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Desigualdade em Pernambuco diminuiu, mas isso pode não ser tão bom assim

24 / abr
Publicado por Leonardo Spinelli às 17:06

Os números mostram que houve uma redução geral do rendimento médio no Estado oriundo do trabalho. Foto: Rodrigo Lobo / Acervo JC Imagem

Em 2017 o Estado de Pernambuco ficou menos desigual, de acordo com o dados levantados na PNAD Contínua anual divulgada em abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pelos números, o índice de Gini do rendimento domiciliar per capta, indicador que mede o nível de desigualdade de uma sociedade, caiu de 0,578 em 2016, para 0,557, uma redução de 3,63%. Pelo índice de Gini, o número 1 representa a desigualdade total, com uma pessoa recebendo todos os rendimentos, e zero significa que esse rendimento é igual para todos.

O resultado obtido pelo Estado revela uma performance melhor do que a registrada no Brasil, que se manteve estável em 0,549 de um ano para o outro e também melhor em relação ao Nordeste, que registrou um aumento de 2,16% na desigualdade, passando de 0,556 em 2016, para 0,567 em 2017.

Apesar da evolução registrada em Pernambuco, a redução da desigualdade, aparentemente, não traz um bom resultado embutido. Isso acontece porque, apesar de ter havido uma redução na diferença de rendimento entre os mais ricos em relação aos mais pobres, a aparente melhoria nas diferenças esconde um dado também presente na PNAD Contínua de 2017. As pessoas que ganham mais em Pernambuco ficaram menos ricas.

Os números mostram que houve uma redução geral do rendimento médio no Estado oriundo do trabalho, caindo em até 9,34% quando descontada a inflação, saindo de uma renda de R$ 1.830 em 2016, para R$ 1.659 no ano passado. No Brasil essa relação é de uma queda de 1,37% e, no Nordeste, um ganho de 2,48%. A participação do trabalho na renda das famílias, no Estado, também caiu em 4,78% de um ano para o outro.

Outro dado que reforça a queda geral na renda dos pernambucanos é a massa do rendimento mensal, que foi reduzida em 10,58% segundo os dados da pesquisa do IBGE. No Brasil essa queda foi de 1,72%. Esses números tiram o efeito da inflação.

Quando separados por nível de rendimento, a queda fica evidente em todas as classes sociais em Pernambuco. Os 5% mais pobres, por exemplo, tiveram uma redução de 29% no rendimento do trabalho de um ano para o outro. Já ganhavam muito pouco em 2016, com um rendimento médio de R$ 74, caindo para R$ 52. Já a parcela da população que se concentra entre os 1% mais ricos teve uma redução de 23%, caindo de R$ 27.716 para R$ 21.330. Só não tiveram redução de rendimento a faixa entre 30% a 50% da população com rendimentos na faixa de R$ 900.

Para o pesquisador da Agência Condepe/Fidem, Rodolfo Guimarães, quando há uma diminuição da desigualdade no caso do gini, a distribuição de todos os rendimentos dos domicílios ficou mais homogênea. “Na época do boom econômico, o pesquisador Marcelo Neri  (FGV Social) falava que os muito pobres tiveram um ganho percentual maior que a média dos mais ricos, os ricos de pesquisa domciliar, já que os muito ricos não aparecem nessa amostra da PNAD. O que a gente tem é uma distribuição de outras fontes”, salientou.

O próprio Marcelo Neri também falou ao blog e explicou que a conta da desigualdade neste momento deve ser analisada também sob a luz da produção de riqueza. Ele diz que prefere morar num país mais desigual, mas em que todas as classes tenham aumento dos ganhos. Nessa lógica, o mais pobre, apesar de ter uma distância maior de rendimento em relação ao mais rico, ficou menos pobre. “É importante combinar as duas bases. A PNAD pega 90% da população e os dados do Imposto de Renda pega melhor os 1% mais ricos. Quando fazemos esse execício, aprendemos muito sore a desigualdade, mas também sobre a riqueza e prosperidade. O dado básico que precisamos responder é: qual a renda da sociedade e quanto cresce?”, ponderou.

É provável que quando saírem os dados do IR, haja um distanciamento, ou um acréscimo na desigualdade em Pernambuco, mas o que a PNAD nos mostra que o Estado ficou mais pobre.

Confira os números clicando no link abaixo:

Tabela PNAD Contínua 2017


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