COLUNA ENEM E EDUCAÇÃO

Alunos da rede municipal do Recife só vão receber tablets em setembro

Previsão inicial era entregar os equipamentos neste mês de agosto, mas máquinas ainda não chegaram na Secretaria Municipal de Educação

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 26/08/2021 às 18:34
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Guga Matos / JC Imagem
Érika tem cinco filhos e um apenas um celular para todos acompanharem as aulas remotas. Os três mais novos estudam na rede municipal do Recife - FOTO: Guga Matos / JC Imagem
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Não será este mês que os alunos do 4º ao 9º ano do ensino fundamental das escolas da rede municipal do Recife vão receber tablets para acompanharem as aulas remotas. A previsão inicial da Secretaria Municipal de Educação era entregar os equipamentos ainda em agosto, mas as máquinas só devem chegar na próxima semana, portanto, no final do mês.

Como é necessário ainda configurar os tablets com diversos aplicativos e conteúdos pedagógicos antes de repassá-los para a comunidade escolar, o recebimento deles pelos estudantes ficará para setembro, estima o secretário de Educação do Recife, Fred Amancio.

A prefeitura adquiriu 42 mil equipamentos. Desse total, cerca de 1.500 alunos da educação especial já estão com os tablets desde a segunda metade de julho, quando o segundo semestre letivo começou com aulas presenciais e remotas. Conforme a secretaria, além dos tablets estão sendo entregues também chromebooks para todas as escolas, equipamentos que darão apoio pedagógico aos professores da rede.

"Nossa expectativa é que os tablets cheguem até o final de agosto. Estamos trabalhando para entregá-los ainda em setembro", diz Fred Amancio. As máquinas para os alunos da educação especial foram compradas em um lote separado, por isso chegaram primeiro, explica o secretário de Educação. O modelo que vai ser entregue agora é diferente dos primeiros, mais modernos. A distribuição vai começar pelos alunos do 9º ano. Depois vai regredindo até chegar nos estudantes do 4º ano.

As escolas municipais de Recife reabriram em 22 de julho, por etapas. Como é preciso cumprir o distanciamento social mínimo de um metro entre os alunos, uma das exigências do protocolo sanitário por causa da covid-19, os colégios estão com rodízio de turmas. Daí a importância de as famílias terem tablets para que os estudantes acompanhem as aulas remotas quando não forem presencialmente para as unidades de ensino.

DIFICULDADE

Mãe de cinco filhos, dos quais três matriculados na rede municipal, Érika Luiza da Silva, 34 anos, sente falta de um equipamento para que eles assistam às aulas online. Os três mais novos, Cleber, 6 anos; Cleberson, 8; e Erick Lucas, 10, estudam na Escola Municipal Professora Jandira Botelho Pereira da Costa, localizada em Campo Grande, Zona Norte do Recife.

Somente Érick terá direito ao tablet pois está no 5º ano. Os irmãos estão no 1º e 2º ano, séries não contempladas no projeto da prefeitura. A família mora na comunidade Cidade de Deus, em Campo Grande. Érika está desempregada, é mão solteira e sobrevive com o que recebe do Bolsa Família (R$ 475).

"São cinco crianças para um celular. É difícil para acompanharem as aulas. Tem vezes que conseguem entregar as tarefas, tem vezes que não. Se eu tivesse condições comprava outro celular ou um tablet. Disseram na escola que Erick ganharia um, mas até agora não chegou", diz Érika. Além da dificuldade com apenas um celular, tem a internet. É a vizinha que cede o sinal para que as crianças se conectem.

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