Especial Stanislávski

Stanislávski e a criação do Teatro de Arte de Moscou

A metodologia, presente até hoje no TAM, mergulhava num estudo meticuloso dos espetáculos e da dramaturgia. Escola já formou grandes nomes das artes cênicas

Mateus Araújo
Mateus Araújo
Publicado em 17/01/2013 às 6:15
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A metodologia, presente até hoje no TAM, mergulhava num estudo meticuloso dos espetáculos e da dramaturgia. Escola já formou grandes nomes das artes cênicas - FOTO: Reprodução
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O teatro do final do século 19 (seja na Rússia ou no restante do planeta, principalmente no eixo ocidental) era inquieto, e cada vez mais estava evidente a necessidade da criação de um novo jeito de se interpretar. Em 1898, um almoço no Stanislávski Bazar que se estendeu para uma reunião na casa de Stanislávski foi o ponto inicial de um projeto vanguardista. A partir daquele dia, Constantin encontrou em Vladimir Nemiróvich-Dânchenko o parceiro e alimentador das ideias que meses depois ergueram o Teatro de Arte de Moscou (TAM), para muitos, naquela época, um desejo ambicioso, utópico e inviável, mas que hoje é referência no mundo inteiro.

Como descreve o crítico de teatro brasileiro, de origem moldava, Jacó Guinsburg no livro Stanislávski e o Teatro de Arte de Moscou (Perspectiva), no dia da estreia, o TAM reunia “um elenco de 39 atores (23 homens e 16 mulheres, entre 20 e 23 anos), além do pintor Símov, do maquiador Gremislavski e do corpo técnico e administrativo”. O espaço era um teatro improvisado, no qual começaram os ensaios no dia 14 de junho.

A metodologia, presente até hoje no TAM, mergulhava num estudo meticuloso dos espetáculos e da dramaturgia. Entre obras clássicas de nomes como Shakespeare e Sófocles, os atores passavam a uma criação biográfica de seus papéis com exploração das lembranças. “Ele queria uma coisa que desse precisão ao trabalho do ator. Sem essa coisa do ‘santo baixar’, do improviso pelo improviso. Ele queria que o ator destrinchasse o personagem e fosse capaz de assumir paulatinamente aquele ser” explica o ator, professor e encenador Antonio Cadengue. A metodologia também exigia um ator preparado culturalmente e formava artistas que se debruçavam no estudo de informações e da literatura que dariam base aos seus personagens.

Em 1904, Stanislávski havia trabalhado sobre uma trilogia de obras de Maeterlinck, numa época em que o simbolismo começava a se estabelecer como um dos fatores determinantes da vida teatral russa. O diretor inaugurou o primeiro estúdio do TAM em 1912, para difundir o trabalho de experimentação da preparação dos artistas. Um discípulo e aluno do Teatro de Arte de Moscou foi Eugênio Kusnet, diretor importante do Teatro Arena de São Paulo.

 

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