Eleições

Para fortalecer Anderson Ferreira, André Ferreira prepara migração para o PL; outras lideranças do PSC devem seguir o parlamentar

Com as mudanças, a intenção dos Ferreiras seria eleger o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, além de quatro ou cinco deputados federais e sete estaduais

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 13/10/2021 às 19:47
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Fernando Chaves/Divulgação
André Ferreira (PSC) foi o terceiro deputado federal mais votado de Pernambuco, com 175.834 votos - FOTO: Fernando Chaves/Divulgação
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A pouco menos de um ano para as próximas eleições e faltando cerca de cinco meses para o fechamento da janela para mudanças partidárias, lideranças políticas locais já começam a organizar migrações para siglas que favoreçam seus projetos eleitorais. Nos bastidores, comenta-se que uma dessas figuras é o deputado federal André Ferreira, presidente estadual do PSC e terceiro parlamentar mais votado de Pernambuco em 2018. Ele estaria de malas prontas para o PL do irmão, o prefeito Anderson Ferreira, de Jaboatão dos Guararapes, pré-candidato a governador, e não iria sozinho para a agremiação.

Hoje, o PSC, que faz oposição ao Governo do Estado, possui a terceira maior bancada da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), com cinco deputados estaduais, atrás apenas do PSB e do PP, que têm 13 e 11 parlamentares na Casa, respectivamente. Na Câmara do Recife, o ranking se mantém, sendo que o PSB figura com 12 vereadores, o PP com quatro e o PSC com três.

Na família Ferreira, além de André e Anderson, o pai dos gêmeos, Manoel Ferreira, ocupa uma cadeira na Alepe e o cunhado deles, Fred Ferreira, cumpre mandato na Casa de José Mariano.

Neste contexto, a decisão de André Ferreira teria basicamente duas motivações: a necessidade de fortalecimento do projeto majoritário de Anderson e o fato de que o PSC pode não alcançar a cláusula de barreira em 2022, o que causaria a restrição do acesso do partido ao fundo partidário e ao tempo de rádio e TV durante campanhas eleitorais.

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Para atingir a cláusula de desempenho, os partidos têm que alcançar ao menos 2% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados distribuídos por pelo menos um terço das Unidades da Federação ou conseguir eleger 11 deputados distribuídos em nove estados. Segundo levantamento realizado pelo jornal Valor Econômico no final de 2020 com base nos números da eleição para prefeito daquele ano, o PSC seria uma siglas que podem ter dificuldade para atingir a meta em 2022.

Além de André Ferreira, outros filiados à sigla em Pernambuco seguiriam para o PL visando a disputa de vagas à Câmara Federal. "Com a confirmação da candidatura de Anderson, seja ao governo ou ao Senado, a chapa de federal (que seria do PSC) será montada no PL. A ideia é fortalecer o PL, partido do prefeito, pois com uma candidatura majoritária você tende a fazer mais deputados naquela chapa. A incógnita é em relação à chapa de estadual, que a princípio seria montada no PSC mesmo", explica uma liderança local da sigla, em reserva. Na legenda existiria a expectativa, inclusive, de que parlamentares de outros partidos com dificuldades de montar chapas proporcionais, como o Patriota, por exemplo, também migrem para o PL em 2022.

Com essas mudanças, a intenção dos Ferreira seria eleger Anderson, quatro ou cinco deputados federais, além de sete estaduais. O partido pode, contudo, contabilizar algumas perdas nessa trajetória, como a da deputada estadual Clarissa Tércio, que já há algum tempo é sondada pelo Podemos, partido do seu marido, o vereador Júnior Tércio, do Recife.

Deputado estadual pelo PSC, Alberto Feitosa afirmou não ter conhecimento dessas movimentações internas, mas declarou que qualquer decisão tomada neste momento, a tanto tempo para o pleito, seria precipitada. "Eu não estou sabendo de nada, estou sendo pego de surpresa. Inclusive me encontrei recentemente com o prefeito Anderson Ferreira, que é presidente do PL, e ele não comentou nada comigo nesse sentido. De todo modo, essas movimentações são naturais, à medida que as definições sobre quem serão os candidatos a governador forem se afunilando e, principalmente, quando o partido do presidente Bolsonaro for definido. Hoje não sabemos se teremos três candidaturas ou duas, se o ministro do Turismo Gilson Machado será candidato. Há uma série de questões que precisam ser analisadas antes de tomarmos uma decisão. Temos até abril do próximo ano e qualquer movimentação coletiva ou individual nesse momento eu vejo como precipitada", pontuou o parlamentar.

"Expertise"

A experiência e desempenho dos Ferreira em eleições proporcionais vêm sendo, inclusive, usados reiteradamente por Anderson na defesa do seu nome para a disputa pelo Governo de Pernambuco. Em entrevista na última semana, o gestor municipal chegou a mencionar que o seu grupo político possui grande "expertise" nessa área, o que o cacifaria para a encabeçar uma chapa majoritária na oposição.

"Hoje não há mais coligações proporcionais, então cada partido precisa montar as suas chapas para deputado federal e estadual. E o nosso grupo político, que tem o PSC e o PL, tem uma expertise muito grande nesse tema. (...) Isso, para quem encabeça uma chapa majoritária, é um dos pré-requisitos básicos: acomodar todas as lideranças políticas para montar um time grande", declarou, durante debate na TV Nova.

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