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Bike PE ainda definhando na Região Metropolitana do Recife

13 / ago
Publicado por Roberta Soares às 11:00

No Recife, 14 estações já foram desativadas. A maioria tem virado estacionamento de automóvel, como as da Ilha do Leite. Fotos: Guga Matos/JC Imagem

 

Pelo menos 16 estações do Bike PE, projeto de compartilhamento de bicicletas públicas da Região Metropolitana do Recife, foram desativadas nas duas últimas semanas, surpreendendo os usuários do sistema e revelando que o projeto continua definhando. Muitas, inclusive, já estão sendo usadas como vaga de estacionamento de automóveis. O fim da operação, garante a Tembici., a nova parceira do banco Itaú no Brasil, faz parte da estratégia de transição do projeto e será provisória. O Bike PE começou a sofrer mudanças desde maio, quando a operação saiu da pernambucana Serttel e passou para as mãos da paulista Tembici., com a promessa de muitas melhorias – vale destacar.

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Já estão desativas 14 estações no Recife, duas em Jaboatão dos Guararapes e uma em Olinda. Há quatro anos, o Bike PE começou com 80 estações e a promessa era de que seria expandido. Há mais de um ano caiu para 77 estações e, agora, apenas 60 estão em operação, segundo mostra o Trem Útil, ferramenta digital de monitoramento dos serviços de aluguel de bicicletas públicas no País. Por email, a Tembici. informou que as estações desativadas foram escolhidas por serem as menos utilizadas e, ao mesmo tempo, as mais vandalizadas. E avisa que o processo de desativação continuará durante o mês de agosto e que tudo está sendo comunicado ao governo de Pernambuco via Secretaria Estadual de Turismo, gestora do Bike PE.

 

Estação da Praça Miguel de Cervantes, na Ilha do Leite, é uma das que foram desativadas e viraram estacionamento

A Tembici. explica, ainda, que a retirada de todo o mobiliário existente é necessária para que a nova estrutura das estações e bicicletas seja preparada. Garante, também, que as mudanças estão sendo comunicadas aos usuários pelo aplicativo e site do Bike PE. Além disso, os clientes mais frequentes do sistema estão sendo informados também pela Central de Relacionamento, via email ou telefone.

 

Sobre a reposição das estações nos mesmos lugares, a Tembici. explica que o retorno está sendo estudado e poderá haver casos em que as estações sejam desativadas definitivamente porque o adensamento das unidades faz parte do planejamento estratégico da nova gestão. A meta é aproximar as estações para que elas fiquem mais acessíveis às pessoas que usam o serviço – distâncias de, no máximo, 500 metros uma das outras.

Quem usa o Bike PE, entretanto, reclama das mudanças por enquanto. “Espero que, de fato, seja algo provisório e que eles aumentem o número de estações no lugar de reduzi-lo porque a qualidade do serviço caiu muito. Não encontramos mais bicicletas nas estações e as falhas de conexão continuam com muita frequência. Uma pena ver isso acontecer em tão pouco tempo”, lamenta o estudante Marcelo Sobral, que utiliza o sistema quase que diariamente para chegar à estação Recife do metrô, saindo de Santo Amaro.

 

 

Mas quando o Bike PE vai melhorar de fato? Quando as pessoas sentirão a mudança para melhor? A partir de setembro, é a promessa da Tembici. É para o próximo mês que está prevista a chegada das primeiras estações e bicicletas dentro do novo modelo para o projeto. O Bike PE, inclusive, será o primeiro projeto a receber a tecnologia da empresa canadense PBSC Urban Solutions, fornecedora e parceira da Tembici. Os outros projetos que também estão passando pela mudança operacional são do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Salvador.

A mudança se faz necessária porque, de fato, o Bike PE definha. A quantidade de viagens diárias teve uma leve melhora, mas ainda permanece baixo. Segundo a plataforma Trem Útil, foram 256 viagens no dia 10 de agosto. Em julho passado, o sistema chegou a registrar apenas 116 viagens num único dia, quando nos tempos áureos do projeto e até dois anos atrás – antes dos problemas operacionais aumentarem – realizava quase 2 mil viagens/dia. O Bike PE hoje opera com apenas 20% da quantidade de bicicletas previstas – que deveriam ser 800 unidades.

 

Atualmente, sistema sofre com a queda de viagens porque não há bicicletas e são muitas falhas de conectividade nas estações

 


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