Red Hot Chili Peppers revigorado em novo disco que lança hoje

A banda mudou o produtor com quem trabalhava desde 1990
JOSÉ TELES
Publicado em 17/06/2016 às 8:01
A banda mudou o produtor com quem trabalhava desde 1990 Foto: foto: divulgação


O Red Hot Chili Peppers chegou ao 11º disco de estúdio como quem passa de um primeiro álbum estourado para o desafio de uma sequência que pode lhe decidir a carreira. Im With You, o álbum anterior, de 2011, e estreia do guitarrista Josh Klinghoffer em lugar de John Frusciante, teve uma acolhida fria por parte da crítica e morna dos fãs. The Getway, o novo disco que lançam hoje (Warner Music), traz o grupop revigorado, com o pique que faltou a I'm With You. Se o vocalista Anthony Kiedis destilasse a mesma adrenalina dos tempos de Blood Sugar Sex Magik (1990) ou Californication (1999), seria um disco comparável a estes dois clássicos.

No auge da banda, Kiedis cantava como quem socava o microfone, sua interpretação suavizou­se, a ponto de se encaixar facilmente numa balada rock, Sick Love, impensável parceria do RHCP com dois dos maiores baladistas do rock, Elton John e Bernie Taupin. As lapadas no baixo desferidas por Flea seguem como uma das marcas que identificam o Red Hot Chili Peppers, já que Klinghoffer é de sutilezas na guitarra, embora The Getway tenha faixas ruidosas e pesadas. O disco é o caso de um time que voltou a jogar bem pela mudança no técnico.

Há anos com Rick Rubin, um produtor que se notabilizou, nos anos 80, por discos de rappers como LL Cool J e Run-­DMC, e dos Beasties Boys de Licensed to Ill, Rubin também amaciou e contribuiu para Adele virar a maior vendedora de álbuns das últimas décadas. Rick Rubin trabalhava com o RHCP há 25 anos, produziu­lhe todos os discos desde Blood Sugar Sex Magik.

Danger Mouse, nome de guerra do produtor americano Brian Burton, está por trás de The Getway. É como se tivesse pedido a Kiedis, Flea, Chad Smith e Klinghoffer que não se preocupassem em inovar, se reinventar, apenas fizessem música como nos anos 90, e deixassem com ele dar uma atualizada na sonoridade. É o que ocorre, por exemplo, com a faixa final, que lembra as canções lentas de Californication (1999), mas recheadas de "desandamentos", como uma guitarra nervosa, a bateria batendo descompassada, e uma parede sonora que, em dados momentos, soa como krautrock, o rock progressivo alemão. Não por acaso é a faixa mais longa do disco, com seis minutos. Não esquecendo que para mixagem o grupo foi buscar outro nome de peso, Nigel Godrich, produtor do Radiohead.

FUGA

Sexo e Califórnia, nem sempre nesta ordem, são os temas recorrentes na música do RHCP, sintetizado em Californication. Ambos os temas estão em The Getway, canção que abre o repertório do disco. Num batepapo online, há dois dias, Flea, Kiedis Klinghoffer e Chad Smith conversaram bastante sobre a banda e o novo trabalho (entrevista disponível no site do RHCP). Para Flea o título é algo complexo pra ele: "Porém me faz pensar sobre o grupo, que tem sempre sido um verdadeiro santuário pra mim, no caos deste mundo, me fazer capaz de manter estes laços de amizade, ter um lugar onde me sinto seguro".

Nem parece o músico que lembra, na aparência, o infame Charles Manson, e que é recordado no Brasil no palco do Hollywood Rock, chapado, dando uma canja, no show do Nirvana, com o trompete mais desafinado da história do rock and roll. Assim como Flea, a banda não mostra mais aquele ímpeto de quem tocava como se o mundo estivesse prestes a acabar. A faixa Goodbye Angels é uma das mais interessantes do álbum, porque começa como a banda parece estar agora com 33 anos de estrada. Do meio para o final, O grupo soa como era 25 anos atrás. Com Kiedis soltando a voz, e Flea atacando o baixo, em slaps furiosos.

O tempo e os excessos deixaram suas marcas no grupo, em todos os sentidos (dias atrás Anthony Kiedis foi internado com problemas nos rins), mas não impediu que o RHCP fizesse um de seus melhores disco.

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