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Exclusivo: Documento comprova erro da SDS sobre pedido de perícia em quarto de motel

27 / jun
Publicado por Raphael Guerra às 11:57

Corpo de empresário foi encontrado dentro de motel em Olinda. Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem
Corpo de empresário, investigado pela Polícia Federal, foi encontrado dentro de motel em Olinda. Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

A polêmica sobre a perícia não realizada dentro do quarto onde o empresário Paulo César Barros Morato foi encontrado morto, no motel Tititi, em Olinda, ganha um novo capítulo. Um documento, obtido com exclusividade pelo RondaJC,  comprova que, na madrugada do dia 23, a delegada Gleide Ângelo solicitou perícia papiloscópica no local para fornecer provas que pudesse contribuir com as investigações.

A Secretaria de Defesa Social (SDS) havia informado à imprensa, em nota oficial, que os peritos foram ao local “espontaneamente” e “sem ordem superior”. Ao chegar ao motel, a equipe recebeu a determinação de deixar o local sem a realização da perícia – o que chamou a atenção, já que se trata de um caso tão complexo.

Diferente do que foi informado pela SDS, ofício solicitou nova perícia
Diferente do que foi informado pela SDS, ofício solicitou nova perícia

O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) seguiu, no final da manhã desta segunda-feira (27), ao Ministério Público para solicitar investigações sobre o cancelamento dessa perícia – considerada fundamental para esclarecer detalhes sobre a morte misteriosa do empresário, investigado pela Polícia Federal de Pernambuco pela suspeita de envolvimento em esquema de caixa dois para irrigar campanhas políticas do ex-governador Eduardo Campos (PSB). Ele seria um dos financiadores do jatinho usado pelo presidenciável durante campanha, em 2014. Até agora, não se sabe se foi suicídio, morte natural, envenenamento ou, em último caso, homicídio.

Em uma dura nota oficial, a diretoria do Sinpol-PE afirmou que o cancelamento da perícia, ordenado pela SDS, beira o “facismo” e que o Estado estaria se sabotando “para atender interesses políticos e particulares, favorecendo a corrupção e a ocultação de graves crimes”.

À imprensa, na quinta-feira passada (23), a gestora de Polícia Científica de Pernambuco, Sandra Santos, afirmou que houve uma falta de comunicação, pois, segundo ela, não havia a necessidade dessa perícia, já que todas as coletas necessárias haviam sido feitas na noite em que o corpo do empresário foi encontrado. Em reserva, porém, profissionais da área de segurança questionaram a atitude. Segundo eles, havia sim a necessidade da perícia papiloscópica no dia seguinte.

Leia nota oficial da SDS, divulgada nesse domingo (26):

A SDS esclarece que todas as perícias necessárias e solicitadas pela autoridade policial responsável pelo inquérito foram coletadas pela equipe de peritos que estiveram no local do crime, acompanhando a Força-Tarefa do DHPP na noite da quarta-feira (22). Entretanto, uma equipe de peritos papiloscopistas se dirigiu espontaneamente e sem ordem superior na manhã da quinta-feira (23) ao motel onde o empresário Paulo Cesar Morato foi encontrado morto, a pretexto de realizar uma perícia complementar no local, razão pela qual recebeu ordem para retorno. O quarto onde o corpo foi localizado foi liberado após a conclusão dos trabalhos. Desde que a Secretaria de Defesa Social tomou conhecimento de que a vítima se tratava de um foragido da Operação Turbulência, desencadeada pela Polícia Federal, imediatamente manteve contato com a Superintendência do Órgão (a quem cabe a investigação sobre o envolvimento do morto em crimes de corrupção) disponibilizando informações e entregando inclusive o material apreendido com Paulo Morato (celulares, pendrives, documentos e objetos pessoais).


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