Alepe

Críticas às secretarias são evidenciadas por deputados da Alepe

Deputados queixam-se tanto na tribuna da Alepe como em reunião com secretário da Casa Civil de pouco diálogo com setores do governo Paulo Câmara (PSB)

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 30/08/2019 às 7:00
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Deputados queixam-se tanto na tribuna da Alepe como em reunião com secretário da Casa Civil de pouco diálogo com setores do governo Paulo Câmara (PSB) - FOTO: Foto: Divulgação
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As críticas aos secretários estaduais do governo Paulo Câmara (PSB), em especial o de Turismo, Esportes e Lazer, Rodrigo Novaes, foram a pauta central dos discursos dos parlamentares na sessão desta quinta-feira (29) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Deputados governistas queixaram-se de serem desprestigiados em eventos da secretaria realizados nas suas bases eleitorais. “Eu acho que é preciso que alguns secretários entendam que as secretarias não são deles, são para atender o povo pernambucano e que os parlamentares representam essa parcela da população”, disse o deputado Antônio Moraes (PP). De acordo com ele, enquanto estava acompanhando o governador em uma agenda em Timbaúba, na Mata Norte, na quarta-feira (29), Novaes estava em Macaparana, sua principal base eleitoral. “Mandou um convite no dia anterior à noite, não pode dar um telefonema para o deputado”, queixou-se.

“Essa é uma rotina que infelizmente tem acontecido com a gente que faz parte da base de apoio do governo”, disse Rogério Leão (PL). Ele contou que na festa da Pedra do Reino, tradicional festejo em São José do Belmonte, cidade em que foi prefeito por dois mandatos, “aquele secretário (de Turismo) estava lá e meu nome não foi citado uma vez sequer”.

“Alguns colegas ainda receberam convites para eventos. Eu nem sequer fui recebido pelo secretário anterior da Casa Civil (Nilton Mota). Sou parlamentar da base governista e me sinto desprestigiado pelo Governo”, completou Romero Albuquerque (PP). 

O líder do governo, Isaltino Nascimento (PSB), saiu em defesa de Novaes. Segundo ele, o secretário relatou uma falha de comunicação no episódio envolvendo Antônio Moraes. “Já houve outros eventos e não tinha ocorrido nenhum tipo de problema”, afirmou. Ele ressaltou, porém, que para além da questão do trato com os parlamentes, existe também as questões locais nesses municípios. “Há uma disputa local que é prenúncio das eleições de 2020. Tem que saber separar para que não se confunda uma coisa com a outra, para que isso não contamine o clima de trato da relação dos secretários e dirigentes de órgãos com os deputados”, alertou Isaltino. Por meio de sua assessoria, o secretário informou que não iria se manifestar.

Casa Civil

As insatisfações pela falta diálogo com as secretarias de governo foram levadas por muitos governistas durante visita do novo secretário da Casa Civil, José Neto, à Alepe, na quarta. As demandas apresentadas pelos deputados forem desde a execução de emendas parlamentares até a permissão de estacionamento em órgãos públicos, como a Empetur e o próprio Palácio do Campo das Princesas. Nos bastidores, deputados comentam que a reunião serviu como uma “lavagem de roupa suja”.

A percepção com a ida de José Neto à Casa, no seu primeiro dia de trabalho, é de que foi um gesto positivo, demonstrando a sua intenção de estreitar os laços com o Legislativo. Ele foi recebido por mais de 30 parlamentares, entre governo e oposição. O sentimento de alguns governistas é de que as esperanças de um melhor trânsito foram renovadas, pelo próprio perfil de José Neto: técnico, pacificador e com um bom trato com os parlamentares. Sua primeira missão será acabar com as rusgas entre parlamentares e alguns setores do governo, mas, para isso, como lembra um governista, precisará de apoio do governo para desempenhar a função. “O importante da Casa Civil é que ele possa estar respaldado para ligar pros secretários de Educação, Saúde, e fazer com que as coisas que estejam travadas sejam resolvidas”, afirmou o 1º secretário da Alepe, Clodoaldo Magalhães (PSB).

Waldemar Borges (PSB) defende que o tensionamento já vinha diminuindo “na medida em que o governo começou a interagir mais com os deputados”, disse. “A gente espera que diminua mais ainda e que estabeleça aquela relação que todo mundo quer, que é de autonomia e de respeito recíproco”, contou o socialista.

Municípios

Paulo Câmara tem sido alertado por seus aliados mais próximos sobre os riscos de manter-se distante não só dos parlamentares estaduais, mas dos gestores municipais. No Estado, o PSB comanda 70 prefeituras e a disposição é de ao menos nas eleições municipais manter esse quantitativo. Questionado se haverá novas mudanças em seu escalão, Câmara apenas afirmou que a Casa Civil tem uma função importante no governo. “O secretário da Casa Civil tem que estar numa condição muito próxima do governador e buscar ações governamentais. O Nilton (Mota) cumpriu bem esse papel e agora José Neto vai cumprir também. Nós precisamos estar sempre buscando fortalecer as secretarias e Zé Neto vai cumprir um papel que ele já cumpre agora na Casa Civil”, comentou.

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