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SÃO JOÃO: saiba como evitar acidentes com fogos de artifício e fogueiras

O número de pessoas com queimaduras durante os festejos juninos aumenta devido as tradições de fogos de artifícios e fogueiras

Lívia Maria
Lívia Maria
Publicado em 22/06/2022 às 8:59
Viny B Oliver/Unsplash
Durante os festejos de São João o número de queimaduras por causa dos fogos de artifícios e fogueiras aumenta significantemente - FOTO: Viny B Oliver/Unsplash
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Com a chegada das festas de São João, quando o nordestino mantém a tradição das fogueiras e fogos de artifício, aumentam significativamente as ocorrências por queimaduras nos hospitais de Pernambuco. Segundo o Instituto Help Your Hands, só nesta época do ano, o número de acidentes deste tipo é 10 vezes maior

Marcos Barreto, coordenador do Centro de Queimados do Hospital da Restauração, destaca a expressiva demanda de pacientes nas vésperas e dias de São João e São Pedro 23, 24, 29 e 30 de junho, respectivamente. Entre 2019 e 2021, a unidade teve cerca de 850 casos, um aumento médio de 30% no número de atendimentos.

Segundo a presidente do Help Your Hands e médica cirurgiã de mão, Etelvina Vaz, as áreas mais afetadas são as mãos, braços e face, havendo ainda riscos para audição e visão – onde os fragmentos liberados pelas explosões podem perfurar o globo ocular, desencadeando transtornos visuais e o comprometimento grave da visão, ou até provocar cegueira.

Ela relata que os incidentes ocasionados por fogos e fogueiras provocam queimaduras em 70% dos casos, já 20% dos feridos são acometidos com lacerações, e 10% chegam a ter os membros superiores amputados.

"Dependendo da potência, esses quadros podem até levar à morte", enfatiza. As principais vítimas são crianças entre 4 e 14 anos e homens na faixa etária de 15 e 50 anos.

Como evitar queimaduras com fogueiras e fogos de artifícios?

Diante dessa realidade, Etelvina reforça a necessidade de proibir e fiscalizar o acendimento de fogueiras e a queima de fogos no período junino. Em paralelo, o instituto alerta para os perigos dessas práticas e orienta a população sobre a adoção de medidas para a prevenção de acidentes

A primeira recomendação é que os produtos sejam adquiridos em estabelecimentos comerciais licenciados, contendo selo do Inmetro e instruções de uso no rótulo

Quanto ao uso, a médica ressalta que as crianças não devem acender, nem manipular esses artefatos. “É indicado que apenas pessoas treinadas, maiores de 18 anos, façam a compra e a soltura dos fogos. Além disso, os usuários devem ficar atentos a classificação de idade indicada pelos fabricantes e a forma de manuseio correto”, diz.

Outras orientações para curtir as festividades com segurança são:

  • Conferir o certificado de garantia do foguete;
  • Não segurar os fogos com as mãos;
  • Escolher áreas isoladas, ao ar livre e sem eletricidade para fazer o acionamento;
  • Manusear sempre protegido com uma base própria ou com o suporte fornecido na embalagem;
  • Posicionar o rojão em ponto fixo;
  • Disparar um artefato de cada vez;
  • Não tentar reacender fogos e sempre ter um recipiente de água para molhar os que falharem;
  • Nunca associar bebida alcoólica ao uso de fogos;
  • Nunca transportar fogos nos bolsos;
  • Não realizar brincadeiras, como apontar o artefato para alguém ou colocar bombas em latas.

Já a fogueira, representa um perigo de incêndio imediato e de acidentes com queima direta. A área dos olhos também fica bastante vulnerável às chamas e deve ser protegida.

A presidente do Help Your Hands ressalta que as cinzas, fumaça e brasas podem ocasionar quadros de conjuntivite alérgica ou edema da pálpebra. “Ardor, desconforto e lacrimejamento são os primeiros sinais de agressão à visão”, avisa.

“De toda forma, o ideal é se manter afastado das chamas e, assim que terminar a brincadeira, apagar o fogo e resfriar o chão, para evitar que alguém pise na área coberta por cinzas”, conclui aconselhando.

O que fazer em caso de queimaduras? 

Em caso de queimadura, a médica adverte que medidas caseiras como a aplicação de manteiga, creme dental, café e açúcar não devem ser usadas, pois agravam o ferimento. Já a água corrente fria alivia a dor.

Em queimaduras de primeiro grau, aquelas que são mais leves e atingem a cama superficial da pele e causa apenas vermelhidão e ardência, o ideal é resfriar a área com água fria ou soro fisiológico em abundância até amenizar a dor. Caso haja persistência nos incômodos, procure um médico.

Já para queimaduras de segundo grau, que costumam apresentar bolhas, além de resfriar a região, é necessário também ir a um um médico imediatamente. O profissional especializado irá averiguar a necessidade de fazer um curativo e passará o tratamento adequado. 

É importante não estourar as bolhas ou retirar a pele, pois pode danificar o tecido em regeneração. Outra dica importante é não lavar com álcool, o que irá sensibilizar o ferimento. 

 

As queimaduras de terceiro grau, onde há possibilidade de comprometimento dos nervos, músculos e estrutura óssea, é preciso procurar um hospital urgentemente. As lesões são caracterizadas pela ausência de dor, já que a sensibilidade foi totalmente perdida por conta da gravidade da queimadura.

Antes de ir à unidade hospitalar, recomenda-se a retirada de todos os acessórios que possam ficar presos com o inchaço da região. O tratamento adequado, muitas vezes com intervenção cirúrgica, será feito pelo médico especialista.

 

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