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Toda a culpa é do governador, diz usuário do transporte público. Inclusive do metrô

20 / mar
Publicado por Roberta Soares às 15:47

Fotos Diego Nigro/JC Imagem
Fotos Diego Nigro/JC Imagem

 

A percepção já era clara, mas a pesquisa desenvolvida pelo Instituto Maurício de Nassau comprovou que o governo de Pernambuco e, especialmente a pessoa do governador Paulo Câmara, estão pagando um preço alto pela violência e o caro custo do transporte público da Região Metropolitana do Recife. É impossível ignorar o fato de que 65% dos entrevistados, usuários frequentes do transporte, seja ônibus ou metrô, avaliaram a gestão do governador como péssima e ruim. Para piorar, 24,1% consideraram regular, o que é quase ruim. Enquanto sofríamos com rebeliões e explosões dos bancos, a percepção da insegurança urbana do cidadão era ruim, mas não péssima.

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Quando ela chegou ao ônibus, virou um problema de forte impacto para a imagem do governo. E de difícil resgate. Quando a pesquisa aponta que metade dos passageiros ouvidos e que usam o ônibus com frequência já foram assaltados, revela que o governador está lutando contra um inimigo invisível e de difícil batalha: o medo. A violência urbana de forma geral não é sentida apenas pelas vítimas dela. O medo do outro é sentido e sofrido por qualquer um. Ou seja, você não precisa ter sido assaltado no ônibus para ter medo de ser a próxima vítima. Esse é o perigo e o lado mais cruel. Prova disso é que, enquanto 32,7% dos passageiros afirmaram já ter sido assaltados, 99,4% dos que têm medo de andar de ônibus disseram temer a violência. O governo precisa enxergá-los.

 

 

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Responsabilidade por tudo
O governador é apontado, literalmente, como responsável pelo que há de ruim no transporte público da Região Metropolitana do Recife. Seja a violência, a qualidade ou o preço da passagem. Na avaliação da segurança e da qualidade, incorpora muito mais a responsabilidade do que os empresários de ônibus. E com folga.

 

 

Custo da passagem
Apenas no aumento da passagem a culpa se equilibra com a dos empresários do setor. O governo do Estado teve 35% da responsabilidade, enquanto o setor empresarial ficou com 30%. Mas, mesmo assim, o Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT) fica com 9%. Ou seja, é governo do mesmo jeito.

 

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Falta pulso
Os passageiros também deixam claro na pesquisa que enxergam o governo sem pulso para cobrar responsabilidade dos empresários de ônibus. Mais de 13% acham que os donos das empresas são responsáveis por melhorar o sistema. Só perdem para o próprio governo, apontado como o primeiro responsável por mais da metade das pessoas ouvidas.

Governo de PE paga até pelo metrô
O caso do metrô do Recife é emblemático. Responsabilizar o governo de Pernambuco e o governador pelos problemas do metrô é injusto. Percebe-se que o usuário, em sua maioria, não entende a gestão do sistema nem sabe que o governo federal é o gestor. A maioria diz que o governo do Estado é o culpado pela insegurança e pelo aumento da tarifa do metrô (embora o último reajuste tenha sido há seis anos). E mais. O Estado é apontado como o principal ator capaz de melhorar o sistema metroviário.

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