GOIÁS

"Os policiais foram para matar, não para prender", diz viúva de Lázaro Barbosa, o 'serial killer de Brasília'

Lázaro morreu baleado após 20 dias de uma operação de busca que mobilizou quase 300 policiais

Amanda Azevedo AFP
Amanda Azevedo
AFP
Publicado em 28/06/2021 às 18:29
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SERGIO LIMA / AFP
OPERAÇÃO Familiares disseram que se dispuseram a fazer Lázaro se entregar, mas não foram ouvidos - FOTO: SERGIO LIMA / AFP
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Após a morte de Lázaro Barbosa, 32 anos, nesta segunda-feira (28), a viúva dele afirmou, em entrevista à Record TV, que a intenção dos policiais envolvidos nas buscas sempre foi matá-lo, não prendê-lo.

"Os policiais sempre foram para matar, não pra prender. Se quisessem ter o Lázaro vivo, eles teriam. Nós nos disponibilizamos a ir na mata com eles, e ele se entregaria", disse a mulher.

Além da viúva, uma tia de Lázaro afirmou que a ação da polícia foi exagerada.  "Atiraram nele demais, não precisava tudo aquilo. Por que não deram um 'tirinho' ou dois na perna, para depois investigar e interrogar? Mas foi muito cruel", disse.

Lázaro morreu baleado após atirar contra policiais em Águas Lindas de Goiás, depois de 20 dias de uma operação de busca que mobilizou quase 300 policiais.

Fotos e vídeos divulgados nas redes sociais mostram policiais carregando uma pessoa ensanguentada, aparentemente sem vida, a qual colocam em uma ambulância antes de se abraçarem gritando: "Acabou!".

O secretário de Segurança Pública do estado de Goiás, Rodney Miranda, informou que Lázaro Barbosa, 32 anos, morreu após um confronto com as forças de segurança, durante o qual chegou a "descarregar uma pistola", nos arredores da cidade de Águas Lindas em Goiás.

"CPF cancelado", escreveu o presidente Jair Bolsonaro no Twitter, parabenizando a polícia por "dar fim ao terror praticado pelo marginal Lázaro". "O Brasil agradece! Menos um para amedrontar as famílias de bem. Suas vítimas, sim, não tiveram uma segunda chance", acrescentou.

Segundo Rodney Miranda, Lázaro foi localizado em uma casa, juntamente com a ex-mulher e a e ex-sogra, que estão sendo interrogadas. O secretário afirmou que o foragido contava com o apoio de "uma rede que lhe dava proteção", sem poder afirmar se as duas mulheres faziam parte dela. Na semana passada, a polícia prendeu um fazendeiro acusado de ter escondido o suposto assassino por cinco dias.

A operação de busca, que mobilizou quase 300 policiais com drones, helicópteros e cães farejadores, começou em 9 de junho, depois que quatro membros de uma família da zona rural de Ceilândia, no Distrito Federal, foram esfaqueados até a morte. Durante sua fuga, Lázaro manteve três membros de uma família reféns, que, depois, foram resgatados pela polícia.

A operação se concentrou na região de Cocalzinho de Goiás, uma pequena cidade no coração do Cerrado, a 75 km da capital do país. Por mais de três semanas, os moradores da região ficaram aterrorizados por temerem a presença do chamado "serial killer de Brasília".

Lázaro Barbosa, natural da Bahia, tinha uma longa experiência na arte de fugir da polícia. Preso em 2011 por roubo e estupro, ele fugiu da prisão em 2016. Foi novamente detido e voltou a fugir em 2018 de um presídio de Águas Lindas.

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