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Jockey: Pulp Fiction à Moda Brasileira

07 / set
Publicado por Ernesto Barros às 16:43

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Detalhe da arte de André Aguiar em Jockey

 

Primeira obra de fôlego do roteirista Rafael Calça e do desenhista André Aguiar, a graphic novel Jockey (Editora Veneta, 136 páginas, R$ 49,90), já disponível nas livrarias e gibiterias, é um desafio para os leitores. Intrincada, com toques fantásticos e muita violência, a trama traz elementos das histórias de mistério e crime da literatura popular americana – a tal da pulp fiction – dos anos 1930/1950.

Além da estética dos romances policiais chinfrins, Rafael Calça faz citações veladas a obras mais antigas, como o clássico O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas. O interessante é que, apesar do apego à literatura, Jockey é extremamente cinematográfica, narrada quase que exclusivamente por meio de imagens. Na verdade, a escassez de palavras – ou falta de explicações da trama – é o que faz a história enigmática e estranha.

Nascidos em São Paulo, Calça e Aguiar criaram uma metrópole fictícia – com traços da capital paulista, claro – para ambientar esta história sobre jogo, sorte, inveja, dor, maldade e vingança. Num vaivém incessante entre passado e presente, várias histórias se entrecruzam tendo o Jockey da cidade como centro. É de lá, onde circulam homens poderosos e mulheres fatais, que a trama desencadeia seus constantes saltos temporais.

Aos poucos, a teia de fatos obscuros vai se fechando em torno de Moira, uma moça aparentemente adotada, que depois vai descobrir que o pai viveu encarcerado por sete anos num manicômio. Paralelamente, um jóquei negro é abordado por Álvaro, um ricaço asqueroso, que oferece dinheiro para ele perder um páreo, mais adiante, um policial descobre uma família que mantinha uma criança em cativeiro.

Sem chegar a ser terror, a obra faz uma espécie de tratado de teratologia equina em que o homem e o animal partilham de um mesmo corpo. Jockey, é verdade, peca por suas ambições, um tanto quanto desmedidas. Mas talvez por isso mesmo é que a sua leitura seja tão cativante.


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