Entrevista

"Não permito que reputações sejam assassinadas", reclama Augusto Aras sobre suposta prevaricação em relação a Bolsonaro

O procurador-geral disse que uma ''mídia militante'' faz campanha contra ele o apontando como engavetador de processos

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 28/03/2022 às 10:35
JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
Augusto Aras, procurador-geral da República - FOTO: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
Leitura:

O procurador-geral da República, Augusto Aras, respondeu a críticas de que sua gestão não estaria investigando corretamento possíveis crimes do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista à Rádio Jornal, na manhã desta segunda-feira (28), Aras disse que sua gestão trabalha seguindo a Constituição para evitar que, no futuro, suas ações sejam anuladas por alguma irregularidade.

"Buscamos preservar a constitucionalidade e a legalidade dos atos para que nulidades não se repitam. Nos últimos anos tivemos processos declarados nulos e inválidos, o que é um descrédito ao sistema de Justiça. Na nossa gestão isso não ocorre. Na nossa gestão dois governadores foram cassados, seis ministros afastados, o presidente (Bolsonaro) responde a oito inquéritos e 400 autoridades estão presas, afastadas, denunciadas ou investigadas. Isso revela que somos eficientes, seja na quantidade ou na qualidade, sem estardalhaço, sem escândalo, sem vazamento seletivo e sem e perseguição seletiva", disse.

No mês passado, o senador Randolfe Rodrigues (Rede) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar Augusto Aras por suposta prevaricação ao arquivar um inquérito contra Bolsonaro.

“Acabamos de acionar o STF para investigar o Sr. PGR, Augusto Aras, por prevaricação. Mesmo com a PF apontando o crime, Aras se manifestou pelo arquivamento de inquérito em que se atribuiu ao Bolsonaro a prática de crime de violação de sigilo”, disse o senador nas redes sociais.

 Isac Nóbrega/PR
Bolsonaro reconduziu Augusto Aras ao cargo de procurador-geral da República - Isac Nóbrega/PR

Críticos de Aras afirmam que ele adotou postura cautelosa em relação a Bolsonaro por ter interesse em uma indicação ao STF. Nesta manhã, ele disse lamentar ter de responder constantemente sobre isso nos quase três anos que está no cargo de procurador-geral.

Porque essa campanha contra mim? Porque eu não permito que reputações sejam assassinadas? Será que o assassinato de um cidadão se dá apenas por faca ou bala? Ou não se dá também pela destruição de sua honra? É preciso que tenhamos essa responsabilidade.
Augusto Aras, procurador-geral da República

Ele afirma já ter alcançado o ápice de sua carreira no Ministério Público e destacou não ter nenhum compromisso com Bolsonaro no tocante à vaga no STF. "O presidente que voluntariamente, de forma generosa, aventou a possibilidade de uma terceira vaga, que não existia no passado e nem existe hoje. Tenho carreira de professor e voltarei à advocacia (após sair da PGR)."

O procurador ainda destacou esperar que o número de ações em sua gestão pudesse "convencer" que a PGR produziu mais em dois anos do que em dez anos. Por fim, ele disse que a "mídia militante" é responsável por apontar a PGR como engavetadora de processos, mas sua gestão tem apoio de instituições, da área econômica e do Judiciário.

"Isso é campanha da mídia militante contra o procurador-geral que não faz vazamento seletivo, não faz perseguição seletiva, não vive dando pão e circo em ambiente de covid, em ambiente de polarização que destrói a democracia, num ambiente em que os exemplos anteriores à minha gestão revelam um conjunto de nulidades ocorridas em operações, em que nem Sérgio Cabral está preso", disse. Aras voltou a afirmar na entrevista que é preciso respeitar a constituição e o cumprimento das leis para que não haja erros.

Aras foi questionado sobre o caso de "Wal do açaí", apontada como funcionária fantasma no gabinete de Bolsonaro quando ele ainda era deputado federal. O Ministério Público Federal (MPF) enviou ação à Justiça Federal em Brasília em que pede a condenação de Bolsonaro e Wal.

O procurador disse que a ação está na primeira instância e que deve se manifestar quando chegar no Supremo. Também questionado sobre possível caso de propina no Ministério da Educação (MEC), Augusto Aras disse que não pode ser comentarista político e que a PGR só se manifestará em autos.

Citação

Porque essa campanha contra mim? Porque eu não permito que reputações sejam assassinadas? Será que o assassinato de um cidadão se dá apenas por faca ou bala? Ou não se dá também pela destrui&c

Augusto Aras, procurador-geral da República

Comentários

Últimas notícias