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Crítica: O Jogo da Noite, de John Francis Daley e Jonathan Goldstein

09 / maio
Publicado por Ernesto Barros às 20:46

Jason Bateman e Rachel Adams. Foto: Warner Bros.

Se Jason Bateman tivesse um pouco mais de carisma, ao menos para chegar perto de Steve Carell, talvez O Jogo da Noite, que estreia nesta quinta-feria (10/5), não fosse mais uma comédia enfadonha. Embora as semelhanças não sejam a nível de roteiro, O Jogo da Noite, dirigido pela dupla John Francis Daley e Jonathan Goldstein, não chega ao pés de Uma Noite Fora de Série, de Shawn Levy, em que Steve Carell e Tina Fey vivem uma insuspeitada aventura ao acaso.

O Jogo da Noite parece ter sido feito para casais inveterados em jogos de salão – é uma comédia tão insossa e infantilizada que só fissurados em trívias vão encontrar algum interesse. O mais chato é que o roteirista Mark Perez é especializado em filmes infantis. A mecânica da narrativa é das mais bobas, mas ele parece se achar um gênio porque precisa encontrar uma virada na história a cada 5 minutos.

O problema é: quem sem importa com personagens tão bobos? A começar por Max (Bateman) e Annie (Rachel Adams), que se conhecem numa roda de trívias e cujo pedido de casamento se dá através de uma cena de mímica. Mas não é apenas isso, eles ainda têm dois casais amigos: Kevin (Lamorne Morris) e Michelle (Kylie Bunbury), que passam o filme todo discutindo uma transa fora da relação, e Ryan (Billy Magnussen), um playboy burro que sempre traz uma companhia tao burra quanto ele, com uma única exceção, a irlandesa Sarah ( Sharon Horgan).

As outras duas peças da história são o policial bovino Gary (Jesse Plemons), vizinho que fazia parte da turma até ser abandonando pela mulher, e Brooks (Kyle Chandler), irmão mais velho de Max, aparentemente rico e descolado, superior ao irmão mais novo, que reaparece para dar uma festa onde todos foram convidados. A partir do que era uma brincadeira, tipo um jogo de sequestro, a coisa fica real e começam os mal entendidos com mafiosos, policiais e uma empresa que promove a brincadeira.

Se a premissa oferece um certo nível de ação, com as perguntas e respostas e depois o corre-corre incessante pela cidade, até o achado de um Ovo Fabergé, o filme vira uma coleção interminável de lugares comuns, em que o riso nunca é fácil. A lógica é fazer com que o filme seja uma comédia ligeira e que o espectador passe uma hora e meia no cinema se entupindo de pipoca e refrigerante.

Infelizmente, tudo é reduzido a gags corriqueiras, sem o mínimo de criatividade. É verdade que em mais de uma hora de toda sorte de loucura, algumas se salvam. Mas é muito pouco, principalmente porque o filme não tem o mínimo de pausa para respirar, com uma correria sem fim. No mais, percebe-se claramente que a ideia do filme é tipicamente frankensteiniana, com pedaços de outros filmes entrevistos aqui e acolá.

No caso de Bateman, é uma sorte que esse filme tenha sido lançado por aqui e não foi direto para o home vídeo, o que aconteceu com três filmes em que ele era o ator principal: Uma Semana a Três (2013), Seis Dias Sem Fim (2014) e Desafiando a Arte (2015).


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