Protestos

Presidente do PSOL diz que partidos e grupos de direita são bem-vindos em atos pelo 'Fora Bolsonaro'

O dirigente partidário destacou, porém, que presença desses coletivos em mobilizações pelo impeachment do presidente não "desfaz a responsabilidade que esses setores tiveram na eleição de Jair Bolsonaro"

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 15/07/2021 às 15:09
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RENATO STUKER/ DIVULGAÇÃO
Pensamos na possibilidade de receber companheiros de outros partidos, como o deputado Túlio Gadêlha. Há a chance de ele vir para o Psol e essa possibilidade nos deixa muito contentes, nos entusiasma muito", afirma Juliano Medeiros, presidente nacional do partido - FOTO: RENATO STUKER/ DIVULGAÇÃO
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Em meio à mobilização de coletivos como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Livres em prol do impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, afirmou nesta quinta-feira (15) que todo o apoio de partidos e grupos liberais e de direita pela deposição do atual chefe do Executivo federal é "bem-vinda". O psolista disse, contudo, que seu posicionamento quanto a essa questão de forma alguma se converteria em uma aliança eleitoral com esses setores nem apagaria "a responsabilidade" deles na chegada do militar da reserva ao poder.

"Todo deslocamento dos partidos conservadores, liberais, da direita brasileira para o apoio ao impeachment é bem-vindo. Agregar forças políticas, partidárias e sociais nessa luta é uma necessidade. A esquerda, sozinha, não conseguirá, até porque ela não tem votos suficientes para isso na Câmara dos Deputados. Então todo setor partidário ou social que queira se juntar à luta pelo 'Fora Bolsonaro' será muito bem-vindo, mas isso não apaga nem as nossas diferenças políticas e muito menos desfaz a responsabilidade que esses setores tiveram na eleição de Jair Bolsonaro. Nós seremos generosos em saber conviver com eles na luta do 'Fora Bolsonaro', mas não nos omitiremos em criticá-los diante da responsabilidade que tiveram pela eleição desse genocida", cravou Medeiros, ao JC.

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O MBL, o Livres e o Vem Pra Rua têm organizado um ato para o dia 12 de setembro pelo impeachment de Bolsonaro. De acordo com os organizadores, a data mais distante foi escolhida para aguardar o avanço da vacinação no País, tanto da primeira quanto da segunda dose do imunizante. Essa será a primeira mobilização do tipo realizada por grupos de direita no Brasil. Partidos e militantes de esquerda, por sua vez, já realizaram três protestos contra o presidente. O último foi no dia 3 de julho.

Reforma eleitoral

Na entrevista que concedeu ao JC nesta manhã, Juliano Medeiros também comentou as mudanças no sistema eleitoral que estão sendo discutidas atualmente no Congresso. Entre os temas que estão em debate há a cláusula de barreira, criada para reduzir a quantidade de partidos com acesso a verbas e representatividade no Congresso, além de reprimir siglas de aluguel, mas que pode custar a sobrevivência de partidos com menos representantes no Parlamento, como o PCdoB e o próprio PSOL.

"A Câmara dos Deputados e o Senado Federal tinham que estar discutindo o auxílio emergencial, formas de viabilizar a compra de vacinas, flexibilização das regras fiscais para ajudar estados e municípios a enfrentar a crise, não deveria ser prioridade do Congresso Nacional, diante de uma pandemia que já tirou a vida de meio milhão de brasileiros e brasileiras, discutir mudanças no código eleitoral, essa é a primeira coisa. É inoportuna a discussão de uma reforma política neste momento", declarou Medeiros.

Na visão do dirigente partidário, para completar as mudanças que estão em discussão não apenas não melhorariam o sistema político brasileiro, como também o prejudicariam. "O chamado distritão, as mudanças que buscam desobrigar os partidos em relação às candidaturas de mulheres, portanto enfraquecendo a presença das mulheres na política, e outras questões que estão em discussão são negativas para o sistema político. Enfraquecem o sistema, concentram mais poder nas mãos dos grandes partidos e geram um sistema com menos diversidade e menos pluralidade. Nós, do PSOL, estamos nos movimentando, eu fui a Brasília diversas vezes nas últimas semanas, para que a maior parte das mudanças em discussão não sejam aprovadas. Porque não é possível que a cada dois ou quatro anos o Brasil pare, o Congresso Nacional pare para ficar mudando regra eleitoral. Isso gera instabilidade no nosso sistema político e fragilidade para a nossa democracia", observou.

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