Negociações

Ucrânia dá passo em direção à Otan antes das negociações de paz

Os confrontos entre soldados ucranianos e insurgentes deixaram mais de 4.700 mortos desde abril

Danilo Galindo
Danilo Galindo
Publicado em 23/12/2014 às 11:09
Foto: BULENT KILIC/AFP
Os confrontos entre soldados ucranianos e insurgentes deixaram mais de 4.700 mortos desde abril - Foto: BULENT KILIC/AFP
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A Ucrânia deu mais um passo em direção à Otan, ao renunciar ao status de país não alinhado, uma medida que provocou a irritação de Moscou na véspera da retomada das negociações de paz entre Kiev e os rebeldes pró-Rússia.

Trezentos e três deputados votaram a favor do projeto de lei e apenas oito contra.

O projeto de lei indica que o governo deverá "cumprir com os critérios para a adesão à Aliança Atlântica".

A lei, aprovada sem problema pelo Parlamento ucraniano dominado por deputados pró-Ocidente, será promulgada pelo presidente Petro Poroshenko, que comemorou a aprovação em sua conta no Twitter.

"Por fim, corrigimos este erro", escreveu o chefe de Estado. 

"A integração europeia e euroatlântica é o caminho sem outra alternativa para a Ucrânia", completou, antes de justificar a necessidade da lei pela "agressão" militar russa contra a Ucrânia.

"A anexação ilegal" por Moscou da península ucraniana em março e a "intervenção militar" de Moscou no leste da Ucrânia "determinam a necessidade de buscar garantias mais eficazes para a independência, a soberania, a segurança e a integridade territorial" do país, afirma a nota de análise que acompanha o projeto de lei.

Moscou condenou a decisão de Kiev, inclusive antes da adoção. 

"De fato, se trata de uma demanda de adesão à Otan, o que transforma a Ucrânia em um adversário militar potencial da Rússia", declarou na segunda-feira o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev. 

"A decisão terá consequências extremamente negativas e nosso país se verá obrigado a reagir", completou.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, advertiu que o abandono pela Ucrânia do status de país não alinhado "exacerba o clima de confronto".  

O governo ucraniano e o Ocidente acusam a Rússia, depois da anexação da Crimeia, de ter organizado e armado a rebelião pró-Moscou no leste da Ucrânia, além de ter iniciado uma ofensiva militar na região.

Os confrontos entre soldados ucranianos e insurgentes deixaram mais de 4.700 mortos desde abril.

O caminho da Ucrânia para entrar na Otan, no entanto, é bastante incerto. O presidente Poroshenko cita a data teórica de 2020, mas esta perspectiva divide integrantes da Aliança e alguns deles, como França e Alemanha, são reticentes a respeito da entrada de Kiev na Otan.

A votação no Parlamento ucraniano aconteceu na véspera de uma nova sessão de negociações de paz que, segundo Poroshenko, deve acontecer na quarta-feira na capital de Belarus, Minsk.

Na área militar, o cessar-fogo instaurado em 9 de dezembro era respeitado de maneira geral, mas a tensão aumentou após a explosão, que não deixou vítimas, de uma ponte ferroviária em Mariupol, única grande cidade da região de Donetsk controlada pelo governo ucraniano.

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