VÍTIMAS

Saiba quem são os feridos já identificados no acidente do metrô do Recife

Colisão entre dois trens na estação Ipiranga, na linha Centro, provocou pânico e deixou mais de 30 pessoas feridas

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 18/02/2020 às 8:29
Notícia
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Leitura:

Um grave acidente entre dois trens do metrô do Recife deixou várias pessoas feridas na manhã desta terça-feira (18), na estação Ipiranga, que fica na linha Centro. Por causa do acidente, a Linha Centro do Metrô está paralisada. A Secretaria Estadual de Saúde contabilizou pelo menos 60 vítimas, socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e pelo Corpo de Bombeiros. Até agora, a identificação de nove pessoas foi divulgada.

» Confira o Especial: Metrôs – Uma conta que não fecha

» Roberta Soares: Colisão entre dois trens no metrô do Recife é ferimento profundo no modal

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), 26 vítimas foram levadas para UPA da Imbiribeira. Dessas, seis já receberam alta até às 12h desta terça e 19 estão realizando exames ou em observação. Outras 14 vítimas foram socorridas para a UPA da Caxangá. Metade delas permanece em observação. A UPA do Curado recebeu 5 feridos e todos já receberam alta. Sete vítimas deram entrada na UPA do Ibura. Dessas, três receberam alta e quatro estão em observação.

Ainda segundo a SES-PE, o Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby, área central do Recife, recebeu oito pacientes em sua unidade de trauma. A secretaria afirmou que todos as vítimas que deram entrada em suas unidades de saúde estão estáveis. Além dessas, o Samu socorreu duas pessoas para a Policlínica Agamenon Magalhães, uma para o Hapvida (1) e outra para o Unimed.

O Corpo de Bombeiros afirmou que nenhuma vítima apresenta risco de morte até o momento e todas já foram retiradas da plataforma do metrô e levadas até hospitais da cidade. Todas serão submetidas a exames de imagem, para avaliar possíveis lesões.

Hospital da Restauração

  • Michele Morgan de Lima, de 40 anos;
  • Elizabeth Paula de Souza, de 48 anos;
  • Marcos Antônio Galdino da Silva, 43 anos;
  • Sandra da Silva Alcântara Santos, 44 anos;
  • Marivaldo Antônio Nascimento, de 19 anos;
  • Lucas Cícero Santos da Silva, de 18 anos;
  • Maria José da Silva Santos, 39 anos;
  • Aldileide Dias Santos, 51 anos.

UPA da Caxangá

  • Odenir de Souza Cardoso, 36 anos.

UPA da Imbiribeira

  • Ivana Gabriela Pinheiro da Hora, 30 anos.

Foto: Wellington Lima/JC Imagem
A colisão entre dois trens do Metrô do Recife aconteceu na manhã desta terça (18) - Foto: Wellington Lima/JC Imagem
Foto: Wellington Lima/JC Imagem
Estação Ipiranga, onde aconteceu o acidente que deixou mais de 60 feridos nesta terça-feira (18) - Foto: Wellington Lima/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
- Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
- Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
A colisão entre dois trens do Metrô do Recife aconteceu na manhã desta terça (18) - Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
A colisão entre dois trens do Metrô do Recife aconteceu na manhã desta terça-feira (18) - Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
- Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
- Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
A colisão entre dois trens do Metrô do Recife aconteceu na manhã desta terça (18) - Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
- Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
- Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
- Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
- Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Foto: Wellington Lima/JC Imagem
- Foto: Wellington Lima/JC Imagem
Foto: Wellington Lima/JC Imagem
A colisão entre dois trens do Metrô do Recife aconteceu na manhã desta terça (18) - Foto: Wellington Lima/JC Imagem
Foto: Wellington Lima/JC Imagem
- Foto: Wellington Lima/JC Imagem
Foto: Wellington Lima/JC Imagem
A colisão entre dois trens do Metrô do Recife aconteceu na manhã desta terça (18) - Foto: Wellington Lima/JC Imagem
Foto: Wellington Lima/JC Imagem
A colisão entre dois trens do Metrô do Recife aconteceu na manhã desta terça (18) - Foto: Wellington Lima/JC Imagem
Foto: Wellington Lima/JC Imagem
- Foto: Wellington Lima/JC Imagem
Foto: Wellington Lima/JC Imagem
A colisão entre dois trens do Metrô do Recife aconteceu na manhã desta terça (18) - Foto: Wellington Lima/JC Imagem

Causa

Um trem estava parado na estação quando outro, que vinha de Jaboatão dos Guararapes, bateu no veículo. O relato dos passageiros é de que, com a colisão, pessoas caíram por cima das outras, as luzes se apagaram e havia muito sangue nos vagões. Muitos usuários ficaram nervosos e chegaram a desmaiar.

O laudo técnico para saber o que ocasionou o acidente sairá em 15 dias, de acordo com o perito criminal do Instituto de Criminalística Haroldo Azevedo. O especialista conta que ainda não há suspeita sobre o que ocasionou o acidente.

Relatos

"Eu estava no último vagão vindo de Jaboatão e ia descer em Joana Bezerra, porque trabalho em Paulista. Minha sorte foi que eu estava sentada, o que é raro, e quando foi se aproximando da estação houve o impacto. Todo mundo caiu no chão, quem estava em pé não conseguiu se equilibrar. Ainda ajudei algumas pessoas a se levantar. Quando conseguimos descer do metrô, foi quando vimos a situação. O primeiro vagão de Jaboatão com o primeiro de Camaragibe, que estava parado, foi onde teve o maior estrago", contou a professora Joseana de Oliveira, de 51 anos, que usa metrô todos os dias.

"Foi muito rápido, quando vimos foi aquela colisão, gente caindo por cima dos outros, tudo apagou e parte do material do teto caiu. Parecia que o trem estava saindo dos trilhos. O pessoal começou a ficar nervoso, teve gente que desmaiou dentro do metrô. Quando saímos tinha muito sangue espalhado pelos vagões e gente deitada na plataforma. Foi um pânico geral", disse Fabiana, passageira de um dos trens que vinha de Jaboatão dos Guararapes.

O artesão Giovani Quirino, 45, foi à UPA da Caxangá quando soube que sua amiga, a artesã Odenir de Souza Cardoso, 36, foi ferida no acidente. Quando a visitou na unidade de saúde pela manhã, não sabia se teria alta no mesmo dia. “Ela está sentindo muitas dores, e desconfortável porque estava com aquele colar cervical e a maca dos bombeiros. Ela disse que só viu o impacto, todo mundo caindo, que voou. Foi jogada em cima dos ferros e machucou o quadril, o fêmur e a coluna”, fala.

Os dois realizam trabalho voluntário no Hospital Oswaldo Cruz e é para lá que a mulher se deslocava no momento do acidente. “Ela estava vindo do Curado. Ela tinha feito integração no TIP e pegado um metrô. Estava indo em direção à Estação Central. Todos os dias ela faz esse percurso, quando não pega carona”, diz.

A cuidadora Ivana Gabriela, 30, também vinha da Estação Jaboatão. “A gente estava conversando, entretido, quando vê, foi só a pancada, como se o trem tivesse descarrilhado. Quando viu, estava todo mundo um em cima do outro. Eu caí por cima de um senhor e machuquei o pescoço”, relatou. Mesmo com o acidente, ela seguiu para a casa da idosa de 84 anos de que cuida. “Eu fui para o trabalho, só tava doendo e não tinha acontecido nada. Só que, depois que o corpo esfriou, aí o pescoço ficou duro e vi que machuquei o tornozelo”, falou. A dor a levou até a UPA da Imbiribeira, onde foi apontada uma distensão muscular. 

"Me sinto lesionada como passageira"

Ivana é uma das vítimas que usam o serviço diariamente. Para ela, esta é a opção viável. “Se eu for pegar ônibus, eu tenho que pagar uma passagem a mais, e o trabalho só fornece duas passagens por dia”, explica. Pelo metrô, a mulher vai até o Terminal Integrado Joana Bezerra, onde pega outro ônibus a caminho de Boa Viagem, sem custo extra. Após a série de reajustes escalonados que começaram no ano passado, as viagens saem a R$ 6,90 por dia. O preço, no entanto, ainda vai aumentar. Até março, cada passe custará R$ 4, elevando a soma para R$ 8 por dia. 

Mas o serviço não aparenta melhorar. “Quando não é isso, o metrô para e passa horas e horas, ninguém informa nada. Muitas vezes, em Jaboatão, a estação está fechada, ninguém fala que o metrô quebrou. Depois que passa 1 hora, meia hora lá, eles avisam que não vai ter”, reclama.

“Eu me sinto revoltada como a maioria dos usuários, que pagam passagem cara e não têm segurança, não têm comodidade. Eu me sinto lesionada como passageira”, afirma. 

O sentimento é similar ao do eletricista Cícero da Silva, 43, pai de Lucas Cícero Santos da Silva, 18, vítima da colisão. Os dois costumam usar o metrô com frequência. O filho, diariamente. “Na verdade, não sei como o metrô funciona de uma forma dessa. Porque a gente paga uma passagem cara e não vê nenhuma benfeitoria para o trabalhador. O certo mesmo era que pelo menos melhorassem as condições da rede ferroviária”, desabafa Cícero. 

O percurso de Lucas em direção ao trabalho começa na Estação Floriano, em Jaboatão, com sentido à Joana Bezerra, e pega um ônibus para Boa Viagem. Depois do acidente, o rapaz foi levado ao Hospital da Restauração, onde o pai o visitou ainda pela manhã. “Ele está sentindo alguns sintomas, dor na cabeça e no pescoço, que foi onde a pancada afetou”, conta Cícero. 

Secretaria cobra esclarecimentos da CBTU

Por meio do Procon-PE, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) notificou a CBTU ainda na manhã desta terça para que a companhia preste esclarecimentos, no prazo de 24 horas  sobre as constantes falhas no serviço oferecido à população. Um processo administrativo também foi instaurado. 

De acordo com SJDH, entre os pontos do processo instaurado são exigidas explicações e soluções para as paralisações do transporte metroviário, condições de uso do maquinário, necessidade de manutenção do maquinário, condições de segurança, ineficiência do serviço e planejamento de ações adotadas para melhoria do transporte e da segurança dos usuários.

Ainda segundo a Secretaria, no dia 27 de fevereiro será realizada uma audiência pública na Praça do Arsenal, no Bairro do Recife, às 9h para discutir a situação e necessidade de uma atuação conjunta com todos os órgãos interessados.

CBTU

De acordo com o assessor de imprensa da CBTU, Salvino Gomes, disse que em 35 anos nunca aconteceu algo desta magnitude e que uma sindicância será aberta para apurar o que ocasionou o acidente. Em 2012, um choque entre dois trens aconteceu na Estação Coqueiral e deixou três pessoas feridas. 

Reforço nos ônibus

Por causa da colisão entre dois trens do metrô do Recife, na manhã desta terça-feira (18) na estação Ipiranga, que integra a linha Centro, o Grande Recife Consórcio de Transporte montou um plano para auxiliar os usuários do metrô, que precisam do modal para se deslocar pela Região Metropolitana do Recife (RMR). Com a medida, diversas linhas de ônibus receberam reforço.

Segundo o Consórcio, as linhas de BRT TI Camaragibe (Conde da Boa Vista), TI CDU/TI Joana Bezerra foram reforçadas para atender a população afetada pelo problema no metrô. Além destas, a linha TI Camaragibe/ Derby fará viagens alternadas para o Terminal Integrado Joana Bezerra, na área central da capital pernambucana.

Ainda de acordo com o Grande Recife, as linhas convencionais Barro/Macaxeira (Várzea) e Barro/Macaxeira (BR-101) também foram reforçadas na manhã desta terça-feira (18). Com estas linhas, os usuários poderão ter acesso à linha TI Camaragibe/TI Macaxeira.

Com o problema desta manhã na linha Centro do metrô do Recife, a linha especial TI TIP/TI Camaragibe foi ativada e as linhas TI TIP (Conde da Boa Vista) e TI TIP (Derby) foram reforçadas.

Saindo de Jaboatão

Quem usa a Linha Centro do metrô, com origem na cidade de Jaboatão, pode contar com o reforço da linha Jaboatão (Parador), indo para o Centro do Recife. Foram ativadas as linhas especiais que fazem a ligação entre os terminais de Joana Bezerra/Afogados/Barro e Barro/Jaboatão.

Aumento de passagem

O metrô do Recife vem passando por reajustes escalonados desde 2019. O penúltimo aumento escalonado na passagem do metrô do Recife aconteceu no dia 5 de janeiro. Os usuários agora desembolsam R$ 3,70 para acessar as plataformas. O último reajuste ocorrerá no dia 7 de março deste ano, quando o bilhete terá o valor de R$ 4,00. Os sucessivos aumentos acontecem desde maio de 2019.

Em maio, a passagem, que custava R$ 1,60, passou para R$ 2,10. O segundo reajuste ocorreu em julho, e o valor foi para R$ 2,60. Em setembro, mais um aumento e o bilhete chegou a R$ 3. Já em novembro, chegou a R$ 3,40. O reajuste gradativo da tarifa foi autorizado pela juíza Maria Edna Fagundes Veloso, titular da 15ª Vara Federal Cível.

Newsletters

Ver todas

Fique por dentro de tudo que acontece. Assine grátis as nossas Newsletters.

Últimas notícias