Eleições 2022

Miguel Coelho lamenta permanência do MDB no governo Paulo Câmara

A decisão implica em uma inviabilização da candidatura do prefeito de Petrolina ao Governo de Pernambuco nas eleições de 2022, ao menos pelo MDB

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 13/07/2021 às 10:41
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JONAS SANTOS/PREFEITURA DE PETROLINA
"Manteremos com todas as nossas forças e de forma respeitosa o debate pela construção de um novo Pernambuco. Mesmo que a direção estadual de nosso partido tenha decidido manter o MDB onde está, num projeto que nada mais tem a oferecer, apenas a desesperança", disse Miguel - FOTO: JONAS SANTOS/PREFEITURA DE PETROLINA
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Pré-candidato ao Governo de Pernambuco nas eleições de 2022, o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB) divulgou uma nota em que lamenta a permanência do seu partido na Frente Popular, coligação liderada pelo PSB do governador Paulo Câmara (PSB). A decisão implica em uma inviabilização da sua candidatura, ao menos pelo MDB. 

Tanto ele como o seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) são figuras importantes da oposição do estado e buscavam viabilizar a candidatura de Miguel ao governo estadual. Mas o presidente estadual do MDB, Raul Henry, tem dado sinais de que pretende se manter aliado aos socialistas, o que pode dificultar os planos do prefeito de Petrolina. Considerando o tom da nota, ao que tudo indica, ele recebeu uma negativa oficial da direção do partido.  

Antes de ir para o MDB, Miguel integrava o próprio PSB, mas saiu da sigla assim como os demais membros da família Coelho após um rompimento ainda em 2017. O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) travou uma briga na justiça com Raul Henry e o senador Jarbas Vasconcelos pelo comando do partido, na tentativa de ser ele mesmo o candidato nas eleições de 2018. 

Ainda não se sabe se ele vai permanecer no MDB e concluir o seu segundo mandato em Petrolina, ou se os Coelho podem reeditar a disputa pela direção do partido para as eleições de 2022.

Na nota, Miguel diz que tem provocado o debate dentro e fora do MDB sobre um "projeto de mudança" para se opor ao atual governo que, segundo ele, representa uma falta de perspectiva e retrocesso para o estado. 

"Encontrei ressonância com inúmeros colegas de partido que também estão insatisfeitos com a falta de rumo que nosso Estado sofre. Contudo, nem a inquietação de nossas lideranças, nem o cansaço das mulheres e homens de nossa terra com o atual estado das coisas, fez nossa direção estadual assumir um compromisso pela mudança urgente", disse. 

Miguel diz lamentar a decisão, mas ainda sim respeitá-la. "Manteremos com todas as nossas forças e de forma respeitosa o debate pela construção de um novo Pernambuco. Mesmo que a direção estadual de nosso partido tenha decidido manter o MDB onde está, num projeto que nada mais tem a oferecer, apenas a desesperança.

Por fim, ele sinaliza que deve seguir "ao lado da esperança de mudança em Pernambuco". O grupo que ele integra tem ao menos dois outros nomes cotados para disputar o Executivo Estadual: a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB) e o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL). 

"Expresso isso com a tranquilidade de saber que o desejo de mudar para melhor não ser apenas meu, e sim de milhões de pernambucanas e pernambucanos ansiosos por um novo tempo. Com este compromisso por um futuro melhor, renovo minha disposição de seguir lutando por um novo Pernambuco", complementa Miguel.

Leia a íntegra da nota

Existe uma carência latente por dias melhores em todas as pernambucanas e pernambucanos. É um sentimento que cresce a cada minuto diante da falta de perspectiva e do retrocesso que nosso Estado vivencia. Largamos em algum lugar do passado recente o brilho de ser a referência, abandonamos a liderança natural do povo nordestino. Pior que isso, perdemos o protagonismo e passamos a ser destaque em rankings que nos envergonham: na ausência de oportunidade, no topo do desemprego, na demanda por uma segurança eficiente, na falta de políticas públicas para retomar o desenvolvimento. Ficamos à deriva no pior dos momentos, numa das maiores crises da história.

Em situações como essa, de ausência de projeto e liderança de um povo, a mudança não deve ser um desejo apenas, mas sim um compromisso de uma sociedade. Por isso, tenho defendido a construção de um projeto coletivo de transformação. Não uma mudança de nome, de desejos pessoais ou de sigla partidária. Queremos, como milhões de pernambucanos insatisfeitos, um novo Pernambuco.

Precisamos de um projeto que una lideranças políticas, religiosas, acadêmicas, movimentos sociais, toda a sociedade. É urgente e necessário. Tenho provocado esse debate publicamente, bem como, dentro da esfera partidária. Sou filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), agremiação política de larga história de luta e posicionamento, que nunca se absteve de seus compromissos com uma sociedade melhor e justa. Encontrei ressonância com inúmeros colegas de partido que também estão insatisfeitos com a falta de rumo que nosso Estado sofre. Contudo, nem a inquietação de nossas lideranças, nem o cansaço das mulheres e homens de nossa terra com o atual estado das coisas, fez nossa direção estadual assumir um compromisso pela mudança urgente.

Manteremos com todas as nossas forças e de forma respeitosa o debate pela construção de um novo Pernambuco. Mesmo que a direção estadual de nosso partido tenha decidido manter o MDB onde está, num projeto que nada mais tem a oferecer, apenas a desesperança.

Lamento profundamente tal decisão. Ao mesmo tempo, respeito a escolha da direção estadual do MDB. Sigo ao lado da esperança de mudança em Pernambuco. Expresso isso com a tranquilidade de saber que o desejo de mudar para melhor não ser apenas meu, e sim de milhões de pernambucanas e pernambucanos ansiosos por um novo tempo. Com este compromisso por um futuro melhor, renovo minha disposição de seguir lutando por um novo Pernambuco. Vamos construir o Pernambuco do futuro com desenvolvimento econômico, inclusão social e com um governo que leve saúde, educação e segurança para todos os cantos do Estado.

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