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Delegados são culpados pelo excesso de inquéritos parados nas delegacias?

01 / ago
Publicado por Raphael Guerra às 8:25

Patrícia Domingos está sendo investigada pela Corregedoria da SDS. Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Causa estranheza a nova polêmica envolvendo a delegada Patrícia Domingos, que esteve à frente da Delegacia de Crimes Contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp). A Secretaria de Defesa Social alega que a investigação foi instaurada em desfavor da delegada porque um relatório do Ministério Público de Pernambuco apontou que havia centenas de inquéritos prescritos, por não terem sido conduzidos em tempo hábil, e que outras centenas eram de crimes que não eram de responsabilidade da especializada.

Todo servidor público é passível de uma sindicância administrativa. Mas vamos aos fatos: a delegada Patrícia Domingos contava com a ajuda de apenas um delegado e outros poucos policiais civis para comandar mais de 1 mil inquéritos que estavam em aberto. Investigações, inclusive, que foram instauradas até quatro, cinco anos antes de Patrícia assumir o posto de titular da delegacia. É humanamente impossível um controle de todos os casos. A Polícia Civil sabe disso.

Ora, a mesma realidade vivem os delegados que fazem parte do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por exemplo. São quase 6 mil inquéritos sem solução – sob a responsabilidade de menos de dez delegados. Há investigações de casos registrados na década passada, como revelou reportagem publicada pelo Ronda JC. Com um déficit histórico de profissionais, esses delegados também devem ser punidos pelo atraso na apuração de todas essas mortes?

Tem mais: se não basta o acúmulo de inquéritos nas delegacias em que são titulares, delegados ainda são convocados para acumular mais de uma delegacia no período em que um colega está em férias ou licença prêmio. Em fevereiro deste ano, um levantamento deste blog revelou que ao menos 30 delegacias sequer tinham delegados titulares. E quem responde por esse problema crônico? O chefe da Polícia Civil? O secretário de Defesa Social?

A Corregedoria da SDS precisa acelerar esse processo administrativo para dar esclarecimentos à sociedade, afinal é uma investigação que gera questionamentos inflamados sobre uma possível perseguição política a uma profissional que fez críticas à extinção (também questionável) de uma delegacia que combatia a corrupção e que chegou a indiciar criminalmente, às vésperas de uma eleição, um político da alta cúpula do PSB estadual.


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