TRAGÉDIA

Falta de combustível causou acidente com voo da Chapecoense, conclui Aeronáutica da Colômbia

As primeiras conclusões foram apresentadas pelas autoridades colombianas nesta noite

JC Online
JC Online
Publicado em 30/11/2016 às 22:46
Foto: RAUL ARBOLEDA / STR / AFP
As primeiras conclusões foram apresentadas pelas autoridades colombianas nesta noite - FOTO: Foto: RAUL ARBOLEDA / STR / AFP
Leitura:

Após um dia e meio de investigações, as autoridades colombianas apresentaram na noite desta quarta-feira (30) as primeiras conclusões sobre o acidente com o voo da Chapecoense. Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Aérea da Colômbia, da Aeronáutica, a aeronave estava sem combustível no momento da queda. As informações são do jornal Estado de São Paulo.

>>> Em Chapecó, mais de 20 mil pessoas prestam homenagem às vítimas

A falta de combustível indica a possibilidade de ter existido uma pane elétrica nos instantes anteriores ao acidente.

"Podemos afirmar claramente que o avião não tinha combustível no momento do impacto. Uma das hipóteses com que trabalhamos é que como a aeronave não tinha combustível, os motores se apagaram e houve pane elétrica", disse Freddy Bonilla, secretário de Segurança clombiano, em entrevista coletiva no aeroporto Olaya Herrera, no centro da cidade de Medéllin.

Ainda segundo Bonilla, a falta de combustível é considerada uma grave desobediência às regras do transporte de passageiros. "Qualquer aeronave no mundo precisa ter no mínimo uma quantidade extra de reserva para aguentar 30 minutos além do tempo previsto de voo, e ainda mais 5 minutos ou 5% da distância, para que assim se tenha uma segurança. Vamos investigar para saber por que a tripulação não contava com combustível suficiente", explicou.

Os órgãos colombianos confirmaram que o voo fretado saiu de Santa Cruz de la Sierra com destino a Medellín sem previsão para escalas. O tempo do deslocamento seria de 4 horas, porém a queda se deu antes de se chegar a esse prazo. O avião se chocou com uma montanha a uma altitude de 2,2 mil acima do nível do mar, em velocidade aproximada de 250 km/h.

O secretário desmentiu um boato que circulava na Colômbia sobre o voo da Chapecoense ter ficado no ar para ter que aguardar a liberação da pista. Segundo ele, minutos antes da aproximação da aeronave com a equipe catarinense, a pista teve, sim, de receber o pouso de emergência de um voo que saiu de San Andrés, ilha colombiana no Caribe, com destino a Bogotá. Porém, de acordo com Bonilla, isso não fez com que a viagem do time de futebol fosse afetada.

"Às 9h41 da noite o voo da Chapecoense foi autorizado a se aproximar. Às 9h52 o avião que vinha de San Andrés e estava sem combustível, pousou na pista, após desviar seu destino. Nesse mesmo instante o voo da companhia aérea LaMia comunicou a situação de emergência", explicou. Quatro minutos antes desse pedido de socorro, o piloto boliviano solicitou prioridade na pista.

No horário colombiano (três horas a menos que o do Brasil) das 9h57 da noite de segunda-feira foi feito o último contato. Nessa conversa, a LaMia declarou à torre de controle a falha completa do sistema elétrico, assim como o tanque vazio. Houve perda de contato e a posterior queda do avião, que causou morte de 71 pessoas.

Junto com Bonilla, o diretor geral da Aerocivil, Alfredo Bocanegra, explicou que no primeiro momento, a expectativa por sobreviventes era mais alta. "Chegamos a pensar que seriam 11 sobreviventes, mas são somente seis. Encontramos as duas caixas pretas com facilidade e vamos continuar os trabalhos de apuração", contou. Desses seis, dois são tripulantes bolivianos, três são jogadores da Chapecoense e o outro é jornalista.

Bonilla explicou que os áudios que circulam com supostas conversas entre o piloto Miguel Quiroga e a torre de controle tiveram conteúdos editados e inexatos e considerou a propagação do conteúdo um desserviço, por considerar que contribuem para a falta de esclarecimento sobre o acidente.

CRONOLOGIA DOS CONTATOS:

21h41 - Aeronave da LaMia é autorizada pela torre de controle a iniciar a aproximação ao aeroporto José Maria Cordova, em Rionegro, região metropolitana de Medellín

21h48 - Aeronave da LaMia pede prioridade na pista

21h52 - Voo da VivaColombia que estava sem combustível desvia trajeto entre San Andrés e Bogotá para pouso de emergência na pista

21h52 - Avião que trazia equipe da Chapecoense comunica situação de emergência, com o pedido de prioridade imediata

21h57 - Piloto boliviano faz apelo de falha completa, com pane elétrica e tanque vazio, no último contato com a torre

22h05 - Avião se choca com as montanhas a 250km/h

Prioridade para aterrissar

De acordo com um tripulante da Avianca, o piloto do voo da LaMia, que transportava o time catarinense, solicitiou prioridade para aterrissar, enquanto um outro avião, da empresa Viva Colômbia estava pousando no aeroporto. "Solicitamos prioridade para aterrissar, temos problemas de combustível. No entanto, neste momento, ele não se declarou em estado de emergência", afirmou.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias