Quem quer ser um vereador? Cursos na internet, a partir de R$ 29,90, ensinam dicas para vencer eleições
Candidatos aprendem sobre planejamento, legislação e marketing digital para turbinar suas campanhas e conquistar uma vaga na Câmara dos Vereadores

Conquistar uma vaga na Câmara dos Vereadores do Recife nas eleições de 6 de outubro não é tarefa simples. São 517 candidatos disputando 37 cadeiras, o que significa uma concorrência de quase 14 pessoas por vaga. Nessa arena, nem todos dispõem das mesmas armas. Muitos não têm acesso ao Fundo Eleitoral e dependem de financiamento coletivo e de recursos do próprio bolso. Na missão de colocar candidaturas de pé por conta própria, muitos candidatos espostam nos cursos online para vereador.
Eles vêm se popularizando nos últimos anos e se alastrando pelas redes. São iniciativas do tipo: "Seja vereador, pergunte-me como". Na promoção de R$ 29,90 de um dos cursos é possível aprender sobre marketing digital para movimentar as redes sociais, além de entender o papel do vereador e conhecer as possibilidades de financiamento de campanha.
Portais como euvereador.com.br e comosereleito trazem diversos módulos de conteúdos, vídeo-aulas, noções de legislação, como fazer campanha de rua, planejamento, organização, além de fornecer um diploma. O curso afirma que os candidatos que cursaram as aulas obtiveram bons resultados nas eleições.
BANALIZAÇÃO OU PORTA DE ENTRADA PARA A POLÍTICA?
Um questionamento sobre esses cursos é se eles fazem parecer banal a carreira de vereador ou se diante das mudanças de negras no cenário eleitoral foi preciso se readaptar aos novos tempos. Será que a população entende o pepel do legislador municipal, do quanto ele precisa estar ciente das demandas da cidade e lutar por elas?
"Eu acho que a função nunca foi devidamente compreendida pela população e passa por um desgaste de imagem que abrange toda a classe política. Apesar da proximidade com as comunidades, em geral as pessoas não conseguem apontar os resultados da ação desses atores. Acaba sendo uma porta de entrada, é como se fosse o primeiro degrau de uma escada, mas é um processo disputado e com muitas fragilidades. Desde que houve a mudança para o financiamento prioritariamente público das campanhas e o fim das coligações, foi preciso revisar estratégias e agora a disputa fica cada vez mais "cada um por si", observa a cientista política, Priscila Lapa.