CONFUSÃO

Crise no PDT: líder reage à ameaça de Ciro Gomes, coloca cargo à disposição e desmente próprio pai sobre PEC dos precatórios

Nos bastidores da legenda brizolista, Ciro já se vê isolado após suspender candidatura à Presidência

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 05/11/2021 às 10:53
REPRODUÇÃO/FACEBOOK WOLNEY QUEIROZ
Deputado estadual Zé Queiroz, ex-governador Ciro Gomes e deputado federal Wolney Queiroz - FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK WOLNEY QUEIROZ
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O líder do PDT na Câmara dos Deputados, o pernambucano Wolney Queiroz, enviou um ‘textão’ no grupo de WhatsApp da bancada para reagir à ameaça do ex-ministro Ciro Gomes em suspender sua candidatura à Presidência da República caso a legenda não reveja sua posição em relação à PEC dos precatórios e se posicione contra ela no segundo turno da votação da proposta.

Wolney também desmentiu o pai, o deputado estadual José Queiroz (PDT), que em debate na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) com o colega bolsonarista Alberto Feitosa (PSC) justificou que o filho não seria favorável à PEC, mas, como líder, precisou seguir a decisão da maioria de sua bancada.

Nesta sexta-feira (5), o deputado federal afirmou ao JC que não procede a afirmação do pai. Questionado se seria contrário à PEC 23, Wolney foi enfático: “Não.”

Sem contato

No dia anterior, o parlamentar foi ao grupo dos deputados do PDT no WhatsApp e afirmou que mesmo a votação da emenda e a posição do PDT serem de conhecimento geral por estar no noticiário, não recebeu nenhum contato de Ciro antes da apreciação da matéria pelo plenário da Câmara.

“Importante ressaltar uma coisa: a votação dessa PEC 23 era assunto predominante nos noticiários em todas as TVs, portais, blogs e jornais do Brasil. A imprensa especializada já anunciava que PDT e PSB poderiam votar a favor da PEC. Apesar disso, não recebi do presidente Ciro um telefonema, um e-mail, uma mensagem, um recado. Nada. Rigorosamente nenhuma orientação”, reclamou Wolney, em um texto de mais de 40 linhas enviado aos seus correligionários.

Por causa da crise gerada pela ameaça de Ciro Gomes, Queiroz chegou a colocar sua posição de líder à disposição dos parlamentares pedetistas e afirmou que "política não é para fracos".

“Reitero que o posto de líder está à disposição dos deputados e deputadas, bem como à disposição da direção nacional do partido”, concluiu.

Apoio da bancada e de Lupi

Apesar do gesto, deputados do PDT ouvidos pelo JC afirmaram, sob condição de anonimato, que Wolney recebeu a solidariedade irrestrita da bancada e do presidente da legenda, Carlos Lupi — que estava ciente da decisão da bancada — para permanecer no cargo.

“Em um momento de crise, você coloca o cargo à disposição para mostrar que não tem apego ao lugar e que quer contribuir com a solução. Esse é o significado”, disse um parlamentar, elogiando a postura de Queiroz na situação.

Com a sinalização da bancada e da cúpula do PDT, Ciro Gomes fica ainda mais isolado na legenda, o que aumenta as chances de o ex-governador do Ceará procurar sua 9ª legenda, após deixar outras agremiações em meio a atritos.

Lupi, no entanto, não acredita nesta possibilidade e afirma que não há chance de o ex-governador do Ceará abandonar definitivamente a candidatura.

"Não temos plano B à candidatura de Ciro Gomes. Não existe possibilidade de Ciro deixar a candidatura à Presidência e muito menos de sair do partido", disse Carlos Lupi, em entrevista concedida à revista Crusoé.

Quem conhece bem o presidente do PDT, afirma que essa posição, contudo, apenas durará se as circunstâncias forem favoráveis. Desta maneira, Ciro pode acabar sendo colocado de lado em nome de alguma aliança que tenha mais futuro para o partido.

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