2022

Armando defende diálogo do PSDB com o PDT, mas diz que pré-candidatura de Ciro pode dificultar aliança

Nesta segunda-feira, Ciro disse que aposta em uma aliança de centro-esquerda para o pleito do ano que vem e afirmou que tem dialogado com partidos de centro

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 17/05/2021 às 17:26
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FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Armando Monteiro foi ministro, deputado e senador. Atualmente, está sem mandato - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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Atualizada às 19h45

Em meados do mês de março, o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou à Folha de Pernambuco que o PDT estaria "no radar" de vários partidos de centro, incluindo a sigla tucana, referindo-se à eleição de 2022. Mais recentemente, ao JC, o presidente estadual do PDT, Wolney Queiroz, também fez acenos ao PSDB, dizendo, inclusive, que tinha planos de se encontrar com Bruno para tratar da política local.

Após o ex-governador Ciro Gomes (PDT) afirmar, em entrevista publicada pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira (17), que aposta em uma aliança de centro-esquerda para o pleito do ano que vem, essas aproximações mais uma vez vieram à tona. Para o ex-senador Armando Monteiro (PSDB), é importante que pedetistas e tucanos estejam abertos à conversa, mas admite que o fato de Ciro já colocar-se como candidato seria um fator dificultador para a construção de uma possível aliança. O PSDB fará prévias no mês de outubro para definir qual será o seu candidato nas urnas: João Doria, Eduardo Leite ou Arthur Virgílio.

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"Política é diálogo, é conversa, e eu acho que não pode haver um bloqueio com relação a posições. O que essas forças têm em comum é o fato de que não se sentem contempladas com essa polarização que está estabelecida, de um lado o PT e do outro Bolsonaro, mas daí a querer antecipar uma definição sobre uma candidatura comum, aí ainda há uma distância grande para isso, até porque o Ciro já parte da premissa de que ele é candidato", observou Armando.

Sobre essa discussão, Wolney Queiroz afirmou que, pelo fato de Ciro já ter disputado três eleições presidenciais, chegando em terceiro lugar em cada uma delas, é natural que o partido invista na sua candidatura para 2022. "Essa é a nossa realidade. Temos que trabalhar com os fatos. O PDT tem um candidato e eu acho que isso não é ruim para o partido. Um partido ter candidato a presidente da República nunca é ruim, principalmente se for alguém como Ciro, um cara que já disputou, que ficou em 3º lugar em três eleições, ou seja, não é um aventureiro que tem 0,5% dos votos e ficou em 14º lugar. Não, é um cara que disputa ali, nariz com nariz com os primeiros colocados", disparou.

O parlamentar declarou, ainda, que essa "contingência" traria apenas uma característica diferente para o diálogo com o centro, de forma alguma impedindo que essa conversa aconteça. "É uma contingência do processo ele ser candidato, isso exige uma elaboração mais sofisticada pra gente formar uma aliança", disse, reafirmando que vai seguir se reunindo com lideranças partidárias pernambucanas de oposição para tratar das eleições do próximo ano.

Questionado sobre a possibilidade de formação de uma aliança entre o PSDB e o PDT em Pernambuco, Armando disse que acredita que as questões nacionais vão acabar definindo o cenário local. Atualmente, o PDT é aliado do governador Paulo Câmara (PSB) no Estado, enquanto o PSDB é da oposição. No mês de maio, após encontrar-se com o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), pré-candidato ao governo do Estado, Wolney não descartou o desembarque do PDT da Frente Popular no próximo ano.

"Com relação às alianças em Pernambuco, eu acho que primeiro a gente tem que conversar no plano nacional. O deputado Wolney já deu um sinal claro: se o PSB marchar com o PT em 2022, ele vai querer construir aqui um palanque para o Ciro. Vamos ver como isso tudo vai se desdobrar, mas eu acho que não há nenhuma dificuldade de se conversar com o PDT. Eu, pessoalmente, tenho muito apreço e consideração pelo Wolney", pontuou Armando.

 

Ciro

Na entrevista ao Valor, Ciro Gomes afirmou que "vai pra cima" do ex-presidente Lula nas eleições de 2022. O cearense, que já foi ministro de Lula, usou os dados da última pesquisa Datafolha, lançada na semana passada, para dar detalhes sobre o que considera ser suas chances na disputa eleitoral do ano que vem.

"A probabilidade de se dar o segundo turno entre eu e o Lula está crescendo. Acho que Moro e Huck não são candidatos. Nem Doria. Se ele for, será fragilizado porque está muito mal em São Paulo e nunca teve entrada no Brasil. O único Organizado, com partido harmônico, sem confusão, sou eu", disse o presidenciável.

Argumentando que o Brasil "nunca coube" na esquerda nem na direita, ele afirmou que uma candidatura à centro-esquerda teria chances reais de vencer o pleito. Por isso, ele diz que tem tentado se aproximar de partidos como a Rede, o PSD, o DEM e o PSB para fortalecer a sua postulação e evitar o cenário de 2018, quando ele acabou isolado na disputa do primeiro turno.

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