Tensão

Lira diz que Brasil tem compromisso 'inadiável' com as urnas eletrônicas em 2022

Na última terça-feira (7), o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a exigência do voto impresso nas eleições de 2022

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 08/09/2021 às 15:24
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pablo valadares
A PEC do Voto Impresso foi derrotada na Câmara dos Deputados em 10 de agosto de 2021 - FOTO: pablo valadares
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Durante pronunciamento realizado no início da tarde desta quarta-feira (8), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), afirmou que não admitirá novos questionamentos a respeito de decisões tomadas pela Casa, como a negativa em aplicar no Brasil o voto impresso, e que o único compromisso "inadiável e inquestionável" que o País tem é com as urnas eletrônicas, no dia 3 de outubro do ano que vem. Na última terça-feira (7), ao participar de ato a favor do seu governo na Avenida Paulista, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a exigência do voto impresso nas eleições de 2022.

"Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança e não é uma pessoa do Tribunal Superior Eleitoral que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável. (...) Nós queremos eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública dos votos", declarou o presidente, referindo-se ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE. No mesmo dia, Bolsonaro ainda fez insinuações antidemocráticas e declarou que os protestos de 7 de Setembro serão uma espécie de fotografia que mostrará ao TSE a "vontade do povo".

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Hoje, Lira fez um discurso afirmando não ver "como possamos ter ainda mais espaço para radicalismo e excessos", dizendo que é "hora de dar um basta nesta escalada" e criticando as falas do presidente contra o sistema eleitoral do País. "Os Poderes têm delimitações - o tal quadrado, que deve circunscrever seu raio de atuação. Isso define respeito e harmonia. Não posso admitir questionamentos sobre decisões tomadas e superadas - como a do voto impresso. Uma vez definida, vira-se a página", cravou.

Há pouco menos de um mês, no dia 10 de agosto, a Câmara dos Deputados rejeitou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Voto Impresso. Foram 229 votos favoráveis, 218 contrários e uma abstenção. Para ter sido aprovada, a PEC precisaria ter, no mínimo, 308 votos favoráveis.

Único com poderes para desengavetar um dos muitos processos de impeachment protocolados na Câmara contra Bolsonaro, Lira vinha sofrendo forte pressão para se pronunciar a respeito dos recentes movimentos do chefe do Executivo federal. Nesta tarde, ele afirmou que não havia falado nada antes porque não queria ser "contaminado" pelo calor de um ambiente já aquecido.

Com uma fala morna, o progressista teceu críticas ao presidente - que o apoiou quando ele tentava chegar ao comando da Casa Baixa - e colocou a Câmara como um "motor de pacificação" diante dos gestos golpistas de Bolsonaro. Por fim, Lira declarou: "Vale lembrar que temos a nossa Constituição, que jamais será rasgada. O único compromisso inadiável e inquestionável que temos em nosso calendário está marcado para 3 de outubro de 2022. Com as urnas eletrônicas. São nas cabines eleitorais, com sigilo e segurança, que o povo expressa sua soberania", observou o parlamentar.

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