João da Costa minimiza atrito com manifestante na greve geral

Ex-prefeito do Recife pelo PT, ele disse que houve uma 'pequena discussão', mas sem hostilidade
JC Online
Publicado em 29/04/2017 às 11:48
Ex-prefeito do Recife pelo PT, ele disse que houve uma 'pequena discussão', mas sem hostilidade Foto: Acervo/JC Imagem


O ex-prefeito do Recife, João da Costa (PT), minimizou uma discussão com uma manifestante na paralisação dessa sexta-feira no centro da capital pernambucana. Nas redes sociais, há comentários de que petista teria sido agredido.

"É boato. Foi uma pequena discussão, mas nada de hostilidade. Conversei com muita gente e revi muita gente no meio da caminhada. Essas disputas quando estão mais acirradas, tá certo, é sinal de que tem muita gente na caminhada que não estava contra o golpe e agora está percebendo o que resultou", afirmou.

A internauta Lou Neves Baptista Rodrigues escreveu: 'Não acho engraçado. Sou contra violência. Por pior que tenha sido um governante ao agredir com força física você se iguala. Pena".

Já Eduardo Amorim respondeu: 'Mas não dá para a pessoa fazer uma gestão totalmente desconectada do povo e depois achar que dá para ir a uma manifestação popular".

Para Renata Magalhães, foi "horrível" João da Costa ser agredido.

A professora de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, Liana Cirne Lins, também comentou o assunto.

"Também discordo de agressão, mas concordo com Eduardo Amorim sobre a pessoa dever ter consciência de que ir para uma manifestação popular sendo associado a pautas contrárias aos interesses da população significa ter que suportar a reação crítica. E eu gostaria de dizer que a primeira vez que sofri agressão física não foi no Estelita, no dia da reintegração de posse, mas na prefeitura do Recife, em 2012, quando um segurança me impediu de entregar um parecer jurídico para alguns conselheiros do CDU. Ele empurrou a porta com muita força, a ponto de quase rasgar meu vestido. Então considero que eu pessoalmente já fui agredida por João da Costa, em 2012, quando ele era o [péssimo] prefeito do Recife", relatou.

GREVE GERAL

João da Costa ressaltou que a paralisação não teve o domínio de nenhum partido político. "A manifestação de ontem não foi partidária, mas expressiva de parte da sociedade", disse.

Para o ex-prefeito, o saldo da paralisação foi positivo.

"É preciso reconhecer que o Brasil parou. Foi a maior greve geral da história. Nas grandes cidades, uma parcela importante do sistema produtivo ficou parado e essa manifestação que ocorreu ontem muda a qualidade da luta política que está em jogo na sociedade. Percebi no ato muita gente que não tinha participado de nenhuma caminhada de defesa de Dilma (PT), contra o golpe, etc. Muito mais gente está sentindo que as reformas que estão sendo implantadas vão de encontro aos interesses da população", declarou.

João da Costa reforçou que é contra as reformas Trabalhista e da Previdência propostas pelo governo Michel Temer (PMDB).

"Vai ter muita luta política e social. Essas reformas não vão ser implantadas sem luta e resistência. Não dá para admitir que o Brasil vá ter direitos trabalhistas anteriores a 1930. Isso não é compatível com o século 21", afirmou.

Ainda de acordo com João da Costa, a afirmação do vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira (PCdoB), de que a prefeitura vai abonar o ponto dos servidores que não compareceram ao trabalho ontem está correta.

"Muitos servidores podem ter ido para o ato e muitos podem não ter ido porque não tinha transporte público. O mais sensato é abonar o ponto. Eu, se fosse prefeito, estaria apoiando a greve geral, respeitando aquela parte da sociedade que não concorda (com a paralisação). Um prefeito é de todos, mas tem que ter um posicionamento político", pontuou.

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