Universidade

Início das aulas remotas da UFPE ganha nova data

Semestre iria começar no dia 17 de agosto, mas foi adiado pela instituição

Mayra Cavalcanti
Mayra Cavalcanti
Publicado em 12/08/2020 às 8:49
REPRODUÇÃO/FACEBOOK UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Aulas presenciais foram suspensas em 16 de março devido à pandemia - FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
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Sem aulas presenciais desde o dia 16 de março devido à pandemia do novo coronavírus, estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), dos campi Recife, Caruaru e Vitória de Santo Antão, vão ter que esperar mais uma semana para dar início ao Semestre Letivo Suplementar 2020.3. Prevista para começar na próxima segunda-feira (17), a retomada remota das atividades foi adiada para o dia 24 de agosto. A alteração ocorreu por causa da expansão do período de matrículas, que agora podem ser feitas até a sexta-feira (14). Na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) não houve mudança e as aulas voltam na segunda (17).

O adiamento repercute no calendário acadêmico, que ganhou um novo prazo para o fim das atividades letivas em 2020, previsto para o dia 24 de novembro. "O novo calendário acadêmico, aprovado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE/UFPE), visa atender à grande demanda estudantil por matrículas no período, além de compensar eventuais dificuldades apresentadas pelos estudantes, sobretudo os novatos, para efetivar a matrícula", disse a instituição, por meio de uma nota. De acordo com a UFPE, até a manhã dessa terça (11), mais de 21 mil estudantes tinham se matriculado.

Até a sexta (14), os estudantes podem realizar a matrícula para o semestre 2020.3. A inclusão de cadeiras é feita exclusivamente online, através do Siga. Com a alteração do calendário, a UFPE também criou um período de complementação de matrículas, que estará disponível para quem já fez a inscrição no Semestre Letivo Suplementar 2020.3, mas deseja acrescentar disciplinas à grade. O processo pode ser feito de 19 a 24 de agosto. Neste período, no entanto, não será permitido o cancelamento de cadeiras através do Siga, sendo necessário o contato online com a coordenação do curso.

A volta às aulas na UFPE vai acontecer com disciplinas ministradas virtualmente. A matrícula dos alunos e a participação dos professores é facultativa, com autonomia para decidir se vão participar ou não. Quem optar por não cursar cadeiras a distância não será prejudicado e poderá dar continuidade à graduação quando o semestre 2020, com aulas presenciais, retomar. A universidade conta com 40 mil alunos, dos quais pouco mais de 30 mil estudam nos 109 cursos de graduação.

A comunidade acadêmica é formada também por 2.504 professores e 3.843 técnicos administrativos (números de junho de 2019). Na semana passada, a instituição lançou um edital voltado para alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, para fornecer plano de dados móveis e aparelhos eletrônicos, possibilitando a matrícula no semestre letivo 2020.3. As inscrições para os interessados acontecem até esta quarta-feira (12), através do formulário.

Confira o novo calendário acadêmico
- Matrículas | Prorrogadas até o dia 14/08/2020;
- Ajuste de matrícula (pelas coordenações) | De 15 a 18/08, até as 17h;
- Concessão e solicitação de vagas aos outros cursos da UFPE | De 17 a 20/08, até as 17h;
- Complementação de matrícula | De 19 a 24/08, até as 17h;
- Ajuste final de oferta pelas coordenações | De 25/08 a 26/08/2020, até as 18h;
- Período letivo suplementar | Início em 24/08/2020 e término em 24/11/2020;
- Realização dos exames finais | Até 09/12/2020;
- Último dia para lançamento de notas referentes no Siga | 17/12/2020.

Fase desafiadora para estudantes e professores

A estudante Gorett Bitu, de 63 anos, cursava o sétimo período do curso de Turismo na UFPE quando as aulas foram suspensas, em março. Com a expectativa de concluir sua segunda graduação em 2020, os planos foram frustrados com o início da pandemia do novo coronavírus. Matriculada em quatro cadeiras, Gorett tem uma expectativa alta para o retorno à universidade. "A volta é boa até para melhorar nossa cabeça neste momento tão difícil. Me faz muita falta e esse adiamento aumenta a ansiedade. Até porque é tudo novo, nunca fiz curso online", comenta.

CORTESIA
"Este período tem sido frustrante, mexeu com tudo na nossa vida", diz Reniere Neri, 28 anos, estudante do sexto período de publicidade - CORTESIA
CORTESIA
"A volta é boa até para melhorar nossa cabeça neste momento tão difícil. Me faz muita falta e esse adiamento aumenta a ansiedade", conta a estudante do sétimo período de turismo Gorett Bitu, 63 anos - CORTESIA

Ela acredita, porém, que não enfrentará dificuldades em acompanhar as aulas. "A pandemia adiou meu sonho para mais um ano. Eu esperava, em 2021, já estar fazendo uma pós na área, mas agora terei que aguardar", declara. Sonhos interrompidos também para o estudante Reniere Neri, de 28 anos, que cursa o sexto período do curso de Publicidade.

"Quando a gente fala de UFPE, é um pouco previsível que fosse acontecer esse adiamento. Eu não me surpreendi e espero que o processo, quando começar, ocorra ok, que consiga concluir o semestre e não inventem de encerrar no meio, de suspender", disse. Reniere conta que tinha formatura prevista para 2021. "Este período tem sido frustrante, mexeu com tudo na nossa vida. Eu tinha vários planos de adiantar o máximo de cadeiras esse ano e não deu. Comecei a estagiar de forma retoma e é difícil aprender sem ter alguém presente", acrescenta ele, que se matriculou em cinco disciplinas no semestre 2020.3.

Se o período é desafiador para os alunos, para os professores também representa muita novidade. Thiago Soares, docente do Departamento de Comunicação da UFPE, afirma que concorda com o retorno das atividades, devido ao caráter de excepcionalidade que o momento representa, mas que há algumas dificuldades a serem consideradas. "É um desafio porque a maioria dos professores não teve formação EAD (ensino a distância). É algo específico, não é só ligar a câmera. É produzir conteúdo específico, com dinâmicas bastante particulares", relata.

Ele comenta que dedicou os últimos meses a procurar alternativas para também fornecer os conteúdos para os alunos que não conseguirem assisti-los ao vivo. Podcasts, vídeos e outros recursos serão utilizados pelo professor. Segundo ele, a UFPE promoveu uma capacitação para ensinar os docentes a utilizar as ferramentas para as aulas online. Além disto, alguns professores poderão contar com o auxílio de mestrandos e doutorandos em estágio de docência.

No Departamento de Comunicação, ficou acordado também, entre os professores, que as aulas teriam até duas horas de duração. "Obviamente existem muitas diferenças sociais entre nossos alunos. Isso é evidente. Alguns professores também puderam optar se tinham ou não condições de dar aula. Mas o caráter de excepcionalidade deste momento trouxe o elemento de tentar fornecer condições para que os alunos consigam estudar. Todo mundo está tentando aprender e ver no que isso vai se dar", completa.

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