Justiça

Família de jovem assassinado por policiais militares receberá indenização do Estado

Adolescente de 17 anos foi obrigado a pular no Rio Capibaribe com outros 16 jovens durante o Carnaval de 2006. Além dele, outro adolescente morreu afogado

Do JC Online
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Publicado em 17/12/2015 às 23:14
Foto: Renato Spencer/Acervo JC Imagem
Adolescente de 17 anos foi obrigado a pular no Rio Capibaribe com outros 16 jovens durante o Carnaval de 2006. Além dele, outro adolescente morreu afogado - FOTO: Foto: Renato Spencer/Acervo JC Imagem
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O juiz Mozart Valadares Pires, da 8ª Vara da Fazenda Pública da Comarca do Recife, condenou nesta quinta-feira (17) o Estado de Pernambuco a pagar uma indenização de R$ 350 mil para Zineide Maria de Souza e Israel Ferreira da Silva, pais de Zinael José de Souza, 17 anos, que morreu após ser torturado por policiais militares e obrigado a pular no Rio Capibaribe durante o Carnaval de 2006. Na decisão, o magistrado afirma que “o Estado deve receber uma penalidade pecuniária proporcional ao dano que causou, apesar de ser incomensurável o valor da vida humana”.

Zinael José e outros 16 adolescentes seguiam para o Bairro do Recife para brincar o Carnaval no dia 28 de fevereiro de 2006 quando foram apreendidos por oito policiais militares nas imediações do Cais de Santa Rita. Sob a acusação de que eles estariam fazendo arrastões na área, os PMs os levaram em duas viaturas para a Ponte Joaquim Cardozo, os agrediram e obrigaram a pular no Rio Capibaribe. Zinael e Diogo Rosendo Ferreira, 15 anos, não sabiam nadar e morreram afogados.

Em maio deste ano, quatro policiais acusados de participação na abordagem foram julgados e três deles foram condenados. O sargento Aldenis Carneiro da Silva e os soldados José Marcondi Evangelista e Ulisses Francisco da Silva receberam uma pena de 96 anos de reclusão por homicídio triplamente qualificado, pois os acusados não deram chance de defesa às vítimas, agiram por motivo fútil e de forma cruel. O PM Irandir Antônio da Silva foi absolvido porque ficou comprovado que ele permaneceu na viatura, cuidando das armas, e não teria participado do crime. Os condenados aguardam os recursos da defesa em liberdade.

O tenente Sebastião Antônio Félix, que seria o mentor do crime, foi julgado em julho deste ano e condenado a 150 anos e seis meses de prisão. Ele foi condenado por homicídio qualificado e 11 tentativas de homicídios. O acusado, que não foi afastado da PM, também aguarda o julgamento do recurso em liberdade. Outros três réus - os PMs Edvaldo Coelho Pereira Magalhães, Thiago Jackson Araújo e Weldes Felipe de Barros Silva - também devem ser julgados pela morte dos adolescentes, mas a data ainda não foi definida.

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