Patrimônio

Academia Pernambucana de Letras apresenta novo museu

O projeto une o museu à produção literária da Academia Pernambucana de Letras, situada nas Graças, Zona Norte do Recife

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 07/11/2018 às 9:56
Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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O solar do século 19 ocupado pela Academia Pernambucana de Letras no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, passou por mais uma mudança. “Deixamos de ser uma casa decorada e agora somos um museu com vocação direcionada às letras”, destaca a presidente da APL, Margarida Cantarelli. A nova arrumação do sobrado de arquitetura neoclássica será apresentada na próxima segunda-feira, 12 de novembro, a partir das 16h30, em solenidade aberta ao público.

Localizado na esquina da Avenida Rui Barbosa com a Avenida Doutor Malaquias, o Museu da Academia Pernambucana de Letras funciona na antiga residência do barão João José Rodrigues Mendes (1827-1893), português de nascimento e comerciante de bacalhau na cidade do Recife. No casarão de dois pavimentos, tombado como patrimônio brasileiro, há móveis que pertenceram ao barão e o acervo reunido pela APL ao longo de 117 anos.

Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
Museu da Academia Pernambucana de Letras, no Recife, reabre ao público dia 12 de novembro de 2018 - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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A Academia Pernambucana de Letras ocupa um casarão do século 19 nas Graças, Zona Norte do Recife - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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O casarão da academia era a residência do barão Rodrigues Mendes, comerciante de bacalhau no Recife - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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Sala com retratos dos ex-presidentes da Academia Pernambucana de Letras, nas Graças, Recife - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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Todo o acervo da Academia Pernambucana de Letras foi inventariado antes de ser colocado no museu - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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Quadros doados à Academia Pernambucana de Letras ocupam lugar de destaque no museu da academia - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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Escovas, espelho e calçadeira que pertenceram ao barão Rodrigues Mendes estão expostos no museu - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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A linha do tempo da Academia Pernambucana de Letras, no Recife, está montada no térreo do casarão - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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Antigo quarto do barão Rodrigues Mendes na casa hoje ocupada pela Academia Pernambucana de Letras - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem
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Antigo aposento do Doutor Malaquias no casarão onde funciona a Academia Pernambucana de Letras - Foto: Felipe Jordão/JC Imagem

 

“O museu está vinculado à nossa biblioteca, ambientamos o casarão de forma que o visitante se sinta estimulado a procurar a produção dos acadêmicos. Casa do século 19 com mobília da época nós encontramos no Brasil e no mundo. Nosso diferencial é a própria academia”, afirma Margarida Cantarelli ao explicar a nova proposta do museu. A articulação, diz ela, está mais evidenciada na Sala das Letras.

No salão, com piso doado pelo artista plástico Francisco Brennand em 1971, estão expostos livros de acadêmicos. Nas prateleiras das estantes, as publicações são associadas ao número da cadeira que eles ocuparam ou ocupam na APL. Em gavetas abertas o visitante encontrará livros com dedicatórias de um escritor para o outro, representando a amizade entre os autores; e tablets que podem ser usados para pesquisas sobre os acadêmicos.

Tempo

O projeto museográfico inclui a linha do tempo da Academia Pernambucana de Letras, da fundação em 26 de janeiro de 1901 até os dias atuais, com alguns destaques, como um exemplar da revista número 1 da academia e uma fotografia da primeira mulher a ocupar uma cadeira na instituição, Edwiges de Sá Pereira, eleita em 10 de abril de 1920. A sala de reunião dos 40 acadêmicos fica no antigo salão de banquete do barão.

Oito cadeiras originais do salão de banquetes (eram 24) compõem o cenário na sala com retratos da família, onde se vê o barão Rodrigues Mendes e a esposa, Eugênia Francisca da Costa; e o doutor Malaquias (genro do barão e que batiza a avenida ao lado do solar da Academia Pernambucana de Letras) e a esposa, Joana. O quarto do barão, com janelas voltadas para o pomar, e o quarto de doutor Malaquias, de dimensões generosas, também compõem o museu da academia.

Duas áreas ambientadas com poucos móveis (Sala Olegário Mariano e Sala das Letras) servirão para recitais, diz Margarida Cantarelli, acrescentando que o espaço de leitura está disponível a quem deseja estudar num ambiente calmo, sem cobrança de taxa. O local também foi preparado para exibição de filmes e documentários.

Arte

A coleção de quadros da academia ganhou mais visibilidade numa sala especial e em outros ambientes do museu. Margarida Cantarelli chama a atenção para a tela com uma natureza morta assinada pelo pintor modernista Vicente do Rêgo Monteiro (1899-1970) e um quadro pintado por Joaquim Maria Carneiro Vilela (1846-1913), um dos fundadores da APL.

A reorganização do sobrado começou com a obra de restauração do imóvel, iniciada em agosto de 2015 na gestão da acadêmica Fátima Quintas, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informa Margarida Cantarelli. Para a montagem do museu a Academia Pernambucana de Letras usou recursos de doações e do BNDES. Ingressos para o museu custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (estudantes, professores e idosos). Visitas podem ser agendadas pelo número (81) 3268-2211 a partir de 12 de novembro.

A reabertura do museu coincide com o aniversário de morte do barão, em 11 de novembro de 1893. “O enterro saiu do casarão no dia 12 de novembro, há 125 anos, seguido por 75 carruagens”, diz Margarida Cantarelli.

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