunizantes para acelerar a vacinação no país, inclusive para evitar o surgimento de novas cepas do novo coronavírus. "Nós já temos uma predominância de casos de variantes nas infecções de Pernambuco", alertou aos parlamentares.

Segundo Antunes, o governo federal não se preparou para garantir a vacinação de toda a população. "Nós estamos engasgados ainda na primeira etapa. Nos trabalhadores de saúde e das pessoas idosas", lembrou. "A questão do consórcio dos secretários estaduais de saúde do Nordeste é uma articulação que está sendo feita principalmente com relação à vacina russa, da Sputnik V. Mas também eu acho que temos dificuldade nessa aquisição. Não temos uma disponibilidade franca de ter uma quantidade que o Brasil precisa", indicou o representante do Estado.

De acordo com o secretário, o Brasil precisa de algo entre 320 milhões e 340 milhões de doses apenas para cumprir a imunização dos grupos prioritários. "Hoje, o que temos é uma demonstração minúscula do que precisamos. E, se continuar assim, vamos entrar até junho de 2022 com a vacinação", projetou.

Ao ser questionado pela deputada Teresa Leitão (PT) sobre a imunização de profissionais da educação, Antunes disse que a medida que chegarem novas doses, esse grupo pode ser vacinado. Mas tudo depende do cumprimento do PNI.

O secretário também defendeu a importância de barreiras que reduzam o ritmo de vacinação da população para reduzir a chance de que surjam novas variantes do Sars-CoV-2. "Essa semana nós levantamos já uma pesquisa da Fiocruz aqui no Estado. E nós temos um dado bastante preocupante. 52% das infecções entre a semana 7 e a semana 8, já são de casos de variantes. Então, nós já temos uma predominância de casos de variantes nas infecções de Pernambuco. É importante que os senhores deputados saibam dessa informação", alertou.

Municípios

Representando os municípios no debate, o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota (PSB), disse que o entendimento do Ministério da Saúde é que mesmo que estados e municípios comprem doses de imunizantes, eles devem ser doados para o Plano Nacional de Imunização. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) se reuniu com o ministro Eduardo Pazuello na semana passada. Além disso, há mais demanda por vacinas do que oferta.

"Nós trabalhamos com a alternativa B, que pode virar o A, que é exatamente a busca direta. É isso o que os governadores estão fazendo. Mas, na verdade, não está fácil a disponibilidade. Estamos com um grupo de trabalho na CNM em contato permanente com os laboratórios. Os distribuídores estão dizendo que vão entregar ao Ministério da Saúde as doses que já estão contratadas", explicou Patriota.

De acordo com o presidente da Amupe, o Ministério da Saúde também já indicou que não vai reembolsar estados e municípios que decidam adquirir vacinas por conta própria. "A Legislação diz que de forma suplementar (os estados e municípios) podem comprar. Vocês acham que se fosse fácil, os governadores, que já tem consórcio aqui no Nordeste, não já teriam adquirido?", questionou.

O promotor do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) Édipo Cavalcanti, representante do Caops da Saúde, também reforçou que, do ponto de vista legal, é difícil achar brecha para que prefeitos e governadores possam efetuar a compra de vacinas. A regra atual diz que os governos locais podem adquirir as doses se o governo federal descumprir o PNI.

"Eu já observo um cumprimento difícil do ponto de vista jurídico. Quando é que o Ministério da Saúde vai descumprir um Plano Nacional de Imunização? A segunda é quando ele é que ele não vai disponibilizar às diversas populações as vacinas disponíveis?", pontou o promotor.

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