Críticas

'Vergonha', diz Santos Cruz sobre decisão de não punir Pazuello por participar de ato

General da reserva e ex-ministro chefe da Secretaria de Governo de Bolsonaro, Santos Cruz classificou decisão do Exército de poupar ex-ministro Eduardo Pazuello como uma "desmoralização" e "ataque frontal à disciplina e a hierarquia"

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 04/06/2021 às 8:34
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FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AG. BRASIL
Carlos Alberto Santos Cruz foi ministro-chefe da Secretaria de Governo de Bolsonaro até junho de 2019, quando foi demitido em meio a embates com Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro - FOTO: FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AG. BRASIL
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O ex-ministro chefe da Secretaria de Governo e general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz foi a público para criticar a decisão do Exército de não punir o ex-ministro da Saúde e também general Eduardo Pazuello pela sua participação em um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Rio de Janeiro na semana passada. 

O Exército brasileiro informou por meio de nota divulgada na quinta-feira (3) a sua decisão. "Não restou caracterizada a prática de transgressão disciplinar por parte do General Pazuello. Em consequência, arquivou-se o procedimento administrativo que havia sido instaurado", diz nota do Centro de Comunicação Social do Exército.

"Fui surpreendido com telefonemas e mensagens de dezenas de jornalistas sobre o encerramento do caso Pazuello. Sempre respondo, mesmo que seja para informar que nada tenho a dizer. Mas ontem não disse nada. Por vergonha", afirmou Santos Cruz no seu Twitter. 

O general continuou o seu posicionamento na sua página no Facebook. Apesar de salientar que, devido a sua formação, não pode fazer considerações sobre a decisão em si, ele diz fazer uma avaliação sobre o "conjunto dos fatos". 

"Sobre o conjunto dos fatos, é uma desmoralização para todos nós. Houve um ataque frontal à disciplina e à hierarquia, princípios fundamentais à profissão militar. Mais um movimento coerente com a conduta do Presidente da República e com seu projeto pessoal de poder. A cada dia ele avança mais um passo na erosão das instituições", disse Santos Cruz. 

Santos Cruz começou no início do governo Bolsonaro, em 2019, a desempenhar o cargo estratégico de ministro-chefe da Secretaria de Governo. Mas, em meio a embates com Olavo de Carvalho e o filho do presidente, vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, acabou sendo demitido em junho daquele ano. Desde então, o general tem adotado uma postura crítica ao governo Bolsonaro. 

"Não se pode aceitar a subversão da ordem, da hierarquia e da disciplina no Exército, instituição que construiu seu prestígio ao longo da história com trabalho e dedicação de muitos. Péssimo exemplo para todos. Péssimo para o Brasil. À irresponsabilidade e à demagogia de dizer que esse é o "meu exército", eu só posso dizer que o "seu exército" não é o exército. Este é de todos os brasileiros. É da nação brasileira", afirmou o general, em referência à declarações de Bolsonaro referindo-se ao Exército como "meu Exército". 

Politização

Mesmo com pressão da opinião pública, Pazuello não chegou a ir para reserva enquanto esteve no comando do Ministério da Saúde no governo Bolsonaro. Tramita na Câmara dos Deputados, de autoria da deputada Perpétua Almeida (PCdoB/AC) que veda a ocupação de cargos de natureza civil na administração pública por militares da ativa. 

A ida de militares que ocupam cargos no governo para a reserva já foi defendida pelo general em outras ocasiões. Santos Cruz apontou a "politização" das Forças Armadas para "interesses pessoais" como algo a ser combatido. "Independente de qualquer consideração, a UNIÃO de todos os militares com seus comandantes continua sendo a grande arma para não deixar a política partidária, a politicagem e o populismo entrarem nos quartéis", finalizou. 

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