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Governo de Pernambuco autoriza aulas em Noronha e deixa para dia 14 o anúncio sobre o resto do Estado

Aulas presenciais estão suspensas em Pernambuco desde 18 de março e devem permanecer assim até pelo menos 15 de setembro. Em Noronha, estudam 619 alunos. No Estado são 2,3 milhões

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 10/09/2020 às 17:23
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As aulas estão suspensas desde o dia 18 de março - FOTO: REPRODUÇÃO
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As aulas presenciais no Arquipélago de Fernando de Noronha serão retomadas a partir de 22 de setembro. A ilha tem apenas uma escola e uma creche, ambas vinculadas à rede estadual, somando 619 alunos. Ficou para a próxima segunda-feira (14) o anúncio, por parte do governo estadual, de novidades em relação à suspensão ou manutenção da proibição de aulas presenciais na educação básica no restante de Pernambuco. Decreto que mantem as escolas fechadas, por causa da covid-19, expira no dia seguinte à coletiva, a terça-feira (15).

Havia uma expectativa grande, por parte de donos de escolas, professores e pais de alunos, que o governo tratasse do retorno das aulas presenciais no Estado na entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (10). Uma semana atrás, representantes do sindicato dos colégios particulares realizaram um protesto em frente ao Palácio do Campo das Princesas para cobrar um cronograma de volta às aulas na educação básica. Neste mesmo dia, o governador Paulo Câmara fez um pronunciamento dizendo que não era o momento ainda de reabrir as unidades de ensino.

"Vamos aguardar o pronunciamento do governo na próxima segunda-feira. Estamos na firme crença de que será apresentado um cronograma de retorno às atividades presenciais. Continuamos mobilizados e esperamos que prevaleçam o equilíbrio e a razão", comentou o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Estado, José Ricardo Diniz. Existem no Estado 2.400 escolas privadas, onde estudam cerca de 400 mil estudantes.

SEM TRANSMISSÃO

A autorização para o reabertura das escolas em Noronha se deu porque a ilha, segundo o governo, não registra transmissão comunitária da covid-19 desde o final de abril. Os primeiros a voltarem ao ensino presencial serão os 402 estudantes da Escola de Referência em Ensino Fundamental e Médio (Erem) Arquipélago Fernando de Noronha, a partir do dia 22 de setembro.

Nessa data, voltam os alunos do ensino médio. Na terça-feira seguinte, 29, serão os dos anos finais do ensino fundamental. E por último, em 6 de outubro, os estudantes das séries iniciais do fundamental.

Para os 217 alunos da creche, o Centro Integrado de Educação Infantil (CIEI) Bem-Me-Quer, a liberação ocorre a partir de 13 de outubro. Nessa data vão ser liberados as crianças da educação infantil. Uma semana depois, em 20 de outubro, retornarão os pequenos que ficam no berçário.

Os retornos serão sempre às terças-feiras. "Aproveitamos essa sugestão das escolas privadas. Como as aulas começam muito cedo, abrem às 7h, para que haja uma preparação no dia anterior, é melhor iniciar o retorno às terças. Se fosse na segunda, a escola estaria fechada no fim de semana", explica o secretário de Educação de Pernambuco, Frederico Amancio.

Nesta quinta-feira,  ele também informou que estão autorizadas, a partir da próxima quarta-feira (16), as aulas práticas dos cursos técnicos de nível médio em Pernambuco. Mas a Secretaria de Educação decidiu que os cerca de 53 mil alunos das 46 escolas técnicas da rede estadual não voltarão agora a ter atividades práticas. Isso vai acontecer apenas quando toda a rede retornar ao ensino presencial.

PROTOCOLO

Em Noronha, as duas unidades de ensino já iniciaram os preparativos para recepção dos estudantes, como a divulgação das medidas sanitárias previstas no protocolo setorial de educação; aquisição de totens de álcool em gel, termômetros, máscaras e face shields; além da realização de serviços de manutenção, especialmente para instalação de novas pias para lavagem das mãos (lavatórios).

Foi criada uma comissão de planejamento para discussão da retomada das aulas, envolvendo representantes do Conselho Distrital, família, estudantes, Superintendência de Educação de Fernando de Noronha, vigilância sanitária e assistência social.

A experiência em Noronha servirá de "teste" para o restante do Estado, que soma cerca de 2,3 milhões de alunos na educação básica. “É a primeira vez que o protocolo setorial de educação será posto em prática nas nossas escolas. O retorno das aulas presenciais na ilha será acompanhado com especial atenção, pois nos ajudará a compreender ainda mais o processo”, destacou Fred Amancio.

CONTRÁRIOS

Em meio à expectativa de liberação ou não das aulas presenciais, dois importantes médicos do Estado e quem têm acompanhado de perto a situação da covid-19, são contrários à retomada das atividades, neste momento, nas unidades de ensino.

A epidemiologista Ana Brito, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, e o infectologista Demetrius Montenegro, chefe do setor de doenças infectocontagiosas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), acham que alunos e professores ainda não devem voltar às aulas presenciais. Eles participaram do programa Casa Saudável, na TV JC, com a jornalista Cinthya Leite, na tarde desta quinta-feira (10).

"A volta às aulas é uma atividade obrigatória, que incorrerá em espaços de confinamento, com baixa ventilação e com um longo período de convivência, por mais que se faça um escalonamento de turmas. Em Pernambuco, um dos fatores que têm contribuído para a queda (de casos e mortes), mesmo que não tenha se dado de uma forma absoluta em todo o Estado, é a gente ter conseguido manter quase 30% da população em isolamento, com medidas de contingenciamento obrigatório, como é o caso do não retorno às aulas presenciais. Defendo que não é o momento de voltar para as escolas", afirmou a médica Ana Brito.

"Essa é a decisão mais difícil no processo de convivência com a covid-19. Pois não é só a questão de saúde envolvida, temos a questão econômica, social, emocional das crianças. Como o critério epidemiológico está norteando a reaberturas dos setores e estamos vivendo, ao menos até a semana passada, um aumento de SRAG em crianças, inclusive com necessidades de leitos de UIT, concordo também que esse ainda não é o momento do retorno às aulas presenciais. Mas reconheço que é um assunto polêmico com varias variáveis a serem analisadas", destacou Demetrius Montenegro.

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