Museu do Trem do Recife perde locomotiva para o Rio Grande do Norte

Maria Fumaça encontra-se na capital pernambucana desde o fim dos anos 90. Foi reivindicada pelo governo potiguar há dez anos
Da Editoria Cidades
Publicado em 09/10/2014 às 8:08
Foto: Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem


Disputada há dez anos pelos governos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, uma locomotiva de ferro a vapor, de fabricação inglesa, despede-se da cidade do Recife nesta sexta-feira, 10 de outubro. A Justiça deu ganho de causa ao Estado potiguar, que moveu a ação, e a máquina deixará a antiga Estação Central, no bairro de São José, onde se encontrava desde os anos 90.

Em abril de 1916, a locomotiva inaugurou a Ponte do Igapó, na cidade de Natal, diz André Cardoso, representante em Pernambuco da ONG nacional Amigos do Trem. Esse seria um dos motivos que teria levado o governo do Rio Grande do Norte a reivindicar a máquina. De acordo com André, a locomotiva não era usada no transporte de passageiros, mas em manobras de vagões nos pátios.

Na década de 50, com a substituição do vapor pelo diesel, o trem só não foi desmontado porque o ferroviário potiguar Manoel de Souza deu um jeito de esconder a máquina, conta André Cardoso. Tempos depois, nos anos 70, a Rede Ferroviária trouxe a locomotiva do Rio Grande do Norte e usou como peça decorativa na frente da sede da RFFSA, no bairro de São José.

Só no fim da década de 90 a máquina, conhecida como Catita, por ser de pequeno porte, passou a integrar o acervo do Museu do Trem, instalado na Estação Central, ao lado do prédio da RFFSA. Na lateral do trem estão pintadas as iniciais da empresa inglesa Great Western of Brazil Railway, além do número 3 no sino. Há, ainda, uma placa com duas datas (1902-1882) e o nome do fabricante, R & W Hawthorn Engineers, da cidade de New Castle upon Tyne.

Para André Cardoso, consultado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), essa não é a locomotiva número 3 do Recife. “A nossa também era de manobras, mas o modelo é diferente”, diz ele. “Outro consultor argumenta que a pintura feita na máquina (as iniciais G.W.B.R. e o número 3) não é original, pois o comum seriam as letras em relevo”, comenta Adonias Ferreira, funcionário da Fundarpe.

Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
Museu do Trem do Recife perde locomotiva para o Rio Grande do Norte - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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Máquina inglesa decorava o prédio-sede da RFFSA, no Recife, antes de ser levado ao Museu do Trem - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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Catita, a locomotiva reivindicada pelo Rio Grande do Norte, é uma máquina de fabricação inglesa - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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Máquina inglesa decorava o prédio-sede da RFFSA, no Recife, antes de ser levado ao Museu do Trem - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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Locomotiva estava no Museu do Trem do Recife desde os anos 90 e voltará ao Rio Grande do Norte - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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A locomotiva Catita, que deixará o Recife, era usada em manobras nos pátios de estações ferroviárias - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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Vagão para transporte de cana-de-açúcar, do acervo do Museu do Trem, também sairá do Recife - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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Reboque levado para o Museu do Trem do Recife, em 1975, foi reivindicado pelo governo potiguar - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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Reboque levado para o Museu do Trem do Recife, em 1975, foi reivindicado pelo governo potiguar - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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Governo do Rio Grande do Norte pediu a Catita e o vagão de carga, que transportava cana-de-açúcar - Foto: Rodrigo Carvalho/JC Imagem
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Estação Central do Recife, no bairro de São José, foi construída de 1850 a 1856, no século 19 - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Prédio da antiga estação, no Recife, reabrirá como espaço cultural, a Estação Central Capiba - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Escada interna da Estação Central, refeita durante a obra de restauração do prédio, de 2009 a 2010 - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Espaços internos da Estação Central, no Recife, em fotografia tirada no mês de fevereiro de 2014 - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Espaços internos da Estação Central, no Recife, em fotografia tirada no mês de fevereiro de 2014 - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Prédio da Estação Central, em fevereiro de 2014, sendo preparado para receber o Museu do Trem - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Prédio da Estação Central, em fevereiro de 2014, sendo preparado para receber o Museu do Trem - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Vitral da fachada do prédio da Estação Central, em fotografia tirada no mês de fevereiro de 2014 - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Pátio do Museu do Trem, na Estação Central do Recife, com exposição de troles, locomotivas e vagões - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Pátio do Museu do Trem, na Estação Central do Recife, com exposição de troles, locomotivas e vagões - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Pátio do Museu do Trem, na Estação Central do Recife, com exposição de troles, locomotivas e vagões - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Pátio do Museu do Trem, na Estação Central do Recife, com exposição de troles, locomotivas e vagões - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Pátio do Museu do Trem, na Estação Central do Recife, com exposição de troles, locomotivas e vagões - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Maria Fumaça e carroças para transporte de carga fazem parte do acervo do Museu do Trem do Recife - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Trens na antiga Estação Central do Recife, que será reaberta pela Fundarpe como espaço cultural - Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

 

“Temos a memória oral dos consultores, mas o fato é que o Rio Grande do Norte venceu a disputa na Justiça”, diz Adonias. “Por causa do litígio, não podíamos restaurar a locomotiva, que está bem estragada. Nesse tempo todo, só era feita higienização”, acrescenta o artista plástico Márcio Almeida, responsável pelo projeto de reabertura do Museu do Trem, na Estação Central, em andamento.

Terça-feira (7), a Fundarpe e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fizeram a última vistoria na Catita, para liberar a viagem até o Rio Grande do Norte. “Estamos cumprindo uma ordem judicial, nossa função é auxiliar a retirada da locomotiva, garantindo sua integridade”, diz Márcio Almeida.

Afora a Catita, o governo do Rio Grande do Norte levará um vagão para transporte de cana-de-açúcar, de fabricação inglesa, que faz parte do acervo do Museu do Trem desde 1975. As duas peças vão compor um futuro museu dedicado ao trem, em Natal. “Uma máquina de manobra não necessitava de reboque, essa carroceria não é da locomotiva”, alega André Cardoso.

A Estação Central, defronte à Praça Barão de Mauá, é uma construção do século 19. Passou por obras de restauração e funcionará como Estação Central Capiba, expondo as peças do acervo do Museu do Trem, primeiro museu ferroviário do Brasil, criado em 1972. No local há troles manuais e a motor, locomotivas inglesas e alemãs. A Fundarpe divulgará, em breve, a data de reabertura do prédio.

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