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Duplo desafio paralímpico

Ernesto Mendonça perdeu 95% da visão quando tinha 17 anos. Hoje, aos 30, ele se divide entre as funções de atleta e treinador paralímpico

JC Online
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Publicado em 10/06/2017 às 17:31
Divulgação/CPB
Ernesto Mendonça perdeu 95% da visão quando tinha 17 anos. Hoje, aos 30, ele se divide entre as funções de atleta e treinador paralímpico - FOTO: Divulgação/CPB
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Não basta ser atleta e competir no alto rendimento, tem que comandar uma equipe na condição de treinador. Esta é a vida de Ernesto Epifânio Mendonça, 30 anos, natural do Espírito Santo, que perdeu 95% da visão aos 17, quando descobriu uma doença rara chamada neuropatia ótica hereditária de leber. O diagnóstico surpreendeu Ernesto, que precisou readaptar sua jornada. Espontâneo, ele se reencontrou nos esportes. Praticou várias modalidades até descobrir que o para-atletismo poderia render alegrias e uma carreira profissional. Hoje, ele é recordista das Américas do salto em altura, na classe T12 (para competidores com baixa visão) e acabou de classificar uma de suas atletas para o Campeonato Mundial de Londres.

Ernesto contou que antes de descobrir a doença não costumava ficar quieto e sempre movimentava-se de alguma forma. Aos 17 anos, precisou dar novo ritmo à vida com a perda súbita de 95% da visão – principal característica da neuropatia ótica, doença degenerativa que tem maior incidência em homens jovens. “Na época, pratiquei vários esportes: atletismo, judô, natação, golbol, futsal. Depois, resolvi me dedicar ao para-atletismo, com o qual tinha mais afinidade. A modalidade passou a me oferecer recursos financeiros e eu a coloquei como prioridade”, explicou o competidor.

EDUCAÇÃO FÍSICA

Questionador, o para-atleta não concordava com os métodos do seu antigo técnico e resolveu cursar educação física para argumentar com propriedade. Por causa da deficiência, levou um “não” da primeira faculdade que escolheu. “Não desisti e procurei outra instituição, que me acolheu muito bem”, observou. Ele concluiu a graduação e começou a trabalhar como treinador. Hoje, comanda uma equipe de 10 atletas paralímpicos, cinco deles estão entre os melhores do País. Renata Bazone, por exemplo, é campeã mundial nos 800 metros da classe T11 e foi convocada na semana passada para a edição de Londres da competição, que acontecerá no próximo mês de agosto.

“Faço tudo com muita satisfação. Acompanho meus queridos pela manhã e faço meus treinos à tarde e à noite. Gosto assim e vem funcionando. Prezo pela qualidade e por um trabalho organizado e sistematizado. Todos os passos são planejados”, disse Ernesto, que não tem a fórmula do sucesso, mas soube se reinventar com maestria.

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