Entrevista

Mãe de menor morto em rebelião em Caruaru vai acionar Justiça

Garoto de 14 anos estava há cerca de um mês no Case Caruaru

Margarette Andrea
Margarette Andrea
Publicado em 01/11/2016 às 7:52
Guga Matos/JC Imagem
Garoto de 14 anos estava há cerca de um mês no Case Caruaru - FOTO: Guga Matos/JC Imagem
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A dona de casa Suzana Alves, de 31 anos, mãe de um dos sete menores mortos na rebelião da unidade da Funase em Caruaru, no domingo, diz, em entrevista ao JC, que vai acionar a Justiça contra o Estado. Ela conta que o filho, Charles Gutyerres Freitas de Souza, 14, estava na unidade há cerca de um mês e foi apreendido por ter procurado o Conselho Tutelar de Sanharó para pedir ajuda, pois vinha sendo ameaçado de morte, após um roubo que praticou. 

JC – Como Charles foi preso?

SUZANA ALVES – Ele tinha praticado um roubo com outros meninos e resolveu se afastar dessa vida. Então ele mesmo procurou o conselho tutelar (de Sanharó) para pedir ajuda, porque estava sendo ameaçado pelos outros. Eu e o pai fomos com ele. Disseram que iam ajudar, procurar uma casa de apoio. A gente viu eles telefonando e esperava uma coisa boa. Mas estavam ligando para a delegacia para “prender” ele.

JC – E o que a senhora esperava que fizessem?

SUZANA – Que cumprissem o que prometeram. Que fizessem o dever deles de aconselhar.

JC – Foi como se tirassem a esperança dele de mudar de vida?

SUZANA – Foi. Charles ficou muito abalado. O semblante dele mudou. Ele passou oito dias quase sem comer, sem conversar com ninguém e depois tentou suicídio. Ele amarrou um lençol no pescoço. Fui conversar com ele e ele voltou a comer.

JC – E como a senhora soube da morte de Charles?

SUZANA – Ligaram da Funase e disseram que tinham uma má notícia. Falaram que ele estava no IML do Recife. Eu levei um choque na hora, não acreditei. Porque a gente cria um filho (ele pode ser o que for)... O juiz vai e bota pra um internamento... Que tipo de internamento é esse? Os internos queimaram eles vivos. Que governo é esse?

JC – A senhora pretende acionar a Justiça?

SUZANA – Sim, eu vou cobrar do governo. Já falei com outras mães. Vamos nos unir.

JC – Charles era um bom filho?

SUZANA – Pra mim, ele era perfeito. Carinhoso, me abraçava, me beijava. Tinha planos para o futuro.

JC – Que planos?

SUZANA – Ele queria comprar máquinas para costurar bolsas de escola e investir nesse ramo. Infelizmente esse sonho foi perdido. 


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