ECONOMIA

Pesquisa sobre impactos da pandemia mostra que 15% das pessoas estão desempregadas no Brasil

A pesquisa foi realizada pela Audens Consultoria

Felippe Pessoa
Felippe Pessoa
Publicado em 03/08/2020 às 7:14
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RAFAEL NEDDERRRMEYER/DIVULGAÇÃO
As vagas são intermediadas pela SETEQ-PE e para concorrer a cada uma delas é necessário ir até uma Agência do Trabalho presencialmente, após agendamento no site da secretaria - FOTO: RAFAEL NEDDERRRMEYER/DIVULGAÇÃO
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A Audens é uma consultoria especializada em recrutamento e seleção de profissionais com escritórios no Recife, Fortaleza e Salvador e atuação nacional. Desde o início da pandemia, a consultoria busca entender os rumos que o mercado vem tomando e os impactos para as empresas e os profissionais.

No final de junho, a Audens divulgou os resultados da primeira pesquisa realizada com empresas da região Nordeste, com o objetivo entender de que forma a pandemia causada pelo COVID-19 impactou as empresas da região no que diz respeito à mão de obra. Das 137 empresas pesquisadas em 6 estados, 51% precisaram desligar profissionais, especialmente no nível operacional, e 72% afirmaram esperar uma recuperação lenta na retomada das contratações.

Hoje foi divulgada a segunda pesquisa realizada pela consultoria e a coluna traz os resultados com exclusividade. A pesquisa teve como objetivo entender como a pandemia impactou no trabalho das pessoas, bem como suas expectativas para o retorno às atividades. Dos 2.703 profissionais de todo o Brasil que responderam à pesquisa, 15% estavam desempregados. Não há evidências de que esses profissionais perderam o emprego ao logo dos últimos meses, mas o número chama atenção. A região com o maior número de desempregados foi a Sudeste, com 18%, e as com menos foram a Norte e a Centro-Oeste, ambas com 10%.

Do total de profissionais participantes, 49% estão na região Nordeste e 44% atuam como gerentes nas empresas que em trabalham. Outro dado interessante é que 42% deles estão em home office, especialmente os do Sudeste, onde 52% dos profissionais consultados trabalham de casa.

Um outro aspecto relevante mostrado pela pesquisa é o desejo de mudança no modelo tradicional de trabalho; 73% dos entrevistados desejam trabalhar em sistema híbrido, parte do tempo presencialmente e parte em home office. De acordo com Fábio Gonçalves, sócio da Audens e líder da pesquisa, esse desejo mostra que as empresas deverão se adaptar à nova realidade: “Apesar do momento difícil para todos, os profissionais ganharam qualidade de vida em vários aspectos como a convivência com os filhos no dia a dia e a otimização do tempo sem precisar se deslocar aos escritórios. No começo foi difícil se adaptar, mas hoje conseguimos perceber as vantagens de trabalhar em casa. A pesquisa mostra que o sistema híbrido é a melhor solução, pois equilibra a convivência e o conforto de trabalhar em casa com a troca de experiências no ambiente de trabalho”, ponderou Fábio.

A pesquisa também perguntou se os entrevistados tinham receio de perder o emprego e apenas 17% responderam estar muito preocupados com essa possibilidade, enquanto 42% não demonstraram preocupação. Os profissionais do Nordeste encabeçam a lista de preocupação; 18% dos nordestinos falaram estar muito preocupados com a possibilidade de ficar fora do mercado de trabalho.

Outro dado curioso é que 58% dos entrevistados acreditam estar trabalhando mais tempo que antes. Apenas 7% afirmaram estar trabalhando menos. Segundo Fábio, essa maior dedicação de tempo ao trabalho pode ser decorrente de diversos aspectos: “A falta de uma rotina mais rígida ou de disciplina em estabelecer uma é um dificultador enorme na hora de trabalhar em casa e ser produtivo. Além disso, a distração pode ser grande para muitos profissionais. As mulheres, especialmente, acabam tendo que trabalhar e cuidar dos filhos e da casa, tornando a rotina conturbada”, disse.

Mas, por outro lado, a maior parte dos profissionais falaram que a qualidade de vida melhorou com o home office. Para 64% deles, os últimos meses foram positivos nesse quesito, especialmente para os do Sudeste, onde 68% disseram ter mais qualidade de vida.

E sobre o retorno as atividades? A pesquisa da Audens questionou se as empresas onde trabalham estão se preparando para um retorno; 39% dos profissionais afirmaram que sim, enquanto 14% disseram que suas atividades normais já voltaram. Entretanto, 31% dos entrevistados disseram não haver uma data definida para voltar aos escritórios. Um outro dado interessante é que 40% querem evitar reuniões presenciais e 21% não pretendem viajar a negócios até tudo voltar à normalidade.

O relatório divulgado pela Audens é um retrato dos desejos dos profissionais e serve de base para a tomada de decisão das empresas. Todos precisarão se adaptar a nova realidade e os resultados da pesquisa servem de guia para as novas regras e modelos de trabalho de um futuro não tão distante.

O relatório completo está disponível gratuitamente no site

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