Covid-19

Governo federal podia ter salvado vidas, afirma Paulo Câmara na véspera da CPI da Covid

A CPI da Covid também irá investigar a aplicação dos recursos repassados pelo governo federal aos estados e municípios para serem investidos no enfrentamento à pandemia

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 26/04/2021 às 18:52
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ALUÍSIO MOREIRA/SEI
"Espero que a CPI possa dar uma contribuição para que os erros do passado não sejam mais repetidos no futuro", disse Paulo Câmara - FOTO: ALUÍSIO MOREIRA/SEI
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A um dia da realização da primeira reunião da CPI da Covid, no Senado Federal, que irá investigar as ações da União para o enfrentamento da pandemia, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), afirmou que o governo federal poderia ter salvado muitas vidas se não tivesse cometidos diversas falhas em sua atuação desde a chegada do vírus ao Brasil, no ano passado.

“O número de mortos no Brasil, ele é muito em consequência disso. De não se ter tido uma política única de combate à pandemia e vendo as peculiaridades de cada região, vendo o momento que atravessava cada estado e cada município e poder com harmonização e unidade buscar as soluções”, declarou o gestor.

Os governadores, seja através do Consórcio Nordeste ou pelo Fórum Nacional de Governadores, têm feito diversas cobranças ao governo federal por meio de cartas assinadas em conjunto. Segundo o governador pernambucano, os estados tiveram que montar as estruturas de saúde, sem praticamente nenhuma ajuda no âmbito federal, diante do déficit de equipamentos necessários para montar as instalações de leitos de UTI. ”Nós tivemos ali entre os meses de março, abril e maio, em Pernambuco, trabalhar na montagem dos leitos. Efetivamente, os estados que nunca tiveram experiência e os municípios também, de compras internacionais, tiveram que fazer essas compras e enfrentar toda essa questão da chegada do coronavírus no Brasil”, declarou o governador.

Paulo Câmara também citou a propagação do negacionismo por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com relação às medidas restritivas que tiveram que ser impostas aos estados e municípios, na tentativa de conter o avanço da covid-19. “Nós tivemos que tomar essas medidas no âmbito local, ou seja, cada estado teve que tomar medidas restritivas, seja pedir a população para ficar em casa, seja pedir para que reforçassem na higienização, na utilização de máscaras quando precisasse sair de casa e o distanciamento social. E tivemos muitos momentos no governo federal sendo contrário a essas medidas”, afirmou o gestor, em entrevista à CBN Recife, nesta segunda-feira (26).

Questionado sobre a inclusão dos estados e municípios a também serem alvos da CPI da covid-19, o chefe do Executivo disse esperar “que a CPI possa dar uma contribuição para que os erros do passado não sejam mais repetidos no futuro". "Isso é fundamental para que a gente possa enfrentar e conviver com essa pandemia e com esse vírus nos próximos meses e até lá quando for necessário enquanto a vacina não for uma realidade para todos os brasileiros e toda a população mundial”, finalizou.

CRÍTICAS

O presidente Jair Bolsonaro chegou sem máscara à inauguração de um trecho da duplicação da BR-101, em Feira de Santana, na manhã desta segunda-feira (26). Ele cumprimentou apoiadores e, em seguida, se dirigiu ao palco, onde colocou a máscara de proteção, segundo informações do jornal Correio para a Rede Nordeste.

Bolsonaro criticou medidas de fechamento de comércio tomadas em vários estados, inclusive na Bahia, para evitar a disseminação do covid-19."Tá chegando a hora do Brasil dar um novo grito de independência. Não podermos admitir alguns pseudo governadores quererem impor a ditadura no meio de vocês, usando do vírus para subjugá-los. Nós tratamos a questão do vírus com muita responsabilidade, mas sempre disse que além do vírus tínhamos que nos preocupar com o desemprego. Não foi o governo federal que obrigou vocês a ficar em casa, que fechou o comércio, que destruiu milhões de empregos. Podem ter certeza: esse suplício está chegando ao fim. Brevemente voltaremos à normalidade", disse ele.

Na semana passada, após seguidas declarações de que "seu Exército" não iria às ruas contra o povo, o chefe do Executivo disse que as Forças Armadas podem "acabar com essa covardia de toque de recolher". As tropas, de acordo com ele, fariam valer o artigo 5º da Constituição para garantir o direito de ir e vir das pessoas.

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