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‘A Moscou! ! Um Palimpsesto’ faz reescrita da peça ‘As Três Irmãs’

08 / fev
Publicado por Márcio Bastos às 13:34

Sonhos e frustrações de três irmãs movem ‘A Moscou’. Foto: Diego Bresani/Divulgação

As Três Irmãs, clássico de Anton Tchekhov (1860 – 1904), foi o ponto de partida para a Companhia Setor de Áreas Isoladas (DF) desenvolver o espetáculo A Moscou! Um Palimpsesto. Mas, ao invés de montar o texto do autor russo, o coletivo decidiu usá-lo como ponto de partida para desenvolver suas próprias questões e dialogar com o contemporâneo. Os artistas brasilienses apresentam a peça sexta-feira (8), às 20h, no Teatro Barreto Júnior, dentro do Festival do Teatro Brasileiro.

Como indica o título – um palimpsesto é um pergaminho cujo texto original foi apagado para permitir uma atualização – A Moscou… é uma reescrita da obra de Tchekhov. Ada Luana, que além de estar em cena é responsável pela concepção, direção e dramaturgia da peça, disse que sua intenção era ter “carta branca” para criar a partir do original.

Assim, as irmãs Olga, Macha e Irina, cheias de sonhos, principalmente o de voltar a Moscou após viverem anos em uma cidade remota, são trazidas para nosso tempo.

“Acho que a gente precisa trazer os clássicos para o nosso contexto. No nosso caso, foram duas razões principais. A primeira é que estávamos há um tempo sem montar, cada integrante tendo que realizar outra atividade para pagar as contas. Comecei a provocar o grupo e só me vinha à cabeça essa peça, a ideia de não deixar o tempo degradar os sonhos. O outro ponto é que, quando começamos a montar, o Brasil já vivia um momento político e econômico conturbado, pós-golpe, que culminou no resultado das últimas eleições”, explica Ada.

A ideia de partir e recomeçar impulsiona as irmãs, mas elas nunca chegam a se movimentar de fato. A introdução de Natasha, namorada do irmão delas, o recluso Andrei, no núcleo familiar funciona como um detonador da deterioração desses planos, pois expõe as visões distintas de mundo.

Enquanto elas, fruto de uma aristocracia em decadência vivem do passado, a cunhada representa uma burguesia com sonhos de viagem a Miami, piscina no quintal e porcelanato no lugar do jardim.

“Um aspecto fascinante dos textos de Tchekhov é que a ação sempre se passa antes de um grande fato acontecer. É quase como um prelúdio. Além disso, os personagens são complexos. As irmãs, por exemplo, vivem da nostalgia, do sonho, acho que um pouco o que estamos vivendo no País”, reforça a atriz e diretora.

Em A Moscou! Um Palimpsesto, a música assume um lugar de destaque, assim como a luz, e dialogam diretamente com a dramaturgia. Utilizando metalinguagem, o grupo também quebra a quarta parede em diversos momentos, compartilhando também parte do processo de criação.
Ada divide a cena com na Paula Braga, Camila Meskell, Taís Felippe e os músicos Filipe Togawa, Kalley Seraine. Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia).

MARATONA

Além de A Moscou! Um Palimpsesto outras montagens acontecem nesta sexta-feira dentro da programação do FTB e do Janeiro de Grandes Espetáculos, a Anti Status Quo Cia de Dança apresenta a intervenção urbana Camaleões, às 15h, na Rua da Imperatriz.

Às 20h, o espetáculo de dança contemporânea O Vazio é Cheio de Coisa, da Cia. Nós no Bambu, sobe ao palco do Teatro Luiz Mendonça. ngressos: R$ 20 e R$ 10.

Em Camaragibe, na Rua Elisa Cabral, às 15h, o Grupo Teatral Risadinha apresenta o infantojuvenil A Fuzarca. Às 19h30, no Clube Guarany, também localizado na cidade, o Grupo Matraca encena Um Minuto Para Dizer Que Te Amo. Ambas as apresentações são gratuitas.


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