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jun

Menos carros nas ruas do Recife e Região Metropolitana

13 / jun
Publicado por Roberta Soares às 19:58

 

Sem querer fazer qualquer apologia à crise econômica que o País enfrenta, mas o recuo da economia nacional tem dado uma trégua para as dificuldades da mobilidade urbana no Recife e na Região Metropolitana. Menos carros entraram nas ruas nos últimos anos, com destaque para 2016, o ano da menor taxa de crescimento. Números levantados pelo professor e engenheiro civil Maurício Pina, a partir de dados do Detran-PE, mostram que quase 300 mil veículos deixaram de fazer parte do trânsito do Grande Recife desde 2010. Na capital, 150 mil veículos não foram emplacados no mesmo período.

É o momento de aproveitarmos para executar projetos que priorizem o transporte público, o caminhar e a bicicleta, por exemplo. Opções de transporte que estimulem as pessoas a deixar o carro”,

Maurício Pina, professor e especialista em transporte

 

Foto: JC Imagem

 

 

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Nas ruas, a sensação é de alívio. Os cálculos do professor foram feitos com base na taxa de crescimento que o Recife e a RMR registraram em 2010, de 8,8% e 10,4%, respectivamente. Se a previsão de crescimento se mantivesse, a frota registrada na capital em 2017 deveria ser de 827 mil veículos e, na RMR, de 1,5 milhão. Mas os números são outros, para alívio da mobilidade: Recife (683 mil) e RMR (1,3 milhão). Saímos de altas taxas de crescimento da frota para percentuais muito baixos. Só para se ter ideia, enquanto 43 mil veículos foram emplacados no Recife em 2011, em 2016 foram menos de 6 mil. Na RMR o cenário é o mesmo. De fato, reflexos positivos da crise econômica.

 

 

O ano de 2016 é o que merece o mais destaque. A taxa de crescimento da frota do Recife foi menor que 1%. “Praticamente estagnou”, afirma Maurício Pina. O momento de trégua, entretanto, deve ser de ação para os gestores da mobilidade urbana, defende Pina. “É o momento de aproveitarmos para executar projetos que priorizem o transporte público, o caminhar e a bicicleta, por exemplo. Opções de transporte que estimulem as pessoas a deixar o carro, afirma.

Uma hora a crise vai passar e a demanda reprimida vai sair às ruas. Aí teremos a população comprando carros e voltando a utilizá-los para fazer seus deslocamentos. Por isso, precisamos discutir o uso, não a posse do automóvel”,

Maurício Pina

Até porque, analisa Maurício Pina, uma hora a crise vai passar e a demanda reprimida vai sair às ruas. “Aí teremos a população comprando carros e voltando a utilizá-los para fazer seus deslocamentos. Por isso, precisamos discutir o uso, não a posse do automóvel”, alerta o professor. Pina lembra, inclusive, que Pernambuco ainda tem muito fôlego para a aquisição de automóveis por seus moradores. “A taxa de motorização no Estado é de 450 veículos para cada grupo de 1 mil habitantes. Ainda é grande. O problema é a forma como utilizamos”, diz.

VIA MANGUE
Essa redução tem relação direta com a saturação precoce da Via Mangue, corredor viário da Zona Sul, que custou R$ 500 milhões e já dá sinais de problemas com menos de 1,5 ano de operação plena. “Imagine como seria a situação atual da via se a frota tivesse acompanhado o crescimento esperado. Estaria parada”, diz. Para Pina, o corredor deveria receber linhas de ônibus expressas, que beneficiassem os passageiros que apenas passam por Boa Viagem e têm como destino bairros de Jaboatão dos Guararapes, por exemplo.

 

 

 


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