CHUVA

Alagamentos atrapalham a produção econômica

Na indústria, a chuva traz impactos como dificuldade de escoamento da produção e o recebimento de matéria-prima

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 24/07/2019 às 21:17
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Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem
Na indústria, a chuva traz impactos como dificuldade de escoamento da produção e o recebimento de matéria-prima - Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem
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As fortes chuvas que caíram na Região Metropolitana do Recife (RMR) nas últimas horas também deixaram um rastro de prejuízo na economia. Não é possível mensurar o “estrago” em valor, mas os impactos são percebidos em todos as atividades que compõem o Produto Interno Bruto (PIB) – serviços, indústria e agropecuária. Em evento semelhante ocorrido no Rio de Janeiro, com registro de chuvas recorde nos dias 8 e 9 de abril, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) realizou um estudo do impacto das chuvas e estimou uma perda de R$ 39,8 milhões no PIB do setor. Em Pernambuco, os alagamentos e a dificuldade de mobilidade para chegar chegar ao local de trabalho foram os principais entraves à produção.

Na indústria, a chuva traz impactos como dificuldade de escoamento da produção e recebimento de matéria-prima, falta de energia elétrica/internet/telefone, alagamento no entorno da empresa e do parque industrial e ausência dos funcionários que não conseguem chegar ao local de trabalho.

Na Pamesa – fabricante de porcelanato, cerâmicas e revestimentos com fábrica em Suape, o ônibus que faz o transporte dos funcionários de um dos turnos de produção atrasou duas horas para chegar.

“Já temos uma infraestrutura precária em tempo seco, imagine com toda essa chuva em apenas 24 horas? Com os alagamentos, o trânsito trava os caminhões que não chegam para carregar com produtos, atrapalhando nosso faturamento. Outra questão significativa é a entrega de matérias-primas, porque a indústria moderna costuma trabalhar com produção just in time, otimizando seus estoques e diminuindo a exigência de capital”, destaca o presidente da Pamesa, Marcus Ramos Júnior. O empresário estima uma queda de 20% no movimento de caminhões por conta do impacto das chuvas, que é de 80 por dia.

Também instalada em Suape, a Frompet (fabricante de pré-formas para embalagens PET) enfrentou dificuldades com a chegada de colaboradores dos municípios de Abreu e Lima, Olinda e Paulista. O presidente Marcelo Guerra conta que alguns caminhões programados para buscar produtos também não conseguiram chegar ontem, mas que aguardada compensar a situação hoje.
A empresária Marcelle Sultanum, da Rishon Cosméticos, com fábrica em Afogados, conta que a principal dificuldade foi com o atraso na chegada dos funcionários. “Alguns colaboradores só conseguiram chegar por volta das 11h, quando os turnos começam entre 7h e 8h. Mesmo assim, ainda conseguimos funcionar a produção e foi melhor do que em outros dias críticos de chuva”, comenta.

“Seria preciso fazer um estudo para mensurar os impactos em valores, mas não é difícil imaginar a quantidade de negócios que deixaram se ser realizados por causa das chuvas. É como se fosse um dia perdido para a economia. Os funcionários das empresas não conseguiram chegar, não produziram, mercadorias deixaram se ser entregues, o setor de serviços funcionou de forma precária. Sabemos que se trata de um evento da natureza, mas ao mesmo tempo tem a questão da falta de investimento e da necessidade da educação. Nesse momento, por exemplo, está acontecendo um evento no Rio sobre cidade inteligentes e uma empresa apresentou uma espécie de sensor para bueiro, que avisa a prefeitura se tem objetos entupindo a passagem e apontando a necessidade de fazer a limpeza”, exemplifica o professor de economia da UFPE, Ecio Costa.

INFORMALIDADE

O economista da Ceplan Consultoria Ademilson Saraiva destaca o impacto a chuva para o comércio e o trabalho informal. “O comércio é diretamente afetado pela falta de circulação de clientes e que esse efeito acaba se prolongando com o adiamento das compras. Isso acaba refletindo na produtividade e na queda do salário real”, observa. “Em função da alta taxa de desemprego, as chuvas ainda vão impactar o trabalho informal, porque hoje muitas pessoas estão apostando nos aplicativos de veículos e em outras atividades informais para ter renda”, complementa.

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