ATAQUE

Coreia do Norte fica sem internet pelo segundo dia consecutivo

O governo americano acusa a Coreia do Norte de estar por trás do ataque contra a Sony Pictures

Karol Albuquerque
Karol Albuquerque
Publicado em 23/12/2014 às 16:30
Foto: AFP
O governo americano acusa a Coreia do Norte de estar por trás do ataque contra a Sony Pictures - Foto: AFP
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A internet voltou a cair na Coreia do Norte pelo segundo dia consecutivo, de acordo com um grupo de especialistas americanos que monitoram os esforços de Pyongyang de voltar a ficar online.

As conexões haviam voltado ao normal depois de ter sofrido uma interrupção de nove horas e 31 minutos na segunda-feira (22).

O grupo Dyn Research informou que as quatro redes de internet de que a Coreia do Norte dispõe, todas gerenciadas pela empresa chinesa de comunicações China Unicom, voltaram a cair depois de apresentar instabilidades durante horas.

A queda das redes norte-coreanas fez surgir especulações segundo as quais o isolado regime de Kim Jong-un estaria sofrendo um ataque em massa por parte dos Estados Unidos em represália pelo ciberataque à companhia Sony Pictures.

Washington acusou a Coreia do Norte de estar por trás do roubo de informação digital dos estúdios de Hollywood e o presidente Barack Obama prometeu responder na mesma proporção.

As causas precisas da falha são ainda desconhecidas, mas o colapso da rede aconteceu poucos dias depois do presidente Obama anunciar represálias pelo ataque cibernético, atribuído pelo FBI a Pyongyang.

A Dyn Research explicou na segunda-feira que as conexões de internet entre a Coreia do Norte e o restante do mundo - que geralmente são ruins - começaram a sofrer interrupções já no fim de semana.

O governo americano acusa a Coreia do Norte de estar por trás do ataque contra a Sony Pictures, o que Pyongyang nega veementemente.

Em uma entrevista exibida no domingo pelo canal CNN, Obama disse que "não foi um ato de guerra, e sim um ato de 'cibervandalismo', que foi muito caro".

Ao mesmo tempo, prometeu uma resposta "proporcional" ao ataque, em revelar detalhes.

No Departamento de Estado, a porta-voz adjunta Marie Harf afirmou que não estava em condições de comentar as informações sobre os problemas de conexão com a internet na Coreia do Norte.

"A administração Obama examina uma série de opções em resposta ao ciberataque. Entre nossas respostas, algumas serão visíveis, outras não", afirmou Harf.

Na segunda-feira, a Coreia do Norte foi alvo de uma enxurrada de críticas na reunião do Conselho de Segurança da ONU.

Durante a primeira reunião do Conselho completamente dedicada à situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, liderou as acusações contra o regime comunista no poder em Pyongyang.

A embaixadora americana se referiu brevemente ao ataque cibernético à Sony Pictures.

"Não satisfeito em negar a liberdade de expressão a seus próprios cidadãos, o regime da Coreia do Norte agora parece estar decidido a impedir que nossa nação usufrua dessa liberdade fundamental", declarou.

Já a China defendeu um diálogo entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte sobre os ataques informáticos, sem comentar, no entanto, a longa interrupção da internet ocorrida em seu vizinho e aliado norte-coreano.

"Tomamos nota das posições expressadas pelos Estados Unidos e a República Democrática Popular da Coreia  (RDPC) nos últimos dias. Esperamos que os Estados Unidos e a RPDC possam se comunicar sobre isso", afirmou uma porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying.

O ciberataque contra a Sony Pictures, o maior desta natureza contra uma empresa americana, segundo o FBI, obrigou o estúdio a cancelar a estreia da comédia "A Entrevista", uma sátira sobre um complô fictício da CIA para assassinar o dirigente norte-coreano.

A Sony Pictures advertiu que poderá abrir  processos contra quem continuar permitindo a difusão do material roubado, a exemplo do Twitter, que tem uma conta com este objetivo (@bikinirobot).

O ataque à Sony foi reivindicado por um grupo autodenominado Guardiões da Paz, que utiliza em inglês a sigla GOP, curiosamente também usada nos Estados Unidos para se referir ao opositor partido Republicano.

Entre as informações roubadas, estão roteiros de filmes, documentos financeiros, contratos de trabalho, dados pessoais de empregados e comunicados internos.

O ataque cibernético e as ameaças posteriores levaram a Sony a cancelar o lançamento do filme por motivos de segurança. No entanto, dois cinemas americanos anunciaram que exibirão o filme no dia 25.

"A Sony autorizou a projeção de 'A Entrevista' no dia de Natal", escreveu em sua conta no Twitter Tim League, fundador do cinema Álamo de Austin (Texas, sul). 

O Plaza Atlanta, da Geórgia (sudeste), também anunciou que fará o mesmo por meio das redes sociais.

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